É Natal! Faz da Palavra a tua palavra.

É Natal! Faz da Palavra a tua palavra.

“Nesta Palavra ouvimos a Sua voz e das nossas ruas e praças

fazemos lugares novos e belos, que Deus escolhe para nos falar”.

D. António Francisco.

      Quando a fala não nos pertence, somos “falados”, como se alguém falasse em nós. A fala, isto é, a palavra com “P”, deve ser a nossa fala inspiradora e não uma fala qualquer que pertence aos outros indiferenciados: “fala falante” e não “fala falada”. Não é filosofia barata ou descartável, é a verdade profunda, a nascente que corre debaixo da terra, que jorra do presépio, lugar das palavras nobres e simples, no dia em que nos dispomos a ouvir com verdade a PALAVRA: que somos!

      Nós não dizemos apenas palavras. Somos criados pela Palavra. Somos o reflexo, a expressão da Palavra. O Nome é a palavra nobre. É grave a falta de consciência de que há frases e palavras que não falam mais…, que não pertencem à boca daqueles que as pronunciam. Palavras que nós dizemos sobre a “vida alheia”; uma vida de exterioridades. Essas palavras que matam a honra e o “bom nome”; são as murmurações com veneno, fazem um anonimato cruel. As palavras não são neutras, as palavras não nos escondem da Mentira, podem quanto muito adiar. Silenciadas elas gritam na Dor ou no Amor!

        Somos na palavra da Escritura, na palavra da Bíblia – qual biblioteca infindável dos Afetos, Medos e Desejos…diante do Ambão, na mesa-de-cabeceira, no colo…, na faixa de Rua…, no SMS do telemóvel…, no cisco do olho já aberto, na folha de rascunho já amassada, na voz ressequida dos mais velhos silenciados…-, nessa Palavra-de-Deus, que-se-comunica-Deus-em-nós, somos recriados, isto é, limpos. É como a roupa depois de lavada, quando é estendida e dependurada ao sol da manhã, ao vento frio. As nossas palavras acorrentadas em estruturas injustas, onde não têm mais força para dizer a Vida… são renovadas no Espírito dessa Palavra-Sempre-Nova.

      Só a Tradição abre a porta do futuro. Só a Tradição viva – do verdadeiro Natal Tradicional, não o comercial sem profecia… – não a pura repetição, mas a procura de Fidelidade à Justiça, que organiza o espaço da nossa memória solidária, a fim de alojar dentro do coração as ações boas e livres. É a partir desta reserva que a Palavra de Deus nos dá, em cada nascimento do menino Jesus, – “o Emanuel”, o-paradoxal-condomínio-aberto-de-Deus -, que todos nós poderemos exercer novamente o “poder/serviço” de fazer novas todas as palavras mal-amadas e gastas pelo tempo provisório.

     A partir do «Dia da Palavra», feita carne verbalizada na História de cada natal em proximidade, queremos afirmar a «Tradição do Novo». O mundo das palavras vagas e dispersas é posto em Sentido! No Natal das palavras sadias, não há ídolos! Nas palavras da Escritura, o que está para vir não perde o lugar…, pois tudo já tem o seu lugar Nele! Que chega sem nada, disposto a ser tudo no Rosto do Bem!

 

 Pedro José, CDJP, 12-11-2012, caracteres (incl. esp), 2674

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Espiritualidade com as etiquetas , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s