Textos de reflexão: o caminho que falta fazer…

COMENTÁRIO PRÉVIO: Textos em que “assisti” à reflexão, entre padres (e leigos), do caminho que falta fazer… não começamos nada do “zero”, sem saudades do passado, nem com medo do futuro, contudo, sinto que devemos ir mais longe, como nos diz a frase de “interpretação” (hermenêutica) e de “cura” (terapia), para esta Igreja, em tempos de crise – não tão de identidade mas de “gestão”-, que a sentença: “Nem tudo o que enfrentamos pode ser mudado. Mas nada pode ser mudado enquanto não for enfrentado” (James Baldwin): faz o ponto de vista, o ponto de situação e de alavanca!  No cristianismo há sempre um caminho a fazer… Pedro José, 02-02-2013.

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 Síntese dos trabalhos das Jornadas de Formação do Clero

Pe João Alves | 31_01_2013

1. Realizámos mais umas Jornadas de Formação do Clero da Diocese de Aveiro. Este ano, em contexto de Missão Jubilar Diocesana, o sr. Bispo pediu à Comissão organizadora o desenvolvimento de três realidades pastorais que urgem a reflexão conjunta diocesana: a reforma da Cúria diocesana, a reestruturação paroquial e distribuição do clero e a pastoral da iniciação cristã. Estas jornadas desenvolveram-se assim de forma diferente, usando uma metodologia que privilegiasse mais o trabalho em grupo, a livre intervenção, ouvindo assim os padres e diáconos nas suas preocupações sobre os temas, apresentados por conferencistas que nos ajudassem a aprofundar e clarificar algumas realidades e intuições.

2. Não tivemos a pretensão em tirar conclusões destes trabalhos, deixando espaço em aberto para que outras instâncias diocesanas de aconselhamento possam intervir nas problemáticas apresentadas, e que as instâncias pastorais competentes possam aproveitar a reflexão do clero da diocese. Temos consciência que levantámos o véu a uma reflexão que não está e nunca estará fechada por evoluir ao ritmo da própria Igreja.

3. Começámos por escutar o sr. Patriarca de Lisboa que procurou centrar a sua intervenção na concepção de Igreja Diocesana e nos desafios que esta deve sentir a partir da nova evangelização. Desafiou à vivência da Igreja enquanto comunidade que cria caminhos de comunhão e nunca solitários e individualistas: a Igreja não pode ser uma procura de soluções individuais, mas um “nós” que deve testemunhar o entusiasmo dos primeiros tempos, suscitando assim um novo ardor na vida das pessoas, das comunidades e das estruturas e serviços que as constituem. Reforçou dois pilares fundamentais na vida da Igreja e que são o garante da eficácia de uma nova evangelização: a Igreja que se constitui e vive da Palavra de Deus e da Eucaristia. Deixou o desafio a viver a nova evangelização no testemunho vivo destas duas realidades, ultrapassando-se desta forma o perigo de uma mera técnica na pastoral. Ficou ainda a sensação que temos mais facilidade em falar da nova evangelização, que acolher a sua novidade em caminhos audazes que possam levar a esse novo ardor, que falta ainda dar conteúdos a uma gramática nova que interpela as nossas comunidades e as nossas estruturas.

4. O primeiro bloco temático que nos propusemos reflectir foi sobre a Cúria Diocesana, na sua organização, coordenação e relação com as realidades territoriais. Desafiados a reflectir sobre que organização queremos, chegaram-se a algumas propostas rumo ao futuro:

 É necessário emagrecer as estruturas diocesanas, tornando a sua organização mais simples, funcional e autêntica. De algumas propostas feitas que partiam do Código do Direito Canónio, olhando para a Cúria na sua dimensão pastoral, administrativa e jurídica, repetiram-se as propostas que faziam olhar para a distribuição pastoral da diocese a partir da missão profética, litúrgica e sócio-caritativa.

Dinamizar a realidade dos arciprestados à luz da recomendação do Sínodo diocesano, como unidade de acção pastoral coordenada a nível territorial.

Potenciar o Gabinete de Imagem e Comunicação da diocese para que a comunicação seja verdadeiramente importante nos tempos que correm.

Necessidade de competência e liderança nos serviços diocesanos.

Nesta reflexão alertou-se ainda para o facto que há realidade carismáticas que serão sempre difíceis de as contextualizar, tendo-se por isso uma atenção cuidada com a realidade dos movimentos eclesiais, a sua natureza e a sua missão. Advertiu-se ainda para a relação que qualquer organograma diocesano terá que ter com as realidades arciprestais e paroquiais, existindo também em função destas.

Sabendo-se da dificuldade em encontrar uma proposta capaz e de definição estratégica, propôs-se que seja encontrada uma equipa que possa estudar e propor um organograma.

5. O segundo tema levou-nos a olhar para a reestruturação paroquial e distribuição do clero. Sentiu-se que a missão jubilar traz consigo caminhos de renovação, se assim soubermos aproveitar, entre outras realidades, o dinamismo dos leigos envolvidos, a valorização das equipas arciprestais de pastoral e dos conselhos paroquiais nas novidade das suas propostas, as iniciativas que interpelam a uma nova atitude de evangelização, um melhor conhecimento do que temos e somos.

Sentiu-se ainda que há muito para fazer para que o arciprestado viva como uma pastoral de conjunto, ainda que sejam positivos alguns caminhos de amizade e unidade entre os sacerdotes. Sentiu-se que na Equipa arciprestal de pastoral poderia estar uma riqueza futura para o próprio arciprestado, mas que esta só é real se os padres de abrirem à colaboração laical e a eles próprios criarem uma atitude de pastoral de conjunto, quer se viva em unidades pastorais ou não. Sentiu-se ainda que é necessário dar-se mais tempo e espaço ao tratamento dos assuntos arciprestais se de facto queremos que o arciprestado seja motor da pastoral.

Na reflexão que nos levou a pensar as unidades pastorais, todos os arciprestados concordaram com essa possibilidade, ainda que estes devam nascer da pastoral organizada e pensada do próprio arciprestado, que integrem equipas mandatadas com padres, diáconos, leigos e religiosos quando oportuno. Alertou-se que cada unidade poderá ter a sua especificidade, a ser pensada de acordo com a exigência de determinada acção pastoral que se queira, ainda que sejam importantes critérios objectivos para a sua criação, constituição e funcionamento. Alertou-se ainda que esta pastoral de conjunto que pode passar também por unidades pastorais deve privilegiar a proximidade dos pastores e a articulação e complementaridade de serviços.

6. O terceiro e último tema das jornadas de formação colocou o clero a pensar a pastoral dos sacramentos da iniciação cristã. Apesar da impossibilidade de um a reflexão em grupo, as partilhas dos proponentes e das intervenções livres levaram-nos a intuir algumas inquietações:

O catecumenado é hoje uma realidade fundamental, sobretudo numa dioecse que vive em atitude missionária e que se abre a campos de nova evangelização. É importante estruturar propostas de itinerários catecumenais, sejam eles com adultos que pedem formação cristã, ou com crianças que se preparam para os sacramentos de iniciação.

 Existe neste tema uma falta de caminhos de unidade na Igreja em Portugal. Existem diferentes perspectivas quanto ao modelo de iniciação cristã. Faltam-nos propostas de despertar da fé até à idade de catequese, assim como identificamos uma catequese longa que não conduz a opções de vida conformes coma a fé professada.

Na vida da nossa diocese sentiu-se que há uma proposta ainda a fazer-se quanto à pastoral do baptismo, com orientações que nos unifiquem, ainda que não necessariamente nos uniformizem. Devemos procurar caminho com outras dioceses, mas a realidade de situações irregulares que vamos encontrando e que resultam muitas vezes em formas pessoais de entendimento ou em interpretações livres de orientações anteriores obrigam-nos a uma orientação mais actualizada na sua abordagem pastoral. Referiu-se ainda que a atitude de acolhimento deve ser cada vez mais perceptível, e dela resultem propostas de acompanhamento exigentes e frutuosas.

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Padres de Aveiro pedem orientações comuns para iniciação cristã

Recuperar o catecumenato a partir do que foi pedido no Concílio Vaticano II como caminho de iniciação na fé é uma urgência na Igreja Portuguesa. A afirmação é do Pe. Paulo Malícia, do Patriarcado de Lisboa, e aconteceu nas Jornadas de Formação Permanente do Clero de Aveiro, em Albegaria-a-Velha, que no terceiro dia reflectiu sobre os sacramentos da iniciação cristã. O sacerdote que é director do Departamento da Catequese do Patriarcado também lamentou a “falta de unidade nacional ao nível da iniciação cristã”, facto que leva os padres de Aveiro a desejarem que os bispos portugueses, em conjunto e na medida do possível, definam critérios de unidade em relação à pastoral sacramental da Igreja.

O sacerdote lisboeta abriu a manhã do terceiro dia de formação apresentando a visão teológico-pastoral sobre os sacramentos de iniciação cristã e convidando a uma reflexão mais profunda do caminho a propor em relação ao despertar religioso. “Passamos muito tempo a discutir a data do crisma. Se queremos propor um caminho de iniciação cristã precisamos de nos reger pelo Magistério da Igreja”, afirmou, especificando aquilo que o Vaticano II indica quanto ao catecumenato. O Pe. Paulo Malícia elencou, depois, as características da pedagogia e da dinâmica catecumenal. E afirmou: “Os sacramentos são alicerces, pontos estruturantes, meios da graça, pelos quais a iniciação cristã acontece e nunca pontos de chegada ou diplomas de assiduidade e bom comportamento na catequese”.

O responsável pelo sector da Catequese do Patriarcado referiu-se às diferentes práticas quanto ao processo da iniciação cristã no território português e mesmo no seio da sua Diocese, lamentando a falta de unidade nos critérios e nas propostas. Apresentou, também, algumas práticas correntes no Patriarcado no que respeita à caminhada de iniciação cristã das crianças em tempo de catequese e que assentam mais na tradição oriental em que baptismo e crisma se celebram em conjunto. Fruto do seu estudo, defendeu que, em relação à iniciação cristã das crianças, é necessário uma pastoral pré-baptismal e um acompanhamento pós-baptismal, que vá mais além da mera apresentação do ritual de baptismo aos pais e padrinhos. Além disso, e a partir da Exortação Apostólica “O Sacramento da Caridade”, de Bento XVI, asseverou que no caminho de iniciação cristã é sempre importante atender à centralidade da eucaristia. “A vivência da eucaristia é a plenitude da iniciação cristã”, disse.

Já a terminar, e depois de mostrar que durante séculos a Igreja não precisou de fazer o primeiro anúncio, defendeu que a prática da caridade, através da proximidade e do acolhimento das pessoas, e a espiritualidade dos cristãos, concretamente a oração, serão, nos tempos que correm, belas formas de fazer o primeiro anúncio.

Durante a tarde, o Clero de Aveiro realizou uma mesa redonda procurando algumas respostas pastorais. A catequese familiar, a realidade dos padrinhos de baptismo e a integração dos grupos do crisma na vida comunitária foram os três âmbitos abordados.

O Bispo de Aveiro encerra as Jornadas de Formação do Clero de Aveiro esta quinta-feira depois da apresentação da síntese dos trabalhos.

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