Lugares e tempos para a Educação na Fé

Lugares e tempos para a Educação na Fé

 

O ano escolar inicia-se de modo muito conturbado. Quantos professores no desemprego!? Bancos de livros escolares reutilizados esgotam em pouco tempo. Haverá fome “dentro” da escola!? Etc. Simultaneamente, começa a Catequese Paroquial, este ano em dinâmica mais laboriosa e irreverente, por razões da Missão Jubilar da Diocese (75 anos). É aqui, olhando a Educação na Fé, que a nossa reflexão vai procurar desenvolver-se, em três contextos complementares.

Num primeiro momento na família, através dos pais e de todos os outros educadores familiares, exerce-se uma influência crucial, quer benéfica ou quer maléfica. É neste ambiente que se aprende, por exemplo, a lição básica do respeito mútuo. Transcrevemos uma voz insuspeita: «(…) ser bem-educado, na linguagem corrente, é, em primeiro lugar, ser polido, e isto diz muito. Chamar mil vezes (mil vezes?, muito mais…) a atenção dos filhos para que digam «faz favor», «obrigado», «perdão», é coisa que nenhum de nós faria – salvo por mania ou snobismo -, se se tratasse de mera polidez. Mas aqui se aprende o respeito, neste adestramento [noutra tradução: “treinamento”]. A palavra desagrada, bem sei, mas quem poderia prescindir disso? O amor não basta para educar os filhos, nem mesmo para os tornar amáveis e amorosos. Também a polidez não basta, por isso ambos são necessários. Toda a educação familiar, a meu ver, se faz aqui, entre a mais pequena das virtudes, que ainda não é moral, e a maior, que não o é mais» (Cfr. COMTE-SPONVILLE, André, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, Ed. Presença, p.22). O esforço inovador da parte dum competente Grupo de Casais, em darem formação aos pais das nossas crianças do 1ºano ao 3º ano, que é mais uma vez retomado pedagogicamente. Significa a dedicação e a persistência em querer caminhar através de experiências que possam responder aos novos desafios diante da desestruturação familiar, entre outros.

Propriamente na catequese, encontramos o imenso grupo de voluntárias(os), de várias idades, que transmitem a experiência de Fé, em horários, fruto de muita negociação e acertos vários; aliados a espaços que atravessam cada vez mais as paredes físicas duma sala. Aqui os catequistas da “1ª comunhão” e do “crisma” merecem uma palavra nobre, sem esquecer o importante trabalho antecedente e consequente, de todos os demais. A preparação destes dois “últimos” sacramentos da iniciação cristã, são fruto de uma pressão social (mais a 1ª comunhão) e grupal (mais o crisma). Ambos tendem a ser cada vez mais o resultado de uma escolha e caminhada, mais pessoal e também familiar, de modo consciente e não “empurrado”. Temos imensa dificuldade em que a fidelidade ultrapasse a data destas celebrações, que são muito custosas, bonitas e demasiado emocionais. Continuaremos a fazer…, mas fazendo melhor. Exemplo concreto, é o esforço de encarnar o itinerário do projeto GPS, em ordem ao Crisma, com modelos novos e sem “remendos velhos”.

Por último, na sociedade em que vivemos somos educados ou não, de muitas maneiras. Aqui a educação na Fé movimenta-se entre a «minoria» e a «massa». Cultura de minoria e cultura de massas. Todos nós participamos de modo ativo ou passivo. Não pode haver lugar à indiferença na educação da Fé. Temos de nos interrogar em que medida “produzimos” ou não uma cultura cristã com significado para as gerações futuras. Ser minoria é assumir, em relação aos que estão na mesma situação uma postura de empenho, de investimento de energia que os outros não têm. Ser massa é recusar apenas a atitude de passividade perante a Tradição sem força evangélica. Temos de acertar novas condutas em ambas as vivências. Com inteligência e coração, e depois, sobriedade.

Na partilha destas considerações pastorais, «não se disse tudo…», ou porventura, «nem tudo se fará perder…». Nem (só) pessimismo, nem (só) otimismo, devemos procurar olhar a tarefa/missão da Educação na Fé, com o realismo do que temos e somos capazes. “Colaborar nas soluções é diminuir os problemas”. O contrário é desgaste no Tempo e perda da Graça.

 

Pedro José, Gafanhas da Nazaré/Encarnação, 14-09-2012, caracteres (incl. esp), 4027.

Advertisements
Esta entrada foi publicada em Não categorizado com as etiquetas , , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s