Sobre a mão da rainha

 

Sobre a mão da rainha

        1. Foi ontem à tarde, dia de domingo, passado em família. Dia em que a Fé, isto é, a religiosidade purificada pela cidadania (“coisa” que vou pensando como desafio a partir de mim…), teve um momento único de peregrinação. Festas especiais da Rainha Santa Isabel, no esplendor de Coimbra revestida pela História. A mãe e a irmã fizeram o convite, o irmão e o pai fizeram companhia. No “mosteiro”, seguimos um agradável e organizado percurso até ao túmulo, para ver a “Relíquia”. Confesso que depois de ler Eça de Queiroz, a minha visão da religiosidade popular ficou diferente. Primeiro, a indicação, não podemos tirar fotografias com flash. Mais adiante, enquanto se compartilha agradavelmente a jornada, não é de todo possível tirar alguma foto. Vi e não vi tudo o que queria e imaginava ser possível ver. A minha mãe viu, a irmã também, e houve comentários recíprocos.

      2. No livro “O Evangelho Com Dom Hélder”, 2ª Edição, 1993, comprado num sebo de S. Luís do Maranhão, em 2007, sempre relido, foi aí que vi, sem ver pela primeira vez… lá está na capa: o projeto gráfico de Felipe Taborda, utilizando o afresco “A Mão de Deus”, do Mestre de Tahull, escola catalã, início do seculo XII, que se encontra no Museu de Arte Catalã, Barcelona. Quando um dia for possível ir a Barcelona, queria ver face a face. Entretanto, quando celebro, no rodízio presbiteral dominical, na Comunidade da Cale da Vila, contemplo sempre a “tapeçaria” deposta no Coro Alto: a mesma imagem diria eu, ainda com mais esplendor ético do que estético. Fixo sempre nela o meu olhar, por fora dos meus olhos duvidosos.

         3. Vi-a-Mão-Relíquia-da-Rainha. Mantive a Fé. E de repente, veio-me o confronto humorístico, do percurso académico: “nós” de Aveiro, a Princesa… “eles” de Coimbra a Rainha…; “nós” de Aveiro a Beata…, “eles” de Coimbra a Santa. Infelizmente, no presente foi lacrado o campo de jogo, entenda-se o Seminário, e “respectivo” ISET; que saudade de Nada-de-Profundo, apenas a memória da Fé, transmitida e apreendida. “A Que Final Nós Chegamos Afinal!?” Num jogo mais eclesiástico do que eclesial, e muito menos evangélico. Só na Eternidade jogaremos pelo puro prazer do jogo e não pelo seu resultado. Travessia da Crise pela Mão da Fé… Naquela «Mão» feminina… queria ver e sei que vislumbrei, a Mão-da-Providência-Sempre-Amorosa. Eis o milagre que me interessa. Todo o outro aparato do «negócio», vira para mim puro «ócio». Naturalmente, só comprei um livro, sobre o famoso-milagre-das-rosas, escrito para crianças e por sinal bilingue. Já auto ofereci !?

       4. A mão e o dedo de Deus na minha vida compartilhada. O toque de Divindade: em cada instante eterno. A mesma Mão, do padrinho/madrinha, sobre cada ombro dos Crismados: na Nazaré (63, dos quais 4 catecúmenos adultos) e na Encarnação (14), com o seu suor e ardor duma Missão, à espera do decisivo empurrão!? Viva a Rainha Santa Isabel! Ressuscitada em cada Rosa (mística e aromática…) oferecida como penitência libertadora! Ciência e Fé… para mim, tudo é bosão de Higgs, sem partícula de Deus à mistura!? Deus não se “mistura” no particular… Deus É! Só isso… e apenas isso: É. Dentro e fora de «tudo», antes e depois de «tudo!». O que é «tudo»? Escuto, também, a construção do meu cérebro consciente. Minha Fé, é, também, a de António Damásio (estou a ler devagarinho, para não cansar muito, antes de dormir e sonhar…) Obrigado, a Coimbra (à religiosa e à académica!) e às suas gentes, com devoção e Fé… Tudo o mais passará… «Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se manifesta todo o meu poder», meu credo paulino, num domingo sem ocaso, familiar e feito gelado na esplanada duma sombra curiosa na Curia. Essa «Mão» acompanha-me…, acompanha-nos: sem/com “unha e espinho na carne”: está «todo e tudo» no meu conviver e sentir, da (nossa) imensa minoria, silenciosa e não silenciada!

POR: Pedro José, CDJP, Gafanha da Nazaré/Encarnação, 09-07-2012. Caracteres (esp.incl.):3827.

 

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