a força da circunstância – Reflexões: Ano C – III Dom Quaresma – Êxodo e Lucas.

a força da circunstância

 

Reflexões: Ano C – III Dom Quaresma – Êxodo e Lucas

«O olho meigo de Deus a dardejar ternuras»

Vinicius de Moraes

 

 

Disposição 1. – «(…) olhou para a sarça, que estava arder, e viu que a sarça não se consumia».

 Este relato do êxodo é uma metáfora completa da nossa vida.

Um Deus que se aproxima (chama por nós… diz o nosso nome e diz o Seu nome…) e pede uma simples “descontaminação” (tira as sandálias). A única realidade que arde sem se consumir é um Deus que ama, é o Amor de Deus, que está sempre a arder e nunca se consome. Como precisamos de ter esta “fome” de estar com Deus. Precisamos de “conversar” com Deus. Deus “aproveita-se”, sobretudo do que é simples, singular e vivido-com-querer. Orações…, acontecimentos…, relações significativas…, compromissos que levam a fazer, tudo é motivo de conversa, desde o tempo frio, à tragédia da noite escura existencial, até ao concentrado de um coração em “sarça ardente”. Haja vontade de ouvir e ver.

 Disposição 2. – «(…) mandar derramar o sangue de certos galileus… a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? (…) procurou frutos na figueira e não os encontrou… deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo…».

 Este evangelho vem corrigir um preconceito grave: o-Deus-fatura!?

Meditá-lo recordando o que sucedeu com a queda da Ponte Entre-os-Rios – e suas “circunstâncias”: pessoais, sociais e de estado. O sofrimento indizível da população de Castelo de Paiva, era “o” nosso: contextualiza as nossas (i)responsabilidades que morrem, demasiadas vezes, solteiras ou não!? Modificamos a nossa visão de Deus. Deus não cobra; não envia faturas desumanas!? Tantas tragédias e acidentes que assistimos, diretamente na pele, ou pela TV de modo amoral: não é Deus quem os “faz”, mas a nossa irresponsabilidade e ingerência. O Amor é pura gratuidade. Por isso a referência à “figueira da Esperança” é fundamental. Hoje mais do que nunca. A força da circunstância – está fora na Rua e dentro no Quarto – na dor cruel e injustificada, dor sem causa nem fim, não é o desligar-de-Deus; reside em nós uma reserva capaz de “religar” outra vez, e sempre que necessário se faça. O tempo tudo (pode) transforma(r).

Por: Pedro José, Gafanha da Nazaré/Encarnação, 02-03-2013.

Caracteres (esp.incl. com notas): 2073.

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