Que força nos coloca a caminho? – Reflexões: Ano C – Epifania do Senhor, Mt 2, 1-12

Que força nos coloca a caminho?

Reflexões: Ano C – Epifania do Senhor, Mt 2, 1-12

“Desaparecem as horas, fogem os dias, correm as semanas, passam os meses, mudam os anos… mas, serena e altaneira, avança a vida rompendo por entre celebrações do “novo” que vão acontecendo. Todo o tempo é novo. Não é só o ano que começa. Também o dia, a semana e o mês… são novos quando começam. Nunca foram experimentados. Mas nós damos importância ao “ano” quando começa. É que ele é uma síntese de toda a novidade vivida ao longo de horas, dias, semanas e meses”. – Pe. Manuel Neves in Vida Nova.

Continuamos a celebrar o nascimento do Filho de Deus na cidadezinha de Belém.

Não é por acaso que Jesus não nasce em Jerusalém, centro de poder político e religioso, senão na periferia, num lugar pobre[1], cujo único orgulho possível era ser a terra natal de Davi, algo que se perdia no tempo.

Dela o profeta Miquéias já falava: “Mas você Belém de Éfrata, tão pequena entre as principais cidades de Judá. É de você que sairá para mim aquele que há de ser o chefe de Israel” (5,1-2).

Por que o Deus escondido, que se quis dar a conhecer em Jesus, o faz de forma tão humilde, tão despercebida, tão humana?

Talvez seja para que o procuremos, para que saiamos ao seu encontro…Ele não impõe a sua Presença, só se apresenta de diferentes maneiras, a mais humilde, plena e terna é em seu Filho Jesus.

A sede de eternidade, essa busca, está refletida nos «Magos» muitas vezes sem saber, de Deus, é a estrela que “cada-um-de-nós-carrega-por-dentro”. É a presença do Espírito que nos movimenta, que nos põe a caminho voltados para Deus, como a aqueles magos de Oriente que hoje Mateus cita no seu evangelho. O importante não é saber se eles existiram o não, e sim descobrir a riqueza de mensagens que este episódio quer transmitir.

Os magos são fieis ao caminho que sinaliza a estrela e descem de Jerusalém a Belém. Finalmente a estrela parou e eles, são envolvidos no mistério de Deus que se faz presente numa criança: “viram o menino com Maria, sua mãe”. Reconhecem nele o Messias esperado de todos os tempos, o Salvador de toda a humanidade, ao vê-Lo, ajoelharam-se, adoram-No!

Depois, não voltam para Jerusalém, senão que partem para suas terras para comunicar que tinham visto, encontrado o Salvador. O encontro com Jesus leva-nos a partir para uma nova vida, no lugar onde cada um/a vive, trabalha, estuda, luta e sobrevive…aí devemos ser mensageiros/comunicadores da ternura e da justiça de Deus que se faz presente na fragilidade de uma criança!

[ Oração de Edith Stein (1891-1942) ]

 

“Quem és tu, luz que me inundas e iluminas a noite do meu coração?

Tu me guias como a mão de uma mãe, mas se me deixas eu não seria capaz de dar um só passo sozinha.

Tu és o espaço que circunda o meu ser e o protege. Se me abandonas,

caio no abismo de nada, de onde me chamaste a ser.

Tu, mais próximo a mim do que eu mesma, mais íntimo a mim do que a alma minha,

– e no entanto é intangível e de todo nome quebras as cadeias: Espírito Santo – Eterno Amor”.

 

 

 

[ Poema de Daniel Faria (1971-1999) ]

Porque a morte tem o seu tempo

A ruína soma ruína, à cabeça

Equilibra a existência desmoronada e inteira.

Tu és o que edifica

Tu constróis mil vezes.

Porque o raio tem o seu tempo.

És o clarão, a lâmpada, a estrela

Somas luz à luz.

Não és a luz, és mais que a luz

Porque a noite tem o seu tempo.

FONTES: Obs. Resumimos com pequenas alterações – Cfr. www.ihu.unisinos.br/espiritualidade/comentario-evangelho/500078-domingo-de-epifania-evangelho-de-mateus-21-11 , acesso: 05-01-2013. Daniel Faria, Poesia, Assírio & Alvim, Porto, 2012, p.186. Por: Pedro José, Gafanha da Nazaré/Encarnação, 05-01-2013. Caracteres (esp.incl. com notas): 3523.

 

 


[1] Os versos de Hölderlin: “Dificilmente abandona / o seu lugar aquele que mora perto da origem.” E o comentário de Heidegger a estes versos: “De modo inverso, quem facilmente abandona o lugar comprova que não tem origem e se limita a estar presente como que por acaso.” cfr. M.TAVARES, Gonçalo, “Sobre os tempos”, in Público, 3-1-2013, p. 8.

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