A Quaresma é nos oferecida, como oportunidade de Graça!

A Quaresma é nos oferecida,

como oportunidade de Graça!

(Celebração de cinzas)

 

O tempo da quaresma fala de conversão…, de aproximação a Deus…, de aproximação às Pessoas…, de aproximação ao que importa não esquecer viver.

 “Quaresma” soa a quarenta. Quarenta o quê? Quarenta anos do peregrinar de Israel pelo deserto até à terra prometida. Quarenta dias de jejum de Jesus, no Monte das Tentações. Quarenta dias que separam o início da quaresma, até ao dia de Páscoa.  Quarenta dias na minha Vida…, na minha Família…, no meu modo de Viver!

 Em qualquer caso, o quarenta refere-se ao número. Número traduz a maneira humana de medir: tempo e espaço. A conversão humana necessita de tempo e espaço. A Igreja sabe bem disso. Oferece-nos este tempo – quarenta dias – e este espaço – a liturgia com orações, leituras e celebrações… SOBRETUDO a quaresma é a experiência/oferta (e não chatice, obrigação…) Alegre da Conversão!

 A mais importante conversão, a que vale mesmo todo o esforço… acontece dentro do Coração. Sem conversão do coração, qualquer sinal e rito externo fica vazio (atenção às leituras de hoje…). A conversão do coração significa mudança de orientação na Vida. Exige-se mudança «mais» radical (profunda), quando a pessoa se encontra desviada do Amor a Deus e aos irmãos; e está centrada só em si mesma. A palavra “conversão” faz valer toda a força ao sugerir e implicar: Mudança de direção. Trata-se de correção do caminho, do rumo, das atitudes. “Com auxílio dos modernos GPS ou sem eles…”. A nossa viagem caminha para o Irmão e para Deus.

 O papa Bento XVI lembra-nos uma MUDANÇA que requer muita coragem e liberdade, diz-nos:

 “Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. (…) Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais rectamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós” (nº1).

E o Bispo, D. António Francisco, concretiza ainda mais: “Neste Ano Europeu do Envelhecimento Activo e do Diálogo Intergeracional e em flagrante contraste com quanto nesta iniciativa se pretende, temos sido confrontados pelas notícias frequentes de idosos sós, condenados a morrer ao abandono. Também aqui somos chamados a este olhar atento e a este dom recíproco de um amor próximo, vizinho e irmão de cada um de nós pelos outros. As comunidades cristãs têm aqui um campo imenso de presença e de acção”.

 É dentro de nós, no centro do nosso ser, da nossa pessoa, que se processa a mudança de orientação, e tudo se vai movendo noutra direção. Isso queremos iniciar HOJE…, e experimentar ao longo desta quaresma. Com o SINAL das Cinzas vamos pensar/sentir a nossa fragilidade humana; mas desejamos a CONVERSÃO ao Evangelho: a felicidade à maneira de Jesus! [no rito…, na palavra/gesto…].

 «Toda-a-Graça-de-Deus» é nos oferecida nesta quaresma. A Graça do Seu Perdão que tende a manifestar-se no nosso esforço, no trabalho (ocupações/estudo), na nossa mudança: pessoal e comunitária[1].

 Cada pequeno pedido de perdão sincero ao irmão; a cada silêncio de paz e de afecto; a cada gesto de partilha e cedência generosa; a cada orgulho vencido; a cada prazer regrado e liberto; a cada momento de Verdade dentro de si mesmo; a cada momento de Deus, no nosso dia a dia; então, faremos desta quaresma um crescimento na Fé. Com Fé vivemos melhor a dureza e a exigência da Vida… sentiremos a Beleza autêntica!

 Deus está sempre a oferecer-nos inúmeras possibilidades de Conversão e de Alegria. A sua Graça não nos faltará nesta quaresma. Torna-se a ocasião «favorável» de querer começar desde agora…, com humildade…, sem artifícios… Juntos chegaremos à Páscoa; à nossa Meta…ao nosso Porto na Fé.

 pedro josé, 21-02-2012, 19H34.


[1] Relembra o Papa Bento XVI: «Uns aos outros»: o dom da reciprocidade: “Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunhão: a nossa existência está ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem também uma dimensão social” (nº2).

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