Obediência de Liberdade: aprender a aguentar! – Meditação: Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18; Mc 9,2-10 .

 

Obediência de Liberdade: aprender a aguentar!

 

Meditação: Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18; Mc 9,2-10 – IIº Dom / Quaresma – Ano B

    Obediência de liberdade. Ou liberdade de obediência. Para as pessoas que dispensam a reflexão e a procura da razão última das coisas e do Ser, o que se segue cheira a perda de tempo, mas não o é.

      Em Génesis, ouvimos “Deus quis pôr à prova Abraão e chamou-o…”; e disse (minha leitura) -Faz “isto” porque é para teu bem! E Abrãao pensou (meu pensamento) “ – Porquê “isto” que é contrário ao que sei do próprio Deus!?… Terei eu alucinações? Não será uma aberração, estupidez, erro grave, ou violência gratuita/injusta (toda a violência não o é?)? Mais um passo e torno-me um fanático religioso!? …só cá faltava esta crítica bem-vinda ao pensamento livre de todos os dogmas e opressões/alienações anti-humanas. O «fazer» de Abraão nunca esteve em causa, até ao momento, em que Deus sentiu a Vida-em-perigo-de-morte.

        No Evangelho de Marcos, ouvimos e vemos Jesus Cristo no seu esplendor. Acessível mas misterioso, isto é, divino. Aqui o questionamento é perante o desejo do «fazer» de Pedro: “- Façamos três tendas”. Depois Jesus “ordenou-lhes que não contassem a ninguém”… enquanto…; até que…; as coisas se apresentassem de maneira mais clara, isto é, clarificadas e não obscuras.

          Nos dois casos a Obediência na liberdade, significou que Deus pede a Liberdade na obediência. Há um «contra-tempo» (espécie de conta relógio, em que só competimos connosco mesmos… e mais ninguém perto de nós; creio eu na solidão activa…) de espera, que causa uma abertura de mente e uma «clarificação» (isto é transfigurar…) do Desejo e da Vontade. O Desejo inspira o agir, mas é a Vontade que “faz-do-agir” um verdadeiro “fazer”.

        Como podemos aguentar o “muito mau” de Abraão, ou o “muito bom” de Pedro? Um mestre segredava: nem Vítima, nem Vedeta. Dois “V” terríveis. O segredo do equilíbrio está na obediência e liberdade, que casam sempre, quando há “bem” em causa. Na liberdade e da obediência, quando há “perigo”. Entre mártir, herói, «anti-herói», e esquecido da vida, há muitos meios tons. “Na nossa vida – guardar isto – precisamos de “fazer” algumas experiências de muita alegria, de muita felicidade, de muita paz, de muita lucidez. Algumas apenas. Para que nas horas escuras da vida, tenhamos alguma coisa na memória. Sem memória não vivemos” (J.B. Libânio, Um Outro Olhar, Vol. III, p.56).

        Prefiro um “mau feitio”, a um “mau carácter”. Percebemos a diferença ética que Deus nos “quer” no “sítio certo à hora errada”; ou “à hora certa no sítio errado”, ou “nem uma nem outra”. Nós na nossa obediência livre ou na nossa liberdade obediente fazemos acontecer a diferença para mais e melhor. Sem que o título não nos leve a ler a vida em linha recta… mas é assim o procedimento de Deus: livres como somos, teremos na Sua obediência o fermento eficaz do nosso Desejo Fiel.

  

Por: Pedro José, Gafanha da Nazaré/Encarnação, 03-03-2012.

Caracteres (esp.incl.): 2752.

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