Custa-me pensar no «Testamento Vital», mas recolho apontamentos em João Lobo Antunes.

 

Custa-me pensar no «Testamento Vital»,

mas recolho apontamentos em João Lobo Antunes.

 

Em leituras rápidas de: LOBO ANTUNES, João, “O Dever Esquecido” in Condição Humana: Ética, Saúde e Interesse Público – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, Dom Quixote, 2009, pp.261-274. Retive sabedoria existencial:

 

  • Conta-nos o neurocirurgião João Lobo Antunes: “(…) fui procurado por um homem a quem fora diagnosticado um tumor cerebral, que me perguntou com gélida clareza: «Diga-me o que tenho, quanto tempo vou viver e como vou morrer». Eu respondi-lhe: «Baseando-me nas imagens que me mostrou, tem provavelmente um tumor maligno, vai viver cerca de oito messes, e no final entrará em coma, sem sofrimento, porque eu não o permitirei». Ele dedicou o tempo que lhe restava a pintar, e a profecia cumpriu-se” (p.268).

 

  •   [Não creio que o que sucede entre nós seja muito diferente da realidade norte-americana: nos Estados Unidos, 61% das pessoas morrem no hospital, e 17% em casas de repouso]. A lição que devemos aprender (e não esquecer) as pessoas não devem ser deixadas sós.

 

  •   “O prognóstico foi sempre a componente de maior risco científico e moral da arte médica, os doentes exigem-no simultaneamente honesto, preciso e optimista. E esta é uma mistura diabólica” (p.268).

 

    •   “É mais útil, mas também moralmente mais difícil, apoiarmo-nos no diálogo franco, na discussão limpa de preconceitos e na sabedoria prática do que em puras abstrações éticas” (p.273).

  • “Também aqui não parece aplicar-se a regra do «efeito duplo», hábil invenção de teólogos católicos da Idade Média, e que considera que o efeito é condenável se intencionalmente provocado – por exemplo, administrando morfina para deprimir a respiração e, assim, causar a morte -, mas que o efeito é aceitável se, embora previsível, não for primariamente o desejado – ou seja, a dose de morfina, que alivia a dor, pode secundariamente deprimir irreversivelmente a respiração” (p.274).

Pedro José, Gafanha da Nazaré/Encarnação, 01-10-2012, caracteres (incl. esp) 1858.

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