Livro “O Céu existe mesmo” (original “Heaven is for real”, Todd Burpo, 2010) – brevíssima apreciação crítica

 

“O Céu existe mesmo: a história real do menino que esteve no céu e trouxe de lá uma mensagem” – Por TODD Burpo (com Lynn Vincent), Ed. Lua de papel, Alfragide, 82011, pp.159. Obs. 65.000 exemplares – o livro de 2011 mais vendido em Portugal (…lia-se na capa do livro).

 

Chegou-me aos olhos por mão amiga: – Quer levar para ler? Resposta minha: já ouvi falar…lembrava-me da publicidade na TV, – e que raro a publicidade na TV a bons livros, sobretudo incentivo aos “clássicos” que são sempre bons, e aos Outros, aqueles que o são para sempre mesmo sem ser “clássicos”. Entretanto, numa tarde em que aguardava exames médicos “limpei-o”. Precisava ocupar o tempo com uma leitura “fácil”. Esta leitura fez-me recordar outras, com semelhanças e diferenças (com mais semelhanças sem dúvida), tais como: “Conversando com Deus” de Neale Donald Walsch (comprei apenas 2 volumes…); “A Cabana” de William P. Young (também oferecido por mão amiga). Há outras que não menciono para não ser exaustivo. Sempre leituras “leves” sobre Deus. Será a leveza impedimento ou insustentável? Deus é um “assunto” sempre «leve», sem deixar de ser profundo e denso.

O livro está centrado no relato – após experiência traumática – duma criança – Colton (normal ou sobredotada? Todas as crianças são “génios” em assuntos divinos, creio eu…). Numa reflexão sobre o «ser criança» o autor (pai, pastor «evangélico», ajudado por uma experiente jornalista, em co-autoria) refere: [1.]“O que é a humildade de uma criança? Não é falta de inteligência, mas sim falta de malícia. Ausência de segundas intenções. É aquele tempo precioso e fugaz, antes de acumularmos orgulho ou posição suficiente para nos preocuparmos com o que as outras pessoas pensam. (…) É o oposto de ignorância – é uma honestidade intelectual: estar disposto a aceitar a realidade e a chamar as coisas pelos nomes, mesmo quando é difícil” (p.84).

Outras passagens mais significativas: [2.] “Na minha mente, vi Jesus, com Colton ao seu colo, a ignorar todos os graus de seminário, a derrubar pilhas altas como arranha-céus de tratados teológicos e a reduzir palavras caras como expiação e soteriologia a algo que uma criança conseguisse compreender: «Tive de morrer na cruz para que as pessoas na Terra pudessem vir ver o meu pai.»” (p.114). [3.] “- Papá, ninguém é velho no Céu – disse Colton. – E ninguém usa óculos.” (p.122). [4.] “- Mamã, o Diabo ainda não está no Inferno – disse Colton, em tom quase severo. – Os anjos andam com espadas para não deixarem o Diabo entrar no Céu!.” (p.132). E última citação a mais longa: [5.] “As pessoas têm-nos feito também outro tipo de perguntas. As crianças, principalmente, querem saber se Colton viu animais no Céu. A resposta é sim! Além do cavalo de Jesus, ele disse-nos que viu cães, pássaros, até um leão – e o leão era amistoso, não feroz.

Muitos dos nossos amigos católicos perguntaram se Colton viu Maria, a mãe de Jesus. A Resposta também é sim. Ele viu Maria ajoelhada perante o trono de Deus e noutras ocasiões, ao lado de Jesus. – Ela ainda o ama como uma mamã – disse Colton.

Outra pergunta que as pessoas fazem muitas vezes é como é que a experiência de Colton nos modificou. A primeira coisa que Sonja vos dirá é que nos quebrou completamente. Os pastores e as suas famílias estão geralmente mais confortáveis no papel de «ajudantes» do que de «ajudados». Sonja e eu sempre fôramos aqueles que visitam os doentes, que levam as refeições, que cuidam dos filhos dos outros em alturas de necessidade. Éramos categoricamente autossuficientes – talvez, em retrospetiva, ao ponto do orgulho. Mas aquele período angustiante no hospital partiu o nosso orgulho como se fosse um raminho seco e ensinou-nos a sermos humildes o suficiente para aceitar a ajuda dos outros, física, emocional e financeiramente. (…) A história de Colton modificou-nos também de outra forma: somos mais ousados. Vivemos numa época em que as pessoas questionam a existência de Deus. Como pastor, eu sempre estive à vontade para falar da minha fé, mas agora, além disso, falo sobre o que aconteceu ao meu filho. É verdade e falo sobre ela, sem pedir desculpas” (pp.148-149).

Brevíssima apreciação crítica. As 159 páginas estão bem resumidas no essencial (pelas citações escolhidas). Não adianta esperar mais, pois já está tudo “espremido”. As releituras que possam existir não melhoram em nada o proveito (seja de qualquer ordem). A finalidade da obra não é, digamos, literária ou estética, é «testemunhal», na esfera da «profissão religiosa». A reflexão teológica não é defraudada, porque não é chamada a estar presente. Contudo, pretende-se num espírito de “evangelização”, por tolerância, consensos de entendimento ecuménico. Sem proselitismo ideológico. Faz bem ler? – Mal não faz. Haverá outros desafios? Sem dúvida que sim. Diante de mais um «fenómeno de massas» não podemos fazer uma leitura superficial daquilo que questiona os fundamentos da existência. É preferível gastar a via da racionalidade simbólica e crítica. A «Via Testemunhal» é muito mais rica do que as «visões» do Céu…, do Inferno…, Purgatório…, da Alma… etc… Existe o realismo ficcional do dia-a-dia, grávido de divinização subtil, em ordem a uma liberdade de resposta dispositiva e encarnada na história da pessoa comum. Nessa sim Deus interessa-nos particularmente.

Por: Pedro José, Gafanha da Nazaré, 21-10-2011. Caracteres (incl. espaços) 5023.

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2 respostas a Livro “O Céu existe mesmo” (original “Heaven is for real”, Todd Burpo, 2010) – brevíssima apreciação crítica

  1. Pingback: “Uma Prova do Céu” por DR. Eben Alexander | Lazer & Labor

  2. Edson D'Alcantara Rodrigues Coimbra diz:

    Sim. O Céu existe mesmo!. Eu sei que o céu existe, porque eu creio !

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