A alegria que não aprisiona – Reflexões para Ano B – Dom XXVIII TC, Mc 10,17-30.

 

A alegria que não aprisiona (*)

Reflexões para Ano B – Dom XXVIII TC, Mc 10,17-30

“Nós possuímos as coisas apenas de passagem. O que fica são as ideias e o que fazemos” – Entrevista de NICOLAS BERGGRUEN, multimilionário “idealista”,51 anos, solteiro, in Revista EXPRESSO, 13/Out/12, p.42.

DISPOSIÇÃO 1. – “Nunca mais acabaríamos de examinar-nos, julgar-nos, condenar-nos… As nossas melhores acções são suspeitas; os nossos melhores sentimentos, equívocos. O simples sabe disso, e ri-se. Não se interessa o suficiente para se julgar. A misericórdia substitui nele a inocência, ou talvez a inocência, a misericórdia. Não se leva a sério, nem se vê como uma tragédia. Segue o seu caminho, de coração leve, a alma em paz, sem meta, sem nostalgia, sem impaciência. O mundo é o seu reino e basta-lhe. O presente é a sua eternidade e satisfá-lo. Nada tem a provar, porque nada quer parecer. Nada tem a procurar, porque tudo está aí. Acaso existe algo de mais simples do que a simplicidade? De mais leve? É a virtude dos sábios e a sabedoria dos santos” (COMTE-SPONVILLE, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, Editorial Presença, Lisboa, 1995, p.169).

DISPOSIÇÃO 2. – Uma história de vida já mastigada… nesse homem – reflexo da nossa procura… das nossas sedes de Absoluto… -, diante dele o ardor de dar os passos certos… certinhos…, cada vez mais cansados de andar!? Senhor da nossa juventude e apesar dela!? Nossa juventude…, nossa aliada! Mas não é “o” suficiente. Nunca somos satisfeitos de realidade…

Mais uma história de encontro e desencontro. Uma história (des)feita para a bondade. “Só Deus é bom!” Ousadia que se aceita só de joelhos…ajoelhar-se diante da Bondade. Não vejo, não ouço, nada dentro de mim ressoa pela Tua Bondade! Deserto e abandono… solidão e tristeza!? Estarei só?… Estou sustentado pela Aurora que chega! O raio de Luz, dentro da minha escuridão!

História de desapegos. História sem catálogos fechados e acordos bem-dispostos, por prazos incumpridos de virtude alheia… “Pedir o eterno?” COMO!? “Ninguém se escolhe a si próprio” e ninguém faz “carreira para si”… Tudo isto é complexo e leva-me para longe da Eternidade… a Eternidade… Oh não… Oh sim! Pedir o eterno? A simplicidade de seguir. O simples é difícil.

Uma história contada com risco e ousadia de querer ser melhor!

Não quero a minha posse.

Não quero posses de mundo.

Quero o mundo despossuído.

Quero o pássaro que é.

Quero o sol e a chuva que são.

Quero o rio que vai longe!

Quero a criança que é.

Quero ser o que é, sem mais!?

Alegria e não tristeza aprisionada!

Alegria de dar!

Alegria de dar-se!

Dar um pouco mais!

(*)FONTES: Para além da citação no texto, consultar: Cfr. AZEVEDO, Dom Walmor Oliveira, “Só Deus é bom” in Na Escola do Salvador, Editora PUC Minas, Belo Horizonte, 2009, pp.259-262 e Cfr. MOURÃO, José Augusto, “Pedir o eterno?” in Quem Vigia o Vento Não Semeia, Pedra Angular, Lisboa, 2011, pp. 97-102.

Por: Pedro José, Gafanha da Nazaré/Encarnação, 13-10-2012. Caracteres (esp.incl.): 2283.

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