«Os Lusíadas para Gente Nova» por Vasco Graça Moura

Os Lusíadas para Gente Nova

Vasco Graça Moura

Páginas: 150

Editor: Gradiva Publicações, 2012

ISBN: 9789896164768

10,00€

Camões acessível para todos!

       Sem Gramática não existe Língua. Sem Língua não há expressão inculturada da Fé. Em tempos de «desacordo ortográfico» (Cfr. com a posição devidamente fundamenta de VALADA, Francisco Miguel, Demanda, Deriva, Desastre – Os três dês do Acordo Ortográfico, Textiverso, 2009) é necessário voltar aos “clássicos”, entre todos eles, Camões será o primeiro a reler.

       Por esta ordem de razões, distinguimos aqui a ousadia de Vasco Graça Moura – poeta, tradutor, autor e erudito, em sentido pleno –, que o levou a empreender uma tarefa de inegável valor pedagógico, no âmbito da divulgação d’ «Os Lusíadas», isto segundo o próprio, perante a “confrangedora desvalorização dos clássicos” (p.7).

        Na obra «Os Lusíadas para Gente Nova» concretiza uma adaptação do poema épico de Camões em estrofes camonianas. E o próprio Graça Moura não esconde, em verso, o espanto pelo engenho e a arte com que o maior poema em língua portuguesa foi construído: “Para o fazer, Camões usou a oitava / Que é feita de oito versos a rimar. / Até ao sexto as rimas alternava, / Nos dois finais a rima vai a par. / Com oitavas assim, organizava / Essa história que tinha de contar / Em cantos que são dez e a nós, ao lê-los, / Espanta como pôde ele escrevê-los” (p.12).

       Revela mais uma vez notável criatividade na composição desta obra, que como escreve outro camoniano, Vítor Aguiar e Silva, «só um grande poeta é capaz de dialogar assim com Camões» (cfr elogio na contracapa). Tudo isto conseguido de “maneira que podemos considerar “lúdica”: através da mesma estrutura poemática d’ “Os Lusíadas” (…) até o leitor adulto e iniciado entra no jogo facilmente e com proveito, sem sentir que a operação seja empobrecedora, pretensiosa ou falhe o seu objetivo. Por outro lado, assumindo que este livro é um convite á leitura integral de “Os Lusíadas”, ele faculta desde logo a leitura dos momentos mais altos do poema (sejam eles a proposição, a dedicatória, os episódios de Inês de Castro, do Velho do Restelo, da Ilha dos Amores, ou outros)” (Cfr. GUERREIRO, António, “Engenho e arte”, in Expresso,11-08-2012).

          Voltemos sempre a Camões -“torna-se mais fácil” com Vasco Graça Moura: “Vês aqui a grande máquina do Mundo / Etérea e elemental, que fabricada / Assi foi do Saber, alto e profundo, / Que é sem princípio e meta limitada. / Quem cerca em derredor este rotundo / Globo e sua superfície tão limada, / É Deus: mas o que é Deus, ninguém o entende, / Que a tanto o engenho humano não se estende.” (p.143).

“Fazei, Senhor, que nunca os admirados / Alemães, Galos, Ítalos e Ingleses, / Possam dizer que são para mandados, / Mais que para mandar, os Portugueses. / Tomai conselho só d’experimentados, / Que viram largos anos, largos meses, / Que, posto que em cientes muito cabe, / Mais em particular o experto sabe.” (p.148).

 

 

Pedro José, Gafanhas da Nazaré e Encarnação, 14-11-2012, caracteres (incl. esp) 2786.

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