Argumento do xadrez: praticar sem resistência

Argumento do xadrez:

praticar sem resistência 

Sendo denso, sem parágrafos, correndo o risco de atravessamentos indevidos. Comecemos por ler um pouco e pensar no que não está escrito. Poderá ser exigente mas é desse modo que a nossa imaginação vai funcionando. Estranha atracção para o desconhecido. Já no caso da reflexão: lemos e pensamos no que está escrito. Abrirmos a porta estreita e a porta larga da percepção, enquanto acto de conhecimento. Por último, não necessariamente por esta ordem, na meditação, o que não está escrito e o que está escrito, são recriados para além do escrito e do não escrito (quase redução ao absurdo). Serão experiências e frutos independentes? Convencido de que não. Apresentamos o que foi lido: (…) Claro que Deus podia sempre colocar-me em xeque-mate antes de eu conseguir fazer-lhe o mesmo. Mas se Deus — por uma razão qualquer — pudesse fazer-me entrar num jogo de xadrez e deixar que eu o colocasse em xeque-mate, então Deus não poderia ganhar aquele jogo de xadrez. Poderia aniquilar-me e ao tabuleiro de xadrez, mas não poderia ganhar aquele jogo”[1]. Sendo assim temos aqui um caso puro, quase perfeito na imaginação, reflexão e meditação. Só é preciso aplicarmo-nos enquanto jogadores perante a jogada vital/fatal. Deus é o discurso preferido para a nossa imaginação, reflexão e meditação diárias. Deus dos vivos e dos adormecidos. Deus dos que sabem ver na Lei um caminho árduo para a Liberdade. Deus que se deixa pôr em “xeque-mate” pelo puro devir de “jogar” em consciência o viver em todos os pequenos detalhes. Este Deus desconhecido é amado e adorado – pela aproximação aos irmãos -, ainda que não queiram ou não saibam jogar um “jogo de xadrez”, sob o silêncio das estrelas. Seremos tão contraditórios? Até muito profundamente à superfície. Deus está para além de todas as contradições. Bem haja um Deus assim: sem imagem e sem semelhança, que sejam estranhas à nossa condição humana.

  

Por: Pedro José, Gafanha da Nazaré, 28-06-11. Caracteres (esp.incl.): 2020.


[1] William L. Rowe in Introdução à Filosofia da Religião (Lisboa, Verbo, 2011): http://criticanarede.com/deus.html, acesso: 21-06-11.

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