Sobre a vivência no CUFC: no aniversário de 25 anos.

Sobre a vivência no CUFC

[1.] Recordo-me mal cozido, e ainda a cheirar a quente, transplantado para a Pastoral Universitária. Disposto e envolvido em mil tarefas e sonhos. A viver aí um estágio a pleno ritmo. Tinha acabado de ser ordenado padre ao serviço da Igreja de Aveiro (13-07-1997), na Paróquia de S. Salvador em Ílhavo. Em 06 de Agosto de 1997, fui nomeado para integrar as equipas da Pastoral Universitária e do Pré-Seminário, continuando responsável pelo Secretariado Diocesano de Animação Missionária. E desde Outubro de 1999 até Setembro 2001 (apenas 2 anos lectivos) assumi as funções de Director da Equipa de Pastoral Universitária que dirigiu o CUFC. A «isto» se poderia resumir a crónica oficial da nomeação, sobre o modo de exercer o «múnus», partilhado colegialmente, com dois companheiros de Ministério exemplares: Pe. António Jorge e Pe. Georgino Rocha. Na totalidade foram apenas 4 anos de entrega intensiva. Conheci centenas Rostos e dezenas de Pessoas… isso gravei na areia e na rocha. Vou ser injusto mencionando, exclusivamente, um nome… a Srª Fernanda! Ela é a prova de que o melhor investimento na Pastoral passa pela qualidade dos nossos recursos humanos. É a síntese acabada na harmonia Serviço/Missão. Quero recordar nela todos(as) os(as) que não posso identificar com Justiça e Ternura… Há estórias por contar e História por assumir; há pecados bons e exageros maus; há limpezas e arrumações pela madrugada fora; há acampamentos e festas; há conversas intermináveis no bar e não só; há missas e algumas confissões… Tudo o que de bom possamos imaginar envolvido em lágrimas secas e gargalhadas sonoras! Depois sobra o «resto», uma aprendizagem e partilha contínuas. Terminando na despedida fraterna, ao jeito de Emaús, para o «Salto Missionário» – durante 9 anos no Maranhão, nordeste do Brasil – quando voltei/volto…, sucessivamente, ao CUFC, por intervalo de anos, dias, horas…, sempre me senti numa «casa de família». “-Amigos para sempre é o que nós somos”. Esta é uma das virtudes primordiais do CUFC: Ser-Casa-de-Família!

[2.] Sem Memória e sem Tempo de memória fecunda, não existimos e morreremos lentamente. Para nós Equipa Alargada da Coordenação do CUFC, penso que era clara a proposta plural de pastoral que o CUFC fazia em cada opção mínima. Quanto mais possibilidades de escolha os “consumidores” do CUFC tivessem, fossem eles quem fossem…, mais felizes seriam. A Pluralidade é um Dom; não é uma cedência estratégica. Pelos mais diversos serviços e meios, o CUFC queria “promover” “investir” e “vender” o «produto» da Fé, com um preço e uma Graça imbatíveis. A Cultura não era apenas a “vestimenta” ou o “papel de embrulho”. «-O Café no Bar não tem água benta!?» A Cultura estava para a Fé, como a alma para o corpo; o sol para a vida; o diploma para a ética; a encarnação para a salvação (libertação). Assim me encontro dentro do esforço primeiro, de refazer a Memória, nestes 25 Anos de Vida a Celebrar. Somos a Memória que temos, e dentro de mim, como “ossos do oficio”, há, sobretudo, muitas missas/celebrações belíssimas (preparadas exaustivamente em equipa), «A Bênção dos Finalistas»; diversas campanhas/caminhadas para os tempos fortes da nossa Fé (Advento-Natal e Quaresma-Páscoa); cursos, conferências e tertúlias informais; quanta criatividade renovada, ano após ano, no sentido de aquecer o coração e renovar criticamente as nossas Atitudes, no meio que vivíamos… da maneira em que dávamos o Testemunho nesse mesmo meio: como alunos, funcionários, professores ou assumindo outra condição qualquer.

[3.] Transpirar humanidade. O «ambiente» dentro do CUFC (e dele irradiando para fora…) dizia a Fé que tínhamos e a maneira como a vivíamos. Às vezes imagino que a «nossa» Igreja é comparável ao «gigante» nas Viagens de Gulliver. O enorme gigante que somos enquanto Tradição, está amarrado com regras, regulamentos, normas e procedimentos. E nós “pequeninos”? Andamos por toda a parte e fazemos o que queremos. Sem esta responsabilidade livre talvez não mereçamos existir e partilhar o presente, com a Saudade do Futuro. Entretanto, a nossa vida comporta imprevistos saudáveis. Também há a «terra de Gigantes» ou uma «raça de cavalos»… As «Viagens do CUFC», viagens com e sem regresso…, imensas histórias com Final Feliz… Graças a nós e a Deus que se faz presente no Sentido consciente das nossas vivências! Somos um imenso nó de relações. Mais uma inconfidência “profissional”. Presidi, «recentemente», a um Casamento de Antigos «Cufcquianos»… ao meu lado o «Mistério do Amor»; que momento de Gozo e Liberdade! Nós os «habitantes do CUFC», filiados no sangue e no coração, nesse «Oásis» perdido evangelicamente enquanto Deserto Fértil. Somos e seremos o ADN que quebra o feitiço da interminável meia-noite sem sentido; uma Academia para a Vida Plena e Abundante. As Amizades construídas para uma vida inteira! Que Bênção e que Dom!

[4.] O Tempo pode ou não curar tudo. O Tempo certamente transformará tudo à sua volta. O meu tempo depois do «CUFC», curou e transformou muito em mim: como padre, como pessoa e como aveirense. Ainda tenho algum TPC por fazer. Sinto uma enorme perplexidade ao escrever sobre estas vivências. Ao ter diante da memória os sentimentos mais íntimos e as causas mais evangélicas, fico quase desnudado. Mas necessitava partilhar estas reflexões soltas para ficar reconciliado. Assim seja. Que o nosso «Centro», enquanto espaço aglutinador, continue a unificar-nos, diante das nossas divisões, no pensar e no agir; que o ser «Universitário», cada vez mais se defende a Universidade para Toda-a-Vida, seja a profecia por cumprir à maneira «cufcquiana», sem complexos, mas com muita cumplicidade familiar; que a «Fé», seja adesão inteligente do coração; a Fé que confiante celebrará as nossas dúvidas abertas com generosidade e pertinência. Fé que aprenderá a resistir no anonimato das massas (sal e fermento sem medo!): na sala de aulas ou laboratório, na cantina, no cinema, na «queima», na investigação ou diversão, pelas ruas da cidade ou no quarto sozinho, Etc. E por último, que a «Cultura», ao modo do Mestre Pe. Arménio, uma cultura cristã adulta (e não infantilizada pelo preconceito…), nossa matriz madura (sabendo as «Razões da sua Esperança») e “sem pó”, com a ousadia da humildade; sem medo de errar e ser alegre, na sua proposta de convite, enquanto acolhimento Ético. São os meus votos agradecidos ao CUFC e à Comunidade Universitária que ele continuará a servir. Até ao reencontro nos 50 Anos! Deus nos ajude a sermos mais fiéis à Verdade!

Pe. Pedro José, Gafanha da Nazaré, 18-01-2012, caracteres (incl. esp) 6502

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