Ouvir o que é preciso (o que precisamos). Comentário: Mt 4,23-19 (+1Cor 1,10-13.17)

Ouvir o que é preciso

(o que precisamos).

Comentário: Mt 4, 23-19 (+ 1Cor 1,10-13.17): Ano A – Tempo Comum – III (23-01-2011)

        O evangelho do chamamento (Mt 4,18-20) é uma visita ao nosso interior: ao centro onde radicam as nossas decisões profundas. Nesse terreno interior actua a nossa consciência, o nosso coração, pois as decisões envolvem a nossa realização como pessoas. Jesus chama-nos para que ao sabermos a sua vontade sejamos pessoas “felizes”. Qual é a felicidade do evangelho? Como se é feliz no seguimento cristão? A resposta de Jesus é uma proposta singular (velha e nova): “Convertei-vos, porque o Reino de Deus está próximo” (Mt 4,17).

     Hoje e sempre a vida nos reserva a capacidade o mesmo é dizer a oportunidade de saber escolher. Quem não faz a “aprendizagem-de-saber-escolher”, acaba por ser escolhido. O chamamento do evangelho tem o apelo às nossas melhores escolhas dentro do Reino de Deus. O Reino é um projecto inclusivo. Jesus tem consciência de que a chegada do “Reino” está ligada à sua pessoa. Jesus chama pessoalmente. Trabalha pessoalmente. Influencia pessoalmente. Eis o segredo da obediência que responsabiliza e liberta.

    O evangelho proclama que «o reino dos Céus» está ao nosso alcance, mas é preciso “querê-lo a sério”, com muita atenção ao «mandamento novo». O Reino de Deus está presente ou desaparece, aproxima-se ou se distancia, conforme a nossa vontade de conversão.

     Nesta necessidade de conversão (mudança interior: mentalidade, valores,…), Paulo põe o dedo na ferida. Faz a crítica à falta de compromisso maior. Desmonta todos os esquemas: nem culto de personalidades (“imprescindíveis”; “inamovíveis”; “incensados”; “puxa-sacos”…) nem «sabedoria de palavras» (1Cor 1,12-13.17). Ninguém é mais ou menos importante só por ter ouvido ou trabalhado com A, B ou C. O valor das nossas acções só é alcançado se procurarmos a Verdade e da Vida. Ou se quisermos um exemplo concreto: Que sentido é que faz, neste contexto, dizer que só se vai à missa se for tal padre a presidir? Que sentido é que faz afastar-se da comunidade porque não gostamos da atitude ou do jeito de ser deste ou daquele animador? Que sentido é que faz eleger e participar em “comunidades-de-afecto” e não em “comunidades encarnadas”?

     A «procura da felicidade» que alimenta os nossos sonhos não passa de ingenuidade, se não virmos como ela se realiza na seriedade no dia-a-dia. Exigir com boa disposição o esforço de todos nós em melhorar a nossa qualidade de vida. Só é “vida a sério” aquela que se esforça por nos fazer cada vez mais felizes. Ninguém pode ser feliz sem comunidade de referência. Que os nossos ouvidos possam ouvir o que precisamos.

FONTES: 1.Cfr.MANUEL ALTE DA VEIGA, «DESENREDAR-SE» NÃO É «DESENRASCAR-SE», http://www.prof2000.pt/users/avcultur/altedaveiga/litpag000.htm, 2.cfr.http://www.ecclesia.pt/cgi-bin/comentario.pl?id=478, acesso: 22-01-11; 3.cfr.Missal Dominical – Paulus, São Paulo, 1995, pp. 668-669. Por: Pedro José, Gafanha da Nazaré, 21-01-2011. Caracteres (esp.incl.): 2526.
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