Voltar (sempre) ao «Pai Nosso», por José Tolentino Mendonça

Voltar (sempre) ao «Pai Nosso».

 Como rezar? Como fazer uma oração?

Sabemos da importância da oração na vida de Jesus. Como Ele rezava e ensinava o «gosto» pelo rezar. José Tolentino Mendonça, padre, poeta, ensaísta e «bom rezador», faz o mesmo, oferecendo-nos mais um livro que transforma a nossa espiritualidade. «Pai-Nosso que estais na Terra: O Pai-Nosso aberto a crentes e a não-crentes”.

Existem milhares de comentários ao Pai-Nosso. Nunca deixaremos de aprender… se percebermos como estamos a rezar esta oração. De onde ela vem e para onde ela nos leva. Na originalidade de Jesus encontramos palavras de encantamento e fortaleza interior.

O autor contagia-nos com o que escreveu Simone Weil: “não se pode conceber uma oração que não esteja já contida no Pai-nosso: este «está para a oração como Cristo para a humanidade». E mais: «É impossível pronunciá-lo uma vez que seja, trazendo a cada palavra a plenitude da atenção, sem que uma mudança talvez infinitesimal, mas real se opere» (p.29).

“A oração do Pai-nosso devia sobressaltar-nos” (p.42). Partindo do modo de viver – olhando à nossa «ontologia do quotidiano»…-, observa: “com a proliferação dos telemóveis, deixamos de usar o retórico «está lá?» e a pergunta mais frequente é «onde estás?». Parece que nos aconteceu a todos uma desterritorialização. Hipervalorizamos a mobilidade em detrimento da permanência.” (p.55). “O nosso Deus está!” (p.57). Nunca um ponto de exclamação teve tanta propriedade!

Quando oramos: Deus não nos deixa! Quando pecamos: Deus não se afasta de nós! E concordamos: “O Pai-nosso é a grande escola do perdão. Ao rezá-lo deparamo-nos sempre com este convite a mergulhar no Mistério do Perdão de Deus, num mar incalculável de Amor” (p.117).

Três recados finais a ponderar.

Primeiro. “O grande obstáculo a uma vida de Deus não é a fragilidade e a fraqueza, mas a dureza e a rigidez. Não é a vulnerabilidade e a humilhação, mas o seu contrário: o orgulho, a autossuficiência, a autojustificação, o isolamento, a violência, o delírio de poder” (p.131).

Segundo.Os crentes não são gestores de uma ação externa: são servidores e viajantes, nómadas e enamorados peregrinos, leitores e ouvintes, adoradores implicados…” (p.75).

Terceiro. Compre e ofereça; alugue por tempo indeterminado; peça emprestado e devolva rápido; leia e comente a propósito, e também, contra corrente. Por grande favor: a si mesmo, aos irmãos (crentes e não-crentes): Não deixe de ler, pois ao rezar mais; convive-se melhor!

Pe. Pedro José, Gafanha da Nazaré, 08-02-2012.

 

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Não categorizado com as etiquetas , . ligação permanente.

2 respostas a Voltar (sempre) ao «Pai Nosso», por José Tolentino Mendonça

  1. joana diz:

    Pai-Nosso que estais na Terra: O Pai-Nosso aberto a crentes e a não-crentes”

    um livro delicioso…
    joana

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s