A quaresma em “L”

A quaresma em “L”

 

Quantas «quaresmas» são possiveís? Uma ou várias. A nossa, a do/a vizinho/a, a da paróquia/grupo/diocese…; a do passado inocente ou a do presente em crise…; a que não queremos “fazer” ou a que amamos “fazer”. Quantas «quaresmas» existem dentro de nós? Quais seremos capazes de realizar com Cristo e na Comunidade crente. Ao longo da nossa breve Vida – comparados com a idade do Universo ou com a fundação do nosso país, somos apenas um grão de areia – transportamos muitas “quaresmas”. Precisamos reflectir a qualidade da nossa vivência espiritual. Partilhar o nosso imaginário «diário quaresmal» em “L”.

 

Minha/Nossa Quaresma “Laica” – O mundo que nos faz frente nas ideias e nas atitudes, diz-se “laico”, e reclama isenção de sinais/práticas… Nesta quaresma “Laica”, tenho vergonha de dizer que faço «jejum», nas quartas e sextas-feiras, de “preceito e obrigação”. Isso já era coisa do passado, na religião dos avós…; os tempos de hoje são “diferentes”. Caro diário, a minha/nossa quaresma também é «laica», mas verdadeira. Pois estamos cheios de «Consumo». É preciso, urgentemente, “jejum”: no relacionamento falso/descartável (fome de Sentido…); no olhar (fome de Beleza…); no ouvir (abstinência do ruído de fundo…), etc.

Minha/Nossa Quaresma sem “Lixo” – O “Lixo” e o “Luxo” não serão faces da mesma moeda? “Bem-estar e Bem Comum” não se confundem com o “Bem-vindo-ao-mundo-do-EU-omnipresente!?”. Tu és o que partilhas. Não o que acumulas. Não deixes que o luxo se torne lixo; nem o que é lixo, se transforme em luxo alienante. Cada coisa no seu lugar. Um lugar para cada sentimento. Tens práticas de solidariedade e de voluntariado? A tua “gota” de água é preciosa. A Crise é também do “luxo” e do “lixo” dos falsos Valores. Austeridade, sobriedade, e modo de vida reciclado, nunca são “imposições” à vivência cristã, fazem parte do nosso ADN espiritual.

Minha/Nossa Quaresma “Luminosa” – Na Igreja primitiva, a principal tarefa da Quaresma era preparar o baptismo dos catecúmenos, isto é, das pessoas recém-convertidas. Hoje temos, e cada vez mais, “as crianças em idade de catequese”, em formação de “catecúmenos”, pois preparam, junto com familiares, de modo imediato o baptismo e a primeira comunhão. Mas o sentido da Quaresma permanece o mesmo para todos. Precisamos da “Luz-do-nosso-Batismo”, como celebraremos na Vigília Pascal (não podemos faltar ao Tríduo Pascal…) com a celebração da Luz e a renovação do compromisso de Baptismo; esta cerimónia não é um “resto arqueológico do passado”, mas algo valioso para nós. Quero mais uma vez recordar a «passagem» baptismal, através da morte e da ressurreição de Jesus, no meu dia-a-dia, através duma Fé Luminosa, sem/com taxa de IVA (Ignorante, Vaidosa e Ausente… ou Inteligente, Viva e Amorosa).

Minha/Nossa Quaresma “Laboriosa” – Vive para os outros e, enquanto depende de ti, procura que estes vivam felizes. Aprende humildemente o Serviço. Quaresma é trabalho interior; não são “horas extra” de cansaço espiritual. Não é apenas trabalhar mais; é trabalhar melhor. O bom combate da Fé é a generosidade da Entrega. Só o “lazer” com justiça, faz do trabalhar pelo “pão de cada dia”, uma experiência inovadora para os Outros. A nossa “reforma” espiritual não existe. O “desemprego” das tarefas do Reino de Deus, não tem lugar na Igreja de Cristo. Partilha o teu trabalho com quem não é capaz de trabalhar a sua Fé Socialmente.

Minha/Nossa Quaresma como “Libertação” – A confissão ao padre? Como assim!? Só uma vez no ano e chega… bem ou mal desejada/preparada!? O Perdão Liberta. A Confissão Liberta. Não sejas escravo. Tem coragem e segue a Tradição da Igreja, e busca a Confissão, ao menos “uma vez por ano”!? – Que bom seria não vivermos dos “mínimos da fé”. Não importa só a “imagem-do-padre, a, b ou X”… Aceita perdoar-te a ti próprio, ao irmão que não te quer bem. Aprende e experimenta dar o teu melhor. Organiza o teu tempo, para viveres a experiência da Confissão/Reconciliação. Fala dessa experiência genuína – alegria da conversão – na “primeira pessoa” a todos/as. O nosso equilíbrio passa pela Confissão, onde paramos, para saborear o valor da Vida.

 

 Pe. Pedro José – CDJP

Gafanha da Nazaré/Encarnação, 10-03-2012, caracteres (incl. esp), 4124.

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