Como definir o que somos? Reflexões para «Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo» (07-06-2012)

Como definir o que somos?

(Reler e meditar: José Augusto Mourão)

Reflexões para «Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo» (07-06-2012)

 

DISPOSIÇÃO 1. – “Carne e sangue, alimento e bebida são a metonímia do sujeito e do pão. A performance consiste, para aquele que é o pão, em dar ao mundo aquilo que ele tem: «a minha carne e o meu sangue». Com uma finalidade: para a vida do mundo»[1].

«Em verdade vos digo: não voltarei a beber do fruto da videira, até ao dia em que beberei do vinho novo do reino de Deus» (S. Marcos).

Somos o presente como a linha que nos divide da realidade passada e da possibilidade futura. «Até ao dia» viveremos dentro dessa-linha-que-separa (e nos separa…), querendo o Reino e a Ressurreição, com o sustento e o remédio que é a Eucaristia: Alimento, sob o custo do nosso Sacrífico, feito na realização fiel da sua Mensagem/Vida… este é um «menu», oposto a qualquer proposta/sedução de «Self-service» (inglês: serviço próprio, ou de si).

DISPOSIÇÃO 2. – “É por que Jesus é o pão que ele se pode dar sob a figura do alimento e a bebida, e não o contrário. (…) A carne e o sangue são tomados pelo corpo, as partes pelo todo. De modo velado, o discurso evoca a morte do doador. O doador anuncia a sua ausência na figura do dom. Ausência que não será total. Ficam a carne e o sangue que guardam a marca do doador. É dando a sua vida que o sujeito de dá como alimento e bebida. A verdade da sua presença só será mantida pela fé e por intermédio da carne e do sangue. O comer é a fé que responde ao dom da vida. O pão perecível é apenas o sinal do pão verdadeiro”[2].

«Preparai-nos lá o que é preciso» (S. Marcos).

Somos doadores. Doadores é o que nós somos, e devemos ser cada vez mais e da melhor maneira que soubermos ser capazes. -Senhor padre precisa de batatas lá para casa? Pergunta generosamente sábia e simples. Doação eucarística em estado bruto. Temos de retomar a doação da amizade sem título e posição. Passar oito minutos ao telefone, retomando o passado e dizendo da nossa fidelidade futura. O comer é a fé. Comer juntos é a fé partilhada e testemunhada.

 

Por: Pedro José, Gafanha da Nazaré/Encarnação, 07-06-2012.

Caracteres (esp.incl.): 2076.

 


[1] MOURÃO, José Augusto, Quem Vigia o Vento Não Semeia, Pedra Angular, Lisboa, 2011, p.169.

[2] MOURÃO, José Augusto, o.c., pp. 169-170.

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