O pecado de perder: antevisão do Brasil X Portugal (Copa 2010)

 
 

 

O pecado de perder

 

 

A reflexão segue com o Eduardo Galeano(*), meu guru futebolístico, e prossegue com os meus parênteses retos, incisos de comentarista, ao melhor estilo Anti Galvão Bueno. Mas contra a campanha “Cala a Boca Galvão”, – com saudades eternizadas pelo Gabriel Alves: estás perdoado! -, jamais concordaria com essa proibição, pois se não houver golos…, vou-me divertir com o quê… naturalmente com o Galvão, claro uai!

 

 

“O futebol eleva suas divindades e as expõe à vingança dos crentes. Com, a pelota no pé e as cores pátrias no peito, o jogador que encarna a nação marcha para conquistar glórias em longínquos campos de batalha. Na volta, o guerreiro vencido é um anjo caído” [A publicidade da cerveja Brahma e seus Guerreiros, nada tem de empatia com o futebol estilo: made in Brazil! A ‘guerra’ é uma ‘dunguise’, salve seja! Mas digo sim à publicidade ‘coletiva’ – lucro para todos: massagista, motorista, preparador físico, engraixador, etc. – e não às estrelas ‘individualizadas’.] (192).

 

 

“Somos porque ganhamos. Se perdemos, deixamos de ser. A camisa da seleção nacional transformou-se no mais indubitável símbolo de identidade coletiva [Uso a camiseta portuguesa… diante da pergunta insistente: – Pra quem vai torcer padre? Digo que comprei a camiseta do Brasil…, posso votar nas próximas eleições…, e fora deste enfrentamento amistoso… Torço 100%. Mas que é isso dos 100%? Nem Deus o exige!?], e não só nos países pobres ou pequenos que dependem do futebol para figurar no mapa [O ou A, Gana está qualificado. Alguém sabe onde fica e qual é a história de Gana ?]” (193).

 

 

“No futebol, como em tudo o mais, é proibido perder. Neste fim [início de século e milênio…] de século, o fracasso é o único pecado que não tem redenção. (…) Culpa do futebol, ou culpa da cultura do sucesso e de todo o sistema de poder que o futebol profissional reflete e integra? Como o esporte, o futebol não está condenado a gerar violência, embora às vezes a violência o use como válvula de escape” [A maior sublimação do mundo vem pelo futebol apesar de todas as violências televisivas e comerciais e já agora culturais/religiosas: não se pode rezar em campo: mas pode-se matar…, fornicar…, mentir…, destruir… isso para a FIFA já pode… afinal o Vaticano pode muito pouco!? Religião e Futebol não se misturam, Política e Religião não se misturam, Arte e Religião não se misturam… estamos é todos(as) a ser bem misturados sem o saber…] (193).

 

 

“Um vazio assombroso: a história oficial ignora o futebol. Os textos de história contemporânea não o mencionam, nem de passagem, em países onde o futebol foi e continua sendo um símbolo primordial de identidade coletiva. Jogo, logo sou: o estilo de jogar é uma maneira de ser, que revela o perfil próprio de cada comunidade e reafirma seu direito à diferença. Diz-me como jogas que te direi quem és: há muitos anos que se joga o futebol de diversas maneiras, expressões diversas da personalidade de cada povo, e o resgate dessa diversidade me parece, hoje em dia, mais necessário do que nunca. Estes são tempos de uniformização obrigatória, no futebol e em tudo mais. Nunca o mundo foi tão desigual nas oportunidades que oferece e tão nivelador nos costumes que impõe: neste fim de século [início de milênio…], quem não morre de fome morre de tédio” (204).

 

 

 

Transcrito como anexo à oração de Laudes – futebol não é o ópio de segunda qualidade! – como preparação mental para o jogo: Brasil X Portugal. O duelo será entre o ‘mau humor’ de Dunga (-Qual mau humor qual quê! Verdadeiro enfrentamento da mídia em geral e da poderosa Globo, em particular…isso sim! Se perder a copa será-mais-que-crucificado!) e ‘sorriso produzido’ de Carlos Queiroz (o único que nos deu a alegria de sermos Campeões de Mundial Sub-21; se fosse o José Mourinho, era a anulação perfeita: um que tudo já ganhou coletivamente e outro que tudo poderá voltar a ganhar individualmente: a seleção é a sua cara metade). Com Cristiano e sem Kaká. Desde menino que sonho com uma final da copa em Português! Em 2006, a França atravessou-se no nosso caminho, ainda bem pois seria uma final antecipada. Agora pela disposição das chaves no ‘mata X mata’, o destino poderá ser redentor e não cruel. Curioso que o mau humor do técnico Raymond Domenech, mau perdedor para o técnico Parreira, que ao vencer a sua França por 2-1, com a sua desinibida África do Sul, não mereceu o aperto de mão do colega profissional. Fez-se justiça a quem deveria lá estar… Viva a Guinness, lata 440ml, a singular cerveja irlandesa! Sempre se poupava esta palhaçada humilhante. Mas o futebol não são só os Técnicos… eles são a Sombra. Apesar do sol folgoso do ídolo Maradona, ser um barato televisivo, em termos de showman, super produzido, mas temo que na hora H, de nada vão servir à sua querida Argentina, suas apresentações de rei-mono-civilizado!

 

Melhor título para Portugal é, naturalmente, ‘O Pecado de Perder’, para o Brasil é, artificialmente, ‘A Graça de Perder’. O bolão é para o empate: 3-3, que brilhem os artilheiros. Por essa coisa extra-ordinária do empate, é que os EUA, demoraram a gostar deste tipo de Jogo. Com o resultado do empate: ninguém ganha, ninguém perde, por isso, é que o futebol é uma guerra vencida; uma metáfora da felicidade de criança adulta…; uma analogia metafísica do ser versus ter…; uma estética com ética: saber perder bem, é saber viver apesar do mal!

 

 

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 25-06-2010.

5387 caracteres (com esp. incluídos). 10h30 (antes do Jogo!).

(*)FONTE: GALEANO, Eduardo, Futebol ao sol e à sombra,

Edição L&PM, Porto Alegre, 31995, pp. 192-193 e 204.

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