Cumprir por Paul Beauchamp- comentário Mt 5,17-37.

                        CUMPRIR

 
Por Paul Beauchamp (*).
Comentário: Mt 5, 17-37: Ano A – Tempo Comum – VI (13-02-2011)
 
         Jesus ensina que é preciso “fazer mais”?
“Cumprir não é fazer mais, é somente fazer até ao fim”. (…)
Para cumprir, indo até ao fim, é preciso partir do começo” (p.103).
Abre-se, então, um caminho livre, desembaraçado. Procuremos o começo.
 
«Tu não matarás» (Mt 5,21-26).
         O começo do homicídio é a cólera.
         O tema do começo é feito através de “curta-metragens”. Jesus exercita-nos na nossa memória: volta-me ao espírito o que o meu irmão me quer. A finalidade de Jesus é desmontar a “mecânica da violência”. A violência é “desatada”, neutralizada, no próprio lugar que ela escolheu sempre: o começo. “Quem começou?” esta é pergunta favorita do violento. Ela vem aos lábios das crianças desde que elas sabem falar e querelar.
        O bem mostra ser o bem, pelo simples facto de esquecer esta questão.
O começo é ele mesmo; o começo é ele, o bem, e nada mais.
Se eu sou discípulo, a dor do irmão importa-me mais do que a falta, mesmo ela sendo a minha. Se, pois, a recordação da dor retorna à mente, eu voltarei a fazer em sentido inverso o caminho do altar, não sem ter deixado diante dele a minha oferta.
 
«Tu não cometerás adultério» (Mt 5,27-30).
          …Crês tu não ser adultero, porque somente o teu olho, ou somente a tua mão pecaram? Remonta, além de teu olho, à cobiça que está em teu coração. Partindo daí, até onde, no caminho do mandamento, teus actos deverão ir? A tirania da imagem e a do mutismo confiscam todo o domínio do sexo.
 
«Tu não perjurarás» (Mt 5,33-37).
           Isolemos na linguagem uma zona onde a verdade nos seja garantida. Jesus quer que o sim seja um sim, ou que o não seja um não. Ele o quer sempre, e não numa zona protegida do discurso. O discurso mais falso não é aquele que diz sim em vez de não, ou o inverso, mas antes aquele que se instala no “nem sim, nem não”, nada mais do que o ne-trum [Utrumque: um e outro; ne-utrum: nem um, nem outro], o neutro que vem preencher o seu vazio com tudo “o que se diz a mais”.
          “As nossas sociedades que abusam da exigência de juramento (não acontece isso na Igreja?), arriscam ser punidas pela invasão desse discurso neutro e precavido que esmorece a atenção, por ter empenhado a palavra em demasia”(p.107).
 
  
(*) FONTE: Cfr. BEAUCHAMP, Paul, A Lei de Deus: De uma montanha a outra,
Editora Unisinos, São Leopoldo – RS, 2003, pp.103-107.
 
Por: Pedro José, Gafanha da Nazaré, 10-02-2011. Caracteres (esp.incl.): 2144. 
 

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