Ascensão como ausência

Ascensão como ausência:

Viver o sentido da comunidade.

 Reflexão: Mc 16,15-20 – Tempo Pascal– Ano B (20-05-2012)

  DISPOSIÇÃO 1. – “A celebração da Ascensão convida-nos a voltar os olhos para o mundo em que vivemos. É nela que se constrói, paciente e humildemente, no amor, o corpo cuja cabeça é Cristo. Porque o Senhor não abandonou os Seus. Pelo contrário, está tanto mais presente no meio dos Seus quanto já não sujeito às limitações da condição humana, que restringia a Sua acção no tempo e no espaço. Seguros desta nova presença, os discípulos não têm nada a temer no mundo para onde o Ressuscitado os envia”[1].

DISPOSIÇÃO 2. – “Eles não podiam mais ver!” …aconteceu-me (e sempre acontece…) no último funeral… inicia-se a cerimónia com a urna/caixão fechado, na capela mortuária, e depois junto da sepultura, já no cemitério, – entretanto, o «padre» afasta-se, às vezes retira-se, outras tantas, arrasta-se com uma brevidade lenta – … cumpre-se a «última» despedida: abre-se, novamente, a Urna/Caixão pela última vez… um rosto, muitas histórias num olhar que não mais olha, mas é rosto olhado por todos, um olhar sem reflexo e aí – nesse «» heideggeriano -, do tempo e espaço, em ruptura absoluta, a nossa história grita e chora…, reduz-se a um Silencio dos pequenos gestos e das mudas palavras. O mistério da ascensão é o mistério da ausência[2].

 DISPOSIÇÃO 3. – Ausência dói, como dói a ausência de todos os mortos, de todos os nossos amigos, de todos os nossos modelos…Essa dor pertence à condição humana. A porta está fechada. Mas abre-se outra porta. A memória do futuro inicia-se sem pressa… “porque a Ascensão de Cristo (…) é a nossa esperança”[3]. Daí que “toda a pedagogia da fé cristã deve passar, pois, pelo abandono do egocentrismo religioso, que converte Deus num mero aliado dos próprios desejo e interesse. Particularmente, a catequese deveria também insistir na essencial dimensão histórica da nossa fé, porque na história é possível o encontro com o Deus que se fez história”[4].

Por: Pedro José, Gafanha da Nazaré/Encarnação, 19-05-2012.

Caracteres (esp.incl.): 2146.


[1] FONTE: In Missal Quotidiano, Paulus Editora, 2010, p. 805.

[2] JB Libânio, “Um Outro Olhar”, Volume IV, p. 43.

[3] FONTE: Oração de Colecta, Solenidade Ascensão do Senhor.

[4] MORANO, Carlos Domínguez, Crer depois de Freud, Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 2003, p. 130.

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