“Santíssima Trindade Adoro-Vos Profundamente” (Meditação: Ex 34,4b-6.8-9; 2Cor 13,11-13; Jo 3,16-18 )

“Santíssima Trindade Adoro-Vos Profundamente” 

Meditação: Ex 34,4b-6.8-9; 2Cor 13,11-13; Jo 3,16-18 – Santíssima Trindade – Ano A

 

Ontem por razões de trabalho estive em Fátima. E «estar-em-Fátima» cria em todos nós uma referência, um contexto vital, que ao nível da experiência-de-fé, são únicos.

Veio ao caso que “fui apanhado”, sem querer, pela organização do santuário quando propõe aos peregrinos, e restantes visitantes avulsos, para a celebração do centenário das Aparições em Fátima (1917-2017) o lema/tema/slogan/oração de fé…, utilizemos a expressão que preferirmos, “Santíssima Trindade Adoro-Vos Profundamente”. A sintonia com a Palavra de Deus e restantes orações do ritual na primeira solenidade do tempo comum é uma sintonia quase completa. Hoje, perante a Santíssima Trindade é grande o “dado litúrgico”: incomum e descomplicado. Onde se foi encontrar inspiração e fundamentação para tal lema, que toca o cerne do diálogo inter-religioso (com reservas que não estou em condições para aprofundar, passa a redundância).

No relato das aparições ficamos a saber que “na Primavera de 1916, os três Pastorinhos estavam a guardar o rebanho junto da Loca do Cabeço. Enquanto brincavam, vêem aproximar-se uma figura que a Ir. Lúcia descreve como “um jovem dos seus 14 a 15 anos, mais branco que se fora de neve, que o sol tornava transparente como se fora de cristal e duma grande beleza”. Conta a Ir. Lúcia:

“Ao chegar junto de nós, disse:

– Não temais! Sou o Anjo da Paz. Orai comigo.

E ajoelhando em terra, curvou a fronte até ao chão e fez-nos repetir três vezes estas palavras:

Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.”[1]

Com Moisés nós também caímos de joelhos e prostramo-nos em adoração, se queremos ter aceitação aos olhos de Deus (cfr. Ex 34,4b-6.8-9). Crianças adoraram em 1917, com a sua cultura, formação religiosa e assim se expressaram para contar essa experiência em profundidade (a Igreja, as Autoridades, a Sociedade, etc. ninguém as compreendeu… os “sedentos”, “humildes”, “peregrinos”, esses sim…). Mais, o Anjo (mensageiro/mensagem de Deus para nós…) apresentou-se com “Anjo da Paz” (nacionalismos à parte). Hoje, o nosso tempo social, a nossa economia global (com preços de alimentos…, matérias, combustíveis…, a bactéria E.coli. e suas consequências imprevisíveis… etc.), a nossa administração política (fora de controle aparente… com e sem conspirações) faz-nos ver, aos Olhos-da-Fé (e até temer por falta de Amor, que é Justiça em Acção) a exortação afectiva de Paulo: “Deus do amor e da paz estará convosco. Saudai-vos uns aos outros com o ósculo santo” (cfr. 2 Cor 13, 11-13). O adoro-Vos em profundidade é acreditar que “Deus não enviou o seu Filho ao mundo para o condenar o mundo” (cfr. Jo 3, 16-18).

Quero adorar… não apenas a minha esposa/marido; o meu “animal de estimação”; minha “roupa de marca”; o mar e suas ondas, o por do sol; o bom vinho e a boa cozinha; o meu Corpo sem dores e com esplendor, etc, etc[2]. Mas não podemos/devemos parar nas “coisas/situações/relações” sem ir à Fonte, ao Fundamento de Tudo.

Quero continuar (e/ou começar) adorar-Vos PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO… Quero contar o “tempo-da-crise-que-está-para-ficar”, enquanto povo e cultura, inscritos e relidos para além do que foi para nós Fátima em 1917… Com ajuda de Fátima e com os olhos em 2017, dizermos um pouco diferente – sem intentos de heresia individual descartável, louvores para os créditos da Comissão Teológica para as comemorações do centenário – daquilo que o Anjo da Paz disse e rezou com os pastorinhos:

“– Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão quando não sou capaz de crer; quando não sou capaz de adorar; quando não sou capaz de esperar; e sobretudo, quando não sou capaz de amar.”

Nosso tempo está desde “muito cedo” com Moisés; está “beijado” pela teologia Paulina; está reflectido na “luz cristalina”, do anjo em Fátima, – tudo sem sincretismos, mas pressentindo o fio condutor do tempo na História – e mais uma vez, está no hoje cultural, “porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo”.

 

Por: Pedro José, Gafanha da Nazaré, 19-06-11. Caracteres (esp.incl.): 4013.


[2] Recordamos a frase, insistentemente, atribuída de G. K. Chesterton: “Quando os homens não acreditam mais em Deus, isso não se deve ao facto de eles não acreditarem em mais nada, e sim ao fato de eles acreditarem em tudo”.

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