aspas de agosto

 

aspas de agosto 

 

1. O Douro foi a minha casa de 4 a 7 de Agosto. O Douro é uma civilização telúrica. Alguém escreveu “não conheço nenhuma “infinity pool” que deite vista tão sublime… No Douro, a paisagem é a memória da lavoura e não a vaidade do homem. O Douro celebra-se por contemplação. (…) De resto, o sangue corre pelo vinho mas a alma corre pelo rio: tudo o que é vintage, no Douro, é para degustar com os olhos” (Pedro Rosa Mendes). O Rio Pinhão foi o nosso baptismo diário na pureza d’alma e no corpo. O acolhimento total das gentes generosas fica também na memória dos olhos e no recanto mais profundo do coração.  O contexto vital foi sugerido pela 3ªsecção do Agr. 1024 – Gafanha da Encarnação. O grupo de lenço azul tem potencial, dentro da imaturidade requerida pelo crescimento. Estamos no ponto de partida. A meta estará no horizonte e cada passo no presente vale a conquista da identidade própria.

2. O ser humano como um ser para a morte. A morte dá um sentido ao tempo ao limitá-lo em relação a nós. Daí a angústia existencial, atroz agulhão repetido num dia-a-dia, sem sentido imediato. Temos a esperança incondicional. Ela chegará a tempo!? Absurda a morte vista como Infortúnio; pode assumir-se como o Drama dum atropelamento numa passadeira (!…), apesar do paradigma da segurança. Não havia velocidade a mais…!? Ausência de álcool. Apenas… mais um acidente trágico e redundante. Um acidente fechado, sem luz. O virar impossível da página. Porquê? Não há porquê. Um entretanto mais distensivo. Logo pela manhã, a serenidade da Fé presidiu ao duplo funeral, em dois dias sucessivos pelas 10h30. Em tudo se dispõe como presença unitiva na dispersão caótica dos sentimentos. Tentei ser a presença disponível: sombra e silêncio. Retenho a edificação duma história vocacional de consagração humanamente perfeita: o serviço e a amizade, até ao fim quase absolutos. Assim começa a Vida Eterna.

3. Tenho que programar as minhas “aspas de agosto”. Agosto é férias e eu que não sei mais o que são férias programadas. Ironia laboriosa. Não por desgosto, mas por falta de normatividade. Minha agenda livre, sabendo que o que não está no horário não existe. Falta-me a confissão sacramento. Ir lendo o que estiver à mão e também o que vai ser exigido pelos próximos compromissos “pedagógicos”. Ler a vida, o momento, e claro o jornal diário, e também, o quinzenal. Viciado em jornais. Ler a vida sem rede. As refeições em família e as visitas aos familiares. A comensalidade a toda a prova. O sol… a sombra…, o tempo livre…, e as contas por usar em gratuidade. A leveza sem explicação do aquista. Continuar a insistir na Esperança. A falta que nos faz a Esperança virtude. Ser esdrúxulo mas contido; abnegado porém simples. Mais simplicidade. É pouco mas é suficiente.

Pedro José, Borralha, 11-08-2011.

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