O teste das tentações Reflexões: Ano C – I Dom Quaresma – Lc 4, 1-13

O teste das tentações

Reflexões: Ano C – I Dom Quaresma – Lc 4, 1-13

«Calo-me, espero, decifro. / As coisas talvez melhorem. / São tão fortes as coisas!»

Carlos Drummond de Andrade

  

Disposição 1. – «A tentação é uma realidade que atravessa a vida como um todo, não apenas um momento».

Funcionamos como? Em ordem ao todo ou presos ao momento? Somos seres divididos. Quanto mais divisão “interior” maior o risco perante a tentação “exterior”. Tudo passa pelo autoconhecimento e o discernimento, que se sabe, humano e cristão.

Disposição 2. – «As três tentações querem fazer com que Jesus use um poder seu em benefício próprio. Cada tentação é uma parábola a decifrar: – Decifra-me e eu te consumirei!?».

Onde está o âmago da tentação? Jogo de espelhos. Abismo de luz. Aquário de libertinagem. Ilhas de vício. Tudo «Dor»: sem compreensão na primeira pessoa. No fundo radical, somos a inversão da «ordem» e do «plano» de Deus, como nosso(a) «Pai/Mãe». Pai/Mãe Ausente!?

 “Lição única para as nossas tentações. Também elas querem

a glória do pódio sem passar pelo treinamento,

o galardão da vitória sem fazer a corrida,

o prazer sem o dom,

o resultado sem o trabalho esforçado,

a virtude sem a repetição dos atos,

a festa sem sua preparação,

as férias sem o ano de trabalho e de estudo,

a novidade sem a rotina do cotidiano” (JB Libânio).

 É a grande a «moda» da tentação, da pós-modernidade juvenil. Qual novo super-herói a descer esplendorosamente do pináculo do Templo, sobrevoando intocado pelas praças da história ordinária, do dia-a-dia, do descompromisso! A grande tentação de Jesus, hoje, estilo mediático, seria, por impressão: – Concedo-te dois minutos diários de tempo televisivo!?

 Disposição 2.1. – «Lucas imaginou/intuiu/formulou «três» tentações: pão, poder e glória – as ligações que «amarram» o ser. O relacionamento com as coisas, com as pessoas e com Deus, traindo o Criador naquilo que mais nos quer.

  • “(…) manda a esta pedra que se transforme em pão” – Jesus multiplicou pães para uma multidão, mas se fosse apenas para si, seria tentação. Multiplicar pães para a multidão é Graça. Eis a diferença de tudo que «coisifica» o nosso relacionamento.
  • “(…) eu te darei… estes reinos… tudo será teu” – Jesus diante de uma tentação maravilhosa! A força do «ter» e do «poder»: o prestígio…, a conta bancária e o cartão de crédito…, a derrapagem dos afetos. Contenção eis a diferença, os outros ficam «opacos» pela perda de Liberdade. Ao Poder total corresponderá a ausência da Liberdade: o ar que a alma respira está poluído!
  • “(…) atira-Te daqui abaixo” – a tentação mais fantástica, tipicamente pós-moderna. Tentação da aparência. O rei vai/está NU… e mais palmas “ele” pede!? Disse-me o amigo: «tempo é fumo!?».
  • Vivemos num mundo da aparência: sem Deus e não da experiência com Deus. – Deus nunca atrapalha, nós sim somos palha! Eis a diferença, quando está ocultado na nossa matriz a filiação divina. Ser um rosto sem significação… Ainda há tempo! «Ele só quis que tudo o que era e tudo o que tinha fosse para nós». – outro modo de dizer a mesma verdade: o ser humano só pode ser feliz, quando é capaz de sair de si e abrir-se para o Outro.

 

 

Por: Pedro José, Gafanha da Nazaré/Encarnação, 17-02-2013.

Caracteres (esp.incl. com notas): 2962

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