Ainda sobre o impacto do sentido comunitário

       De forma cada vez mais visível, e correndo o risco da generalização mais pessimista, verificamos que «tudo» na sociedade leva a separar, dissolver os laços de solidariedade e estimular as pessoas a buscar satisfações sozinhas – sem se importar com os outros. Dois exemplos positivos e díspares, negam a «tese anterior»: o extraordinário TEDxAveiro 2012: «ultrapassar limites» (só participei na sessão 2 e 3) e a já ordinária recolha do Banco Alimentar contra a Fome: mais um «êxito» de solidariedade real. Contudo, por norma, a sociedade incentiva a que cada um se «salvar» individualmente.

        Sabemos que os seres humanos sempre viveram em comunidades. Durante a quase totalidade da sua história, o que reforçou as comunidades foram os laços de sangue, contudo a família hoje está progressivamente enfraquecida. Por isso, a experiência de Igreja Diocesana vivida no Colégio de Calvão, exemplo «provavelmente ímpar», na realização das Festas das Famílias, contribuiu para tomarmos a consciência do risco que corremos se não continuarmos a fazer mais…, e neste «mais», que somos capazes, significa uma inversão de valores/atitudes, diante da pessoa humana transformada em consumidora, fechada no seu consumo. Significa, sobretudo, uma caminhada decisiva para revitalizarmos o sentido comunitário. Este vírus para a felicidade que o «individualismo» origina – ainda mais perigoso quando se apropria do compromisso na fé – também nos afeta, e (só) poderá ser curado/libertado, com aprendizagem e partilha do «viver comunitário».

        Reafirmamos a sabedoria de quem sofre, com a abertura da Esperança: «Sinto-vos como uma bênção, ninguém pode viver sozinho e é nos momentos difíceis que damos valor ao que temos». Não querer estar sozinho, não permanecer sozinho, não viver sozinho, e «não frequentar a comunidade só quando se entende que se deve frequentar…». Frequentar sempre! Fazemos sempre falta! Nós devemos contribuir, humildemente, para melhorarmos os outros. Ainda que, muitas vezes se seja segregado, incompreendido, escandalizado(dor/a) e/ou “posto” à margem; é na felicidade de procurar “ser-para-os-outros, até ao fim da nossa Vida, que nos realizamos com e apesar das nossas limitações.

         Pois, em permanente confissão, por «pensamentos, palavras atos e omissões», a pessoa humana se constitui aberta para «o comunitário» e só se realiza nele por ter sido criada por um Deus que é Comunidade – Pai, Filho e Espírito Santo. Nascemos da comunhão e não da solidão. Portanto, para a Comunhão somos destinados. E ao agirmos, na nossa Missão diária, construiremos laços comunitários de encontro contra o individualismo. “Somos Um” – como diz o refrão do cântico – quando unidos na partilha, na doação e no serviço, descobrirmos que “nada fazemos sós”, então, tudo o «mais» saberá a pouco ou quase nada.

 

Publicado:

In Timoneiro, Junho 2012, p. 16; in Correio do Vouga, 13-06-2012, p.22.

Opinião | Pedro José| 14/06/2012 | 10:45 | 2800 Caracteres.

Advertisements
Esta entrada foi publicada em Não categorizado. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s