sacramentalidade na morte

 

sacramentalidade na morte

 

Os funerais sucedem-se como números dispersos em género e identidade; são histórias abreviadas; muitas ou poucas lágrimas mas demasiados silêncios sufocados. Guardo com piedade e estatística todos os santinhos. Sinto que na realização dos funerais sou mesmo diferente naquilo que penso; perfeitamente igual ao que acredito em profundidade. Tremor e pequenez.

As leituras bíblicas são escolhidas na teologia ressuscitadora do génio de Paulo; no evangelho a opção é entre Mateus ou João. Não sou capaz de outras variações litúrgicas. Gostava de recitar poesia “clássica”, nada de modernices. Procuro a segurança na Voz apesar de intuir a incerteza do Olhar. Olhos nos olhos, enquanto o coração vai arrefecendo. Consciência da Angústia: «ser-para-a-morte». Por isso a posse é simples e respeitosa. É preciso confortar as pessoas. Ser ponte digna diante da Morte.

Não sei como fazer melhor do que faço… talvez a túnica não deixe ver o colorido da minha camisa!? Não consigo mas as pessoas merecem que eu aprenda a fazer, até morrer. Suprema ironia. A Igreja é sempre mestra… “a vida não é tirada mas transformada”. É possível fazer melhor. O «fazer» é um «como fazer»; que é um ser pessoal, solidário e lúcido de esperança.

A sacramentalidade na morte: a realidade aparece-me como que sem filtros, após os funerais. O absoluto do discurso de Deus, sob a luz do silêncio, sob a paz e sob o serviço ao próximo, na proximidade da família e amigos. Não somos nada se não decidirmos ver na Morte o sentido para a Vida. Deus não é solidão. Na morte individual somos juntos com o Divino, comunhão de forma personalizada.

Não podemos “perder” mais tempo; “basta-nos” ganharmos Sentido da Vida como Dom.

  

Por: Pedro José, Gafanha da Nazaré, 17-06-11. Caracteres (esp.incl.): 1686. 

 

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Uma resposta a sacramentalidade na morte

  1. Evaldo Carlos de Oliveira Cardoso diz:

    Não por coincidência, mas por providência, este texto traduz o que nos últimos dias tivemos de experimentar: a perda da mãe, da nossa mãe Angelina. Ainda estamos um pouco desorientados, mas confortados com as palavras e presenças amigas.

    Um abraço!
    Professor Evaldo Carlos

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