Diário Máximo (17-06-2010): alguns impedimentos graves, dentro e fora da copa.

 

Diário Máximo (17-06-2010):

alguns impedimentos graves, dentro e fora da copa.

 

 

[1.] O recente ‘pasquim’ xerocado e comentado em plena rua é mais que uma bola “furada ou roubada”, no meio da multidão que assiste ao jogo da vida. As pessoas não são descartáveis. Muito menos quando se trata de figuras ou autoridades públicas, ou pessoas (in)vulneráveis pela idade, formação, cultura, condição física, psicológica ou de outra ordem. Ninguém deve fazer justiça pelas próprias mãos, através da língua (suja ou limpa), refugiando-se no dinheiro (ao serviço do poder ou da função), em meios torpes, para fins ainda indefinidos, mas necessariamente indignos; em campanhas rasteiras e altamente perigosas, etc. Deve haver repúdio imediato, perante quem é intolerante e covarde; sobre quem destrói violentamente as regras mínimas da convivência, num estado de direito democrático. Quem trata o próximo como se fosse lixo; prova que não tem o que fazer… e faz do “luxo-de-ser-livre” um perigoso lixo não reciclável. Liberdade de expressão não é fazer lixo (ódio jogado à coletividade institucional…) nem apenas ter mais um luxo (anarquia individualista…) é direito/dever comunitário ao respeito, à boa-a-fé, à inocência até julgamento justo, entre outros requisitos inafiançáveis e invioláveis.

 

 

[2.] A Ética (no âmbito da comunicação) como o cimento na construção da Cidadania não pode ser arruinada, "pervertida" pelo espírito anárquico (refugiado no anonimato invisível ou no terrorismo visível…) que submete tudo à lógica do anti-poder, transformando o mundo de certezas e tolerâncias em aparências e desfigurações horríveis. Caluniar não é apenas pecado grave é, sobretudo, crime judicial. Há noticias que o povo não precisa de saber: quando se trata de notícias não comprovadas pela Verdade dos fatos, mas afirmadas na suposição de opiniões que fedem a doentia diarréia mental. Há tratamento e medidas já conhecidas para quem sofre dessa indisposição social. Melhor seria aceitar isso, do que escolher o risco da imposição pela força da Lei e do Direito.

 

 

Bola_Jabulani[3.]  “O homem que joga com uma bola nos pés, tem a seu favor a sua humanidade: só o homem dispõe-se ao lúdico, ao jogo pelo jogo” (Enio Squeff). Quem ganhará a primeira copa africana? Será a Adidas (com ajuda da mal amada "Jabulani", e com os equipamentos dos senhores árbitros; sem mencionar a grande parte das seleções (em número de 12); informam-nos até que o Messi calça a nova chuteira F50 adiZero, que pesa apenas 165 gramas e é apontada pela Adidas como a mais leve do mundo); ou então a eterna rival Nike? Ou até, em minoria, a Puma ou a Umbro (esta já comprada pela Nike)? Confesso que ainda não fui capaz de fazer todas as contagens. Há um caso paradigmático: é mais que lamentável ver a seleção brasileira ‘vendendo’ marca de cerveja. Eu gosto e bebo cerveja. Porém o problema vai além do “gostar” e se compreende melhor a sua gravidade, sem desafetos preconceituosos, em nota de rodapé, ironias à parte [1].

[3.1.] Conclusão antecipada e já conhecida: o investimento em marketing diversificado é fortíssimo e o seu retorno é assegurado ao máximo. Exceção feita à beleza “impedida” das torcedoras holandesas (o problema estaria na cor ou tamanho das minissaias, nos corpos esculturais, nos óculos escuros, ou apenas… na oposição entre a cervejaria americana Budweiser – que é a cerveja oficial – e a marca concorrente da cervejaria Bavaria NV).

[3.2.] Uma coisa é certa assistimos à globalização-do-futebol-brasileiro (a TV Globo é a ‘puxa-saco’ oficial da seleção…; a Band é a anti-seleção, declarada e desleal, chega a ser ‘baixa’ em alguns dos seus comentaristas; só nos restará a credibilidade da TV Brasil, por exemplo?), sem deixar de ser “o país das chuteiras”, a seleção A (há a seleção B, dispersa por vários países participantes na copa, ainda não conclui contagens e consultas na net), corre o risco de deixar de praticar o futebol genial, ao pensar apenas no resultado.

[3.3.] Eis mais alguns paradoxos, também, no mínimo interessantes. Em Chapadinha há muitas “bolas em jogo”; vários impedimentos legais e ilegais; árbitros que são arbitrários e outros quase justos. Repare-se que só Deus é o Absoluto (quem não O tem por Guia e Luz, como Regra-Mãe, faça-se mais silencioso e humilde, por favor…). Há também muitos jogadores amadores, profissionais e carismáticos: todos podem jogar pela Defesa da Vida! Nesta copa real, que é a vida, no dia a dia, não haverá, certamente, apenas vencedores nem vencidos, mas participantes leais, com fair-play, trabalhando para além do resultado final. Desfrutando a imensa alegria e a nobre responsabilidade de jogar juntos!

 

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 18-06-2010 – 1h52.  4560 caracteres (com espaços incluídos).


[1] N.B.M. (Note Bem Mesmo) “Já a seleção brasileira, que estará onipresente nos lares brasileiros (…), pode ser patrocinada por uma bebida alcoólica. A dita bebida, uma cerveja, tomará o país em dimensões nunca vistas e por todas as mídias existentes, incluindo publicidade estática, indução subliminar e telepatia. Uma rima pobre -”brahmeiro”, “guerreiro”-, pespegada aos jogadores, será o mote de milhões de crianças enquanto durar a Copa do Mundo, enfatizando, inclusive para os pais, a “naturalidade” do consumo de cerveja desde tenra idade. Quinze por cento desses milhões desenvolverão alcoolismo dentro de dez anos. E, embora estejamos falando de futebol, isso não é um chute. É apenas a porcentagem de pessoas que desenvolvem a doença num universo humano com acesso livre a bebidas alcoólicas, o que sói ser o caso do Brasil. Não por acaso, esse é também o número estimado de alcoólatras no país: 28,5 milhões -15 % da população”. A copa virou copo ou caneco. Gol, além de marca de um carro, virou goles de cerveja.” (Cfr. José Eustáquio Diniz Alves, no artigo publicado por EcoDebate, (14-06-2010), para aprofundar pode ser lido: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=33395, acesso: 14-06-2010) A pastoral da sobriedade, entre outras instituições educativas, têm muito trabalho de conscientização pela frente.

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