“os pecadores sem pecado”

“os pecadores sem pecado”

«A fé não pode ser imposta nem pressuposta, é proposta. “Uma fé que não se apega, apaga-se”» D. António Francisco.

 Há uma coisa que pode custar muito, mas faz muito bem ao próprio e aos outros. Mas tem de ser bem feita. Se não o for, até custa pouco ou quase nada. Corre o risco de perder significado. Trata-se da abertura convicta em relação ao sacramento da Confissão, ou Reconciliação, ou também, designada como “Sacramento da Penitência”. Cada «nome» tem uma coerência própria. Pense pausadamente nestes argumentos que despertam a nossa consciência de fé.

 [1]. “Por trás dos pecados há sempre um cristão que se descuidou da missão responsável que ele tem no mundo. Tradicionalmente a teologia moral trabalha com duas raízes deste mal: a malícia e a fragilidade humanas que servem de instrumento para uma realidade muito complexa e diversificada” (p.90).

 [2]. “Pois a cada pecado específico cometido corresponde um conflito próprio, uma tentação em que a pessoa está envolvida como ela é de fato, com sua história, seu grau de maturidade na fé e na vida, seu relacionamento com os outros e seu lugar na sociedade, sua força e fraqueza, grandeza e miséria” (p.90).

 [3]. “Que não é o pecado que faz o pecador, mas o pecador que faz o pecado, é mais do que uma frase de efeito, porque coloca a aparente abstração, chamada pecado, dentro do seu contexto legítimo e histórico que é esta ou aquela pessoa humana concreta, com nome próprio e lugar único no mundo” (pp.90-91).

 [4]. “Como tantas vezes acontece na vida, o outro é humilhado e pisado, para o Eu se sentir bem sentado no trono de sua própria importância imaginária. O complexo farisaico e a pecadomania não combinam com o caráter do serviço da reconciliação” (p.58).

 [5]. “Roupa suja não se analisa, joga-se no tanque para ser lavada” (p.71).

 [6]. “(…) a sabedoria popular diz que uma gota de bondade ajuda mais do que um barril de vinagre. Não custa muito ofender o outro; custa suportar o outro. Humildade com humildade se ensina” (p.73).

 [7]. “O mistério do amor e da misericórdia de Deus não combina com um Deus-espantalho, um Deus-olho-perseguidor, um Deus-perito-contador-cruel” (p.112).

 [8]. “Na Igreja, o Espírito Santo cria um clima anti pecado, anti escravidão, anti degeneração, anti dureza, criando uma atmosfera de amor, alegria, paz, paciência, delicadeza, bondade, confiança, mansidão e modéstia entre irmãos (Gl 5,22)” (p.90).

 Sempre que somos convidados ou sentimos esta exigência espiritual de «confessar» fazemos um exercício interior com a garantia exterior de gratificação. Sem superioridade moral para ninguém. Apresentou-se uma proposta de meditação, transcrita da obra de Frei Bernardino Leers[1], manancial de sabedoria prática. Eis uma proposta válida para que a Vida Pascal possa renascer em cada um de nós.

 

Pedro José, CDJP, 04-03-2013, caracteres (incl. esp), 2765

 

 

[1] LEERS, FREI BERNARDINO, O MINISTÉRIO DA RECONCILIAÇÃO, EDITORA VOZES, PETRÓPOLIS, 2008, pp.238.
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