Mistério da Trindade: reflexões para o Ano B (02-06-2012)

Mistério da Trindade 

Reflexões para o Ano B (02-06-2012)

DISPOSIÇÃO 1. – “(…) Os «mistérios» particulares que nos são «propostos para crer» são apenas as condições de possibilidade do amor reconhecido em Cristo: o Pai (enquanto Pessoa distinta) é aquele que envia, para nunca deixar esvanecer-se o carácter de obediência e de kenose do amor do Filho; o Espírito é aquele que é ex-pirado, para revelar tanto a liberdade e a fecundidade como a intimidade comunicada, tanto a função de testemunho e de glorificação como a gratuidade do amor para lá do Logos; a identidade essencial das três «Pessoas» na divindade, que lhe garante o nome absoluto de amor, subtrai definitivamente as três Pessoas – para a beatitude dos que acreditam no amor – a toda a captagem de uma razão observacional”[1].

DISPOSIÇÃO 2. – “(…) Embora seja uma luz inacessível à razão, a Trindade divina é a única hipótese que permite esclarecer de um modo fenomenologicamente justo, sem violentar os factos, o fenómeno de Cristo (tal como ele se torna incessantemente presente na Bíblia, na Igreja e na história). Se o Absoluto não fosse amor (como só o dogma da Trindade o expressa), permaneceria então justamente logos (nóesis noesews, saber absoluto), quer permaneça (sob a forma de Advento) antes do amor, quer o tenha já transbordado e «elaborado» em si, na acepção do titanismo moderno: o que só é possível por uma recaída na esfera do «entendimento», por um assassínio contra o Espírito Santo”[2].

DISPOSIÇÃO 3. – “Relatio quaedam transitum consisti (Tomás de Aquino). A relação é anterior à identidade. Deus é uma família, não é uma mónada. Deus manifesta-se na história de vários modos. Donde a tentação do politeísmo. Porque Deus se confunde na história das religiões com a ideia de força, de poder, de intervenção. A ideia de eleição que transparece no Livro do Deuteronómio é uma construção teológico-político. Israel passou por todas as fases de encantamento e desencantamento de Deus. O absolutamente novo é Cristo: Deus encarnado. É ele que nos revela o que não sabíamos: que éramos filhos de Deus. A ideia de ruha também os judeus a tinham. Diz Paulo que agora somos conduzidos pelo Espírito que nos ensina a chamar a Deus «Pai» e que garante a presença viva do crucificado no mundo como a alma da Igreja”[3].

DISPOSIÇÃO 4. – “Temos uma promessa: Ele estará connosco até ao fim dos tempos. Temos uma missão: fazer discípulos. Que o Espírito nos guarde unidos na promessa e na missão”[4].

Por: Pedro José, Gafanha da Nazaré/Encarnação, 02-06-2012.

Caracteres (esp.incl.): 2670.


[1] BALTHASAR, Hans Urs von, Só o Amor é Digno de Fé, Assírio & Alvim [Tradução e apresentação de Artur Morão], Lisboa, 2008, pp. 93-94.

[2] IDEM, o.c., p. 80.

[3] MOURÃO, José Augusto, Quem Vigia o Vento Não Semeia, Pedra Angular, Lisboa, 2011, pp. 88-89.

[4] IDEM, o.c., p. 92.

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