«Num tempo difícil, levantar o olhar e ver sinais de esperança»

Num tempo difícil, levantar o olhar e ver sinais de esperança

      Ao designar 2013 «Ano Europeu dos Cidadãos», a Comissão Europeia está a cumprir a promessa feita no Relatório sobre a cidadania da UE e a dar resposta ao apelo do Parlamento Europeu para ser tomada esta iniciativa.
       O objetivo do Ano Europeu dos Cidadãos consiste em facilitar aos cidadãos da União o exercício do seu direito de circular e residir livremente no território da UE, assegurando um fácil acesso às informações sobre os seus direitos. (CE, 2012)[i]
     A Comissão Justiça e Paz, da Diocese de Aveiro, pretendendo, nestes tempos de dificuldade, dar sinais à esperança releva práticas de quem com pouco muito faz, dá a conhecer as denegações da justiça e as violações dos direitos do homem que se verifiquem em situações concretas, recolhendo elementos objetivos completos sobre tais situações, formular juízos acerca delas e afirmar a sua solidariedade cristã para com as vítimas, quando a gravidade dos casos o justifique, faz o anúncio das atitudes e dos fatos mais significativos que promovam os valores da justiça, da paz e dos direitos do homem.
         A última reunião da CDJO foi uma reunião-visita a instituições que fazem trabalho no concelho de Ílhavo, revelador do envolvimento de organismos da Igreja (ou próximos) com as comunidades e das crescentes dificuldades sociais. Sem ficar na confinados à reflexão tem a vantagem de nos desinstalar, de nos permitir ganhar contacto com outras realidades e experiencias e, ainda que numa dimensão muito modesta, prestar tributo a quem faz do seu exemplo a atualização do pensamento social da Igreja.
        Ir ao encontro de três instituições do concelho de Ílhavo (Obra da Criança, Lar do Divino Salvador, Grupo de Jovens “A Tulha”) e conhecer a sua ação social foi o principal objetivo. Num tempo de crise de identidade, solinhamos a urgência de ‘in loco’, tomar contacto com as entidades que promovem junto das populações locais, conforme o seu carisma, os valores da solidariedade, da fraternidade, da caridade e da reabilitação/promoção do outro e cultura local.
           É tocante constatar a prática da Caridade, que se baseia no Amor ao Próximo, como acontece no Lar Divino Salvador. É admirável o facto das necessidades e dificuldades serem entendidas como uma oportunidade para crescer e melhorar (CDSI, 57).
         Ver na primeira pessoa, o carisma fundador das respetivas instituições, que desde a criança/adolescente, em risco por diversas razões; passando pela mãe adolescente, ou à mulher, de reconhecido “estatuto” ou não, enquanto vítima de “violência doméstica”; até aos jovens que se assumem como protagonistas das tradições e da cultura na comunidade local. Um verdadeiro intercâmbio de dons entre Gerações. Nesta ação as «Idades da Vida» surgem, e impõem-se, como o antídoto para um mundo aparentemente sem conserto, desgovernado e desencantado, pela «Lei-da-força-do-mais-forte». Outra face do «Dia da Visita» da Missão Jubilar (e este será um dos segredos da MJ, nos seus dias “11”, estarão sempre presentes como possibilidade de realização contínua: antes, hoje é o dia, e sempre!).
          Desta reunião-contacto direto com a realidade, emergem:
        1. Um projeto acredita que mais do que monitores e técnicos, e eles são necessários cada vez mais na sua competente profissionalização, nós precisamos de um «Lar» e da figura imprescindível do «Pai/Mãe», sempre quando caímos, para que haja crescimento em autonomia responsável: a recriação permanente d’Obra da Criança! No apadrinhamento empresarial corresponsável e da sociedade civil ativa – que primeiro «até» rejeitava permissivamente na base do preconceito «má consciência» -, agora defende a gestação da Vida, de modo precoce, ou promove a Mulher contra a violência desumana e cruel, de que ainda é vítima bem perto de nós: a renovação sinergética do Lar do Divino Salvador! Uma esperança maior renasce quando os jovens, são levados e se levam a si próprios, com seriedade, através de experiências incubadoras em criatividade e liderança, ao serviço da cultura na comunidade local, de modo intergeracional: o carisma – autêntico «case study» – da Associação Juvenil «A Tulha»!
         2. Importância da ação social Igreja. Os organismos ligados à Igreja Católica prestam um inestimável contributo para minorar as dificuldades dos cidadãos e, não raras vezes, preenchem uma lacuna que o Estado não consegue resolver. A relação financeira entre Estado e IPSS é um campo em permanente tensão. Os organismos e instituições católicos da área social prestigiam a Igreja aos olhos da sociedade porque, cumprindo a sua obrigação, são a prova de que a fé não fica entre as paredes de um qualquer templo. Por outro lado, também ficou claro que instituições promovidas e geridas por católicos, ainda que sem qualquer vínculo jurídico ou legal, podem ser forma importante de reforço da coesão social e de relação quase natural entre o profano e o sagrado.
       3. Apontar ao profissionalismo. Sem menosprezo pelo voluntariado, o voluntarismo não se compagina com a necessidade das instituições se organizarem para servir melhor. Trabalhar com vontade e dedicação não dispensa uma estrutura que permita tirar o maior proveito dos recursos. Para além desta constatação das regras básicas de gestão, a relação com as entidades públicas, e desde logo o Ministério da Segurança Social, obriga a que as instituições adquiram certo grau de profissionalismo. Em prol da transparência e da eficiência.
         4. Coesão social, uma urgência. Cada tempo tem as suas dificuldades mas a atual conjuntura traduz-se por um agravamento das condições económicas e por uma pressão social muito significativa (insolvências familiares, corte nas pensões, desemprego, co-habitação de casais separados, abandono escolar, etc). Este é um tempo em que as instituições são chamadas a aumentar a sua atenção aos problemas, independentemente das dificuldades próprias. A Igreja tem uma função importante na denúncia dos efeitos da crise e ganha tanto mais crédito quanto for capaz de se assumir como solidária e acolhedora. Numa palavra: cristã.
       A concluir, Uma árvore só cresce direito quando se descobre necessitada duma estaca auxiliar. Não é menos livre por isso. Organização e disciplina. Em todas as instituições, o Carisma está em permanente abertura ao tempo presente, pela fidelidade à «otimização dos recursos humanos e materiais». Nesta «visita» incondicional atualizamos a partilha no Bem Comum. Quem se divide cresce.
          O bem-estar e realização pessoal fazem parte do “eu” pessoal, embora diferente dos outros “eu” têm em comum atingir a felicidade. Há momentos gratuitos (entrega incondicional) que nos enriquecem de tal forma que até pensamos que somos importantes.
      Nós somos espectadores do mundo e/ou produtores de atos de justiça, ou de omissões injustas. Temos de escolher. A condição do espectador/produtor (e do crente) é o movimento contínuo da «visita» que procura o «lugar» ideal para si e para os demais. Todo o «lugar» é a sua casa; a nossa «casa» acolhe todo o Hóspede em curso. Os testemunhos de Deus somos nós. Nós somos os continuadores do Carisma dos múltiplos fundadores. A Justiça maior do mundo é feita da nossa medida justa em cada dia. Que a visita do nosso próximo nos conduza á Casa Comum!
Aveiro, 15 de fevereiro de 2013.

CDSI (Compêndio Doutrina Social da Igreja
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