Sobre o atendimento de cartório (01)

 

Sobre o atendimento de cartório (01)

 Depois dum tempo de atendimento de cartório fico sempre a remoer. Sobre tudo e sobre coisa nenhuma. Valeu a pena? Não sirvo para isto de burocracia, nem que seja eficiente e administrativa para olhar o futuro. Mas sem o tempo d’atendimento de cartório não há proximidade com a vida e seus problemas: essa a grandeza da “pastoral” sem imposições.

Mas as pessoas não querem diante dos problemas caminhos de crescimento, querem soluções de preferência indolores… tal como eu de manhã quando fui à farmácia comprar medicamentos para a súbita “gripe” de verão. Somos todos assim, soluções rápidas, indolores, e de preferência baratas. A Graça é uma coisa caríssima!? A Graça é multiforme! Exigência e água fria ninguém quer que ria!?

Sirvo-me duma «comparação feita por João Batista Libânio numa palestra (…): “Se eu trago para vocês aqui um bolo, parto em vários pedaços e distribuo para todos… vocês estarão em comunhão comigo, não é!? Mas, por outro lado, se digo para vocês assim: ‘Vamos fazer um bolo!? Quem vai trazer a farinha? Quem vai trazer os ovos? Quem vai amassar a massa?…’ Depois de preparado, colocamos no forno e depois de pronto, todos nós comemos juntos. Pois bem, a primeira forma é o que chamamos de ‘comunhão hierárquica’ e o segundo jeito é o que chamamos de ‘comunhão e participação’»[1].

Fazer pastoral é uma coisa complicada. Pois trata-se de um processo onde o «fazer» – no que temos e somos nunca está separado – em que a coerência de Vida é posta em evidência em todos os detalhes e opções fundamentais. Quero continuar por aí na comunhão e participação… haja paciência, haja liberdade (dos filhos de Deus, todos nós; não dos afilhados, só os “preferidos”!?) e acima de tudo resiliência… Coisas que uma imensa minoria vai acreditando, sem saber como.

Não tenho nada de «hierárquico» – a não ser o paradoxal poder de perdoar. Não sei exercer de cima para baixo… Entretanto, as pessoas querem “leis”, claras e distintas, para todos e para tudo e Jesus Cristo fugiu disso como o “diabo da Cruz”!? Sendo os primeiros incumpridores, os últimos juízes, em benefício próprio. Entre o ir e vir, folgam as costas!?

Faço parte de um processo de solução, isto é, o cristianismo é uma proposta libertadora de conversão. Quero ser permanentemente um «convertido» ou não? Não vivo na angústia pelos que não gostam de me ouvir falar!? Não engravido por ouvir dizer ou querer!? Não quero palmas, nem muito menos as críticas surdas pelas costas. Quero afirmação de Critérios e Valores; Lei para quem não quer saber de nenhuma lei; e ausência de Lei – como referencial primordial à Misericórdia – para quem já não precisa dela para viver a Autonomia, madura e evangélica.

Por hoje, não-quero-pensar-em-mais-nada, pois o cansaço ganhou da generosidade, não da responsabilidade. Contudo, pergunto-me até quando?!

 

 

Por: Pedro José, Gafanha da Nazaré/Encarnação,

11-07-2012.Caracteres (esp.incl.): 2963. 

 

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