Sobre o que fica para sempre

Sobre o que fica para sempre

         A nossa Vida por vezes fica suspensa num momento intenso de fruição. Sentimos por dentro que esse momento de fruição é a felicidade-já-quase-completa; não podemos ambicionar mais nada. Um dia assim vivido é restaurador. Podem ser apenas algumas horas. Esquecemos todas as dores de cabeça. Chega o momento da despedida e impõe-se o Silêncio… Sentimos um aperto intenso. Estranhamente a Angústia não conduz ao Medo. Perplexos mas realizados. Será a última vez que vamos estar juntos? O que é que ficará para sempre, que não sendo meu também não é teu?

      O que fica para sempre… é a dedicação a uma Causa. Nenhuma causa é pequena se for tocada pelo Divino. A devoção genuína de que estamos a perseguir a “vontade de Deus”: na Fidelidade ao que é verdadeiramente Humano. O segredo da vida profética alimenta-se do incómodo de não gastarmos todas as energias, que estão ao nosso alcance. Só nos revemos numa pessoa que respira as causas da existência: as causas dos espoliados da Esperança. A Missão encarnada porque delimitada a suor e sangue.

         O que fica para sempre… é a Generosidade na Amizade. A cumplicidade dos afectos…; a ternura das fraquezas e a honestidade dos erros…; o bom humor da auto-crítica…; a repetição genial das mesmas boas histórias…; a recordação só devida à singularidade das pessoas; o que fica para sempre é a nossa criatividade a serviço do trabalho…; o espírito de equipa sem vedetismos nem metas curriculares…; as apostas perdidas de barriga cheia…; o ócio bendito após a exaustão ritual.

              O que fica para sempre… é o brilho nos olhos. Podem as pernas não ter a mesma agilidade apressada e os braços não acompanharem com precisão o copo à boca… Pode a garganta secar e diluir a voz… O cabelo cair lentamente… os dentes se ausentarem… Enfim o Corpo perder vigor e transformar-se a Beleza a si própria; mas ao olhar não se engana. No seu brilho solidifica-se a transparência da Alma doada: a razão da nossa Fidelidade. Esse brilho fiel fica sempre na Memória.

           O que fica para sempre… é o-obrigado-por-tudo. Mesmo sem dar tudo o que era merecido…; sem ti não tinha subido aqui e descido ali… sem ti não tinha conseguido chorar com pudor, nem rir apesar da dor; sem ti tinha desistido, na primeira indecisão…; sem ti o medo paralisava… E a Cruz, de cada dia, agonizava, lentamente, o resto das minhas poucas forças… ser mais Cirineu. Contigo atravessamos o “Mar Vermelho” durante uma “Noite Escura”! A multidão alienada e a fome de Deus não foram causa de desunião, nem greve para a Consciência. Contigo Rosto Amigo… continuarei acreditar que a Vida partilhada: faz-todo-o-sentido. É dando que se vive, e quanto mais se dá, mais se vive para a eternidade! Profecia agradecida ao Pe. Manuel Neves.

                                                   Por: Pedro José, Gafanha da Nazaré, 28-11-11, caracteres (incl. esp) 2709.
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