Dia de Todos os Santos no Cemitério dos Vivos – …fim do conto I. B. Singer

 

[O reencontro]

(…) “Imaginei que o fim seria muito mais dramático”.

“Não acredito que isto seja o fim”, disse ele. “Talvez uma transição entre dois modos de existência”.

“Se for assim, quanto tempo vai durar?”

“Como o tempo não tem validade, duração não faz sentido.”

“Bom, você continua o mesmo, com suas charadas e paradoxos. Venha, não podemos ficar aqui, se você quer evitar encontrar quem veio seu ao funeral”, disse Liza. “Para onde vamos?”

“Você decide.”

Max Greitzer pegou o braço astral de Liza e começaram a subir sem propósito, sem destino. Como fariam num avião, olharam para a terra lá embaixo e viram cidades, rios, campos, lagos, tudo, menos seres humanos.

“Você disse alguma coisa?”, Liza perguntou.

E Max Greitzer respondeu: “De todas as minhas desilusões, a maior é a imortalidade”.

FONTE: SINGER, Isaac Bashevis, 47 contos, Companhia das Letras, São Paulo, 2004, pp. 682-683.  

 

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