O Dia do Grito: pela urgência do esforço

O Dia do Grito: pela urgência do esforço

“Queremos que este «grito pela paz» se faça presença solidária a levar paz a tantos corações doridos para que, pela bênção de Deus, a paz se transforme em pão, em trabalho e em esperança” – D. António Francisco.

 1. Recuso «o» pensar sobre – porque já «o» foi antes oração de graças –, apenas em termos de números, encantamentos de reais multidões, pastoral de massas versus minorias, na eficácia da motivação/realização, do “feicebuque” e seus “likes”, das fotos em que tudo fica bem, sem o (des)necessário escândalo evangélico, e tudo o que possamos agrupar, enquanto “lugares comuns” ou “anormais”…, etc. E desde já declaramos que iremos incorrer em tudo o que agora denegamos por princípios. Há sempre um «treinador de bancada» pronto para assumir as despesas do fracasso?! Deus nunca está no êxito!? Deus começa Êxodo e termina Páscoa.

 

2. O que vivi no dia do «Grito pela Paz». Guardo na consciência, no coração e nos pés. Lembro-me do testemunho de Taizé…, onde nunca fui e onde tenho a certeza de que a Paz é uma construção tolerante, e nós somos, quase sempre, intolerantes a partir da incompreensão das vítimas. Lembro-me do grito de indignado que “assisti” diante de presos afáveis e conversadores, atrás de grades imundas… Lembro-me que nunca vi ao vivo, como milhões de pessoas, o visionamento da obra-prima de Edvard Munch “O grito”. Lembro-me do clamor bíblico, nas comunidades esquecidas pela história da TV… Lembro-me que estive no Largo 31 de Agosto, vela acesa e sem tremer, repartindo luz, no dia 11 de janeiro de 2013!

 

3. Sei que precisamos de experiências de fé, que envolvam, façam pensar e crescer em conjunto, pequenas experiências que nos façam acordar da indiferença, nos tirem do anonimato descrente. Sei que estava unido a toda a Diocese em pequenas multidões em plena Rua, no meio do teatro do mundo, pela Cidadania que se quer comprometida. Sei que já tentei fazer ressonâncias homiléticas e fui malsucedido, mas pelo menos na aparência, compreendido durante a “missa com crianças”, que recordavam a lição toda!

 

4. Queria – «o querer era já praticar» (Santo Agostinho, cfr. Livro Oitavo, Cap. 8, p.233) que a Missão Jubilar, no seu exaustivo programa dos “Dias 11”, não seja o saborear da “espuma dos dias”. A pastoral inconsequente, de expressão fácil e ligeira, essa matriz não está nos seus objetivos pragmáticos. Quem não quer ver, não vê. Pragmatismo pastoral porque não. Sei e quero que «Dia do Grito pela Paz», não se apague da consciência cívica. Do silêncio incontido e da Dança repartida, que se faça mais Sinal e mais Palavra. Da palavra manifesto, queremos a Acção. Da acção o compromisso do Dom. Lançar sementes que fecundem, que não morram na praia do nosso comodismo…

 

5. Sólida a Paciência de Deus. Perigosa a indiferença dos Justos. Peçamos a potência da vida, a pujança do berro contra a complacência instalada no presente, contra a inércia e o bom comportamento dos descomprometidos. Um dos efeitos da proximidade de Deus é a comunhão criteriosa de Ideais. Sentir em algum momento a libertação do jugo dos trabalhos e das noites. Oferecer-se com as palavras de Charles Péguy… «Mas se, por acaso, alguma vez precisares / de um preguiçoso / e de um medíocre, de um ou outro ignorante, / de um orgulhoso, / de um cobarde, de um ingrato e de um impuro, / de um homem cujo coração esteve fechado / e cujo rosto foi duro… / aqui estou eu. / Quando te faltarem os outros, a mim sempre me terás».

 

6. No fundo, reconhecer(-me), inadvertidamente ou não, que posso correr o risco de ser convertido pelo grito «surdo» de Jesus: «Esta geração pede um sinal, mas não lhe será dado outro sinal a não ser o do profeta Jonas» (Mt 12,39). O Grito fez mais pelo bem do que pelo fascínio; mais pela seriedade que se educa do que pela ligeireza que seduz e nos esgota; mais pela «boa nova» do que pelas «modas novas».

 

7. Parabéns, particularmente, a todas as paróquias de Ílhavo, a todos os que se esforçam, por dentro da Diocese e por fora dela, pela urgência da mudança e «a» vão fazendo acontecer… a fidelidade à ética dos mínimos, à vocação de grão de trigo. Voltava a participar!? – Melhorando, claro que sim! Até porque «não há caminho para a Paz, a Paz é o caminho».

 

Pedro José, Paróquias do Arciprestado de Ílhavo, 11-01-2013,

caracteres (incl. esp), 3985.

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