Que futuro me espera? – apontamento biográfico 03

 

Caro AMIGO!

(Uma resposta escrita e pensada ao sabor da tua resposta/partilha… Sei que preciso sempre dum bom motivo; se ele não existe, eu invento. Estarei desculpado!?)      

          Estou a precisar de um retiro… mas é de “30-dias-sem-parar” mas desconfio que não encontro pregador à altura que queira fazer esse serviço ou melhor essa terapia espiritual. Quero um retiro dado por jesuíta espiritual, que não tenha três cursos… sobre S. João da Cruz e sua poesia mística. Não haverá candidatos. Não encontro alternativa na agenda oficial. Não tenho padrinhos à altura. Mas com Deus tudo se arranja… (vai se arranjando) como quem diz, “quem não tem cão, caça com gato” (neste momento no apartamento da minha família reside um fabuloso gato preto, gordo q.b., que toma banhos diários de sol na varanda e “pastilhas” contra o cio… estás a ver a empatia natural/metáfora existencial, entre nós os dois celibatários professos).

          Estou a gostar imenso da discussão do orçamento (nada mais presta na TV); dos submarinos da “juíza” e do seu relacionamento extra-bélico, nem ouso comentar. Só mesmo nos salvará um tratado de não agressão à inteligência e bom senso. Onde está a moralidade? Muita bonomia light. Onde fica a programação/planejamento a curto, médio e longo prazo? Opções estruturais? Népias…

         Dos jornais e revistas que comprei e li emprestado, a maioria encontrei-os sem a profundidade que se esperava do pensamento já escrito. Ainda da TV… vejo um pouco de CNN para ativar o meu inglês sofrivel (aliás sem grande êxito). Estou sobretudo a ler coisas que comprei na viagem: nomeadamente, uma releitura e duas novidades: “2666” de Roberto Bolaño (tive de oferecer por imperativo ético, o primeiro exemplar comprado, depois de lido e fichado; o “Evangelho de Barrabás” por causa do tratamento à minha “bilis institucional-sociológica”; e uma biografia notável sobre Clarice Lispector da autoria de Benjamim Moser. Quanto à musica boa não tenho nada de bom ao pé do ouvido; então prefiro o silêncio dos pássaros.

        Preciso efetivamente de um bom retiro, isto é, fugir para mais longe… Patagónia, Viana (melhor cidade com qualidade de vida!?); Souto Rio (da parte da tarde); Castelo Branco, ou os Açores (em promoção na TV! única informal útil, mas em tempos de crise já sabemos todos a receita contra o desperdício: gastar sem pensar duas vezes…) e depois sabemos lá para onde ir!? Advinho já a minha escolha voluntariamente livre. Seria muito bom comer um borego “biológico”, na melhor tradição judaico-cristã. Conto fazer esse retiro secular (já sagrado). Tenho que me organizar bem, ir ao médico em primeiro. Consultar todas as especialidades, esgotar o plano de saúde e bem estar. A bexiga é a minha preocupação secundária, junto com o estomago e os intestinos: curioso tudo no mesmo Ministério Corporal. Novamente, as dúvidas recorrentes sobre a diferença real entre o “Dimple – 15 anos” e o “Chivas – 18 anos”. Hoje o empregado de mesa confundiu o pedido de lulas com o tamboril, assim a recuperação será necessariamente mais lenta. 

         A missa é o meu porto seguro (minha apólice); já não afirmo o mesmo sobre a liturgia das horas, não sei escolher sobre a edição brasileira ou portuguesa. O terço é também a minha oração de pobre malquerido e esquecido, ainda que bem amado. A liberdade da escolha está sempre diante dos meus óculos gastos e ressequidos pelo suor. O banho de água quente é uma heresia escatológica. Eu sou muito mais caro do que se supõe numa primeira impressão. Em boa hora a consulta pastoral com o Sr. Bispo já está devidamente agendada para o próximo sábado. Estou decididamente retirado, na medida do possível, com os anjos de Deus e meus próprios demónios de estimação e tentações conhecidas (não evitei o primeiro cigarro). Estou com as baterias em baixo, ligado á corrente humana e divina.

        Na “situação de noivo/noiva” à procura do melhor casamento (do melhor “partido”, tudo mundo dá sugestões…, faz torcida, e até aposta no resultado prevísivel. “Um prato bíblico de lentilhas”!?). Já conhecemos a qualidade da preparação do “CPM” eclesial. Por isso, a cabeça está um pouco agitada mas concentrada no que vale a devida importância separar. Não impor o valor próprio. Servir em liberdade e com coragem de ser. Para separar é preciso reparar. O coração arde em melancolia do bom português: sair do exílio não imposto. Não há parto sem dor e sem mamadeira! A saudade não é apenas um estado de espírito. O Evangelho de Jesus Cristo pede-me: as mãos abertas, os pés leves, os olhos compassivos e inteligência com lucidez (repetição de insegurança alheia). Rezei pela mudança, agora suplico Fé para continuar a ir em frente. Quero (e desejo mais) encontrar o perdido:“Encontrei a minha ovelha que estava perdida! (…) Encontrei a moeda que tinha perdido!” (Lc 15, 7 e 9). 

Darei mais noticias com brevidade desprogramada.

Obrigado pelas tuas palavras sinceras e certeiras (como sempre).

Do amigo, pedro josé. Borralha, 04-11-2010.

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