NEM PESSIMISMO EXAGERADO NEM BOBICE SIMPLÓRIA REALISMO EXIGENTE É O MELHOR – Boletim Vida Nova Online -Paróquia de N. S. das Dores – Chapadinha (12/06/2010).

 

 

NEM PESSIMISMO EXAGERADO NEM BOBICE SIMPLÓRIA

REALISMO EXIGENTE É O MELHOR (*).

 

CONTRIBUTO PARA ANÁLISE DA CONJUNTURA ADMINISTRATIVA DO MUNICÍPIO DE CHAPADINHA (12-06-10).

 

“Não sou analista de profissão nem vigia público por necessidade. Também não sou cego, nem surdo. Felizmente! Vejo e ouço o que se diz por aí e por aqui. E quem vê quer ver! E algumas coisas que se ouve era melhor não ouvir. A Paróquia tem sido testemunha atenta e preocupada da falta de ética, da nenhuma transparência das sucessivas administrações municipais. Interveio ativamente na eleição do Dr. José Almeida. Depois arrumou-se, não da responsabilidade, mas da administração partidária. E está decepcionada. O Evangelho não é neutro. E os cristãos não podem ser abúlicos. Ao menos, que haja um pouco de responsabilidade pelo desenvolvimento e alguma ética! A atual administração estará hoje em análise, não para condenação, mas para que a população acorde para situações graves que vivemos. É uma opinião e benévola!

VISTA DE CHAPADINHASe nas famílias o álcool é o combustível da violência (80% das famílias sofre com a bebedeira!), na sociedade, a fonte da carência e causa das desigualdades sociais, nesta quinta potência econômica mundial, é a corrupção política. Basta não ser totalmente insensível ao bem comum e escutar alguns comprometidos membros do Senado e da Câmara (que, graças a Deus, ainda os há!) para notar a gravidade da situação: vencimentos estapafúrdios, primazia em tudo garantindo privilégios inexplicáveis, faturamentos impossíveis feitos com recibos falsos, enormes somas retiradas do erário público para benefício próprio (campanhas eleitorais, faturamento de estradas não efetuadas, projetos que não avançam…), mordomias e megalomanias luxuosamente alimentadas, comissões clandestinas retiradas de projetos públicos… Neste contexto, Chapadinha não é exceção. O poder, ansiosamente procurado, é corruptamente exercido, funcionando como mina de ouro para exploração familiar. Pelo menos, é o que, com evidência, aparece e parece! Veja-se, por exemplo, o sobre-aproveitamento de aluguéis de prédios particulares para a Prefeitura, com prejuízo para o patrimônio público e o não se comprar uma máquina de terraplanagem sequer para uso municipal, porque há empresas particulares de correligionários que precisam ser beneficiadas. O desmantelamento geral é evidente, a farsa democrática terrivelmente notória, a incompetência administrativa escandalosa e a fúria lucrativa insaciável. No passado, não foi diferente. Desprezou-se a educação, esqueceu-se a saúde, privilegiou-se o populismo alienante, habituou-se o público à pedincha e a viver de favorzinhos, praticou-se, por atrevida teimosia, um relaxamento administrativo. Quem, na altura, participou ou, agora, deseja apoiar (certamente, por  má fé!) mostra que não tem critério nem vergonha. A ética não se pode domesticar nem privatizar para uso arbitrário. Sua falta é crime em tudo e em todos, não só nos que chamamos de adversários. Agora o imoral é pretender justificar o mau presente com outro mau passado. Águas passadas não podem servir para lavar a sujeira do presente. A ética transcende interesses particulares. Isto para quem não é masoquista nem pateta alegre.

CHAPADINHA - PRAÇA DA BÍBLIA A concentração do poder e um descarado nepotismo são as duas dobradiças desta pútrida prática. Aceitar familiares nos altos escalões leva a desconfiar. Parece quererem transformar tudo em empresa familiar para promoção de benefícios individuais. As contas bancárias, possivelmente, sobem, mas o povo, evidentemente, desce ladeira abaixo. O aviltamento social aumenta, a desagregação de valores persiste, fomenta-se uma descarada busca de privilégios. Parece que a administração pública não passa de uma agência para repartição de favores e comissões, uma empresa particular de enriquecimento ilícito, uma máfia profissionalizante com especialização em safadeza corruptora. O desinteresse pela coisa pública é exibido em doses monstras. As habilidades ilícitas e descobertas ou, no mínimo, duvidosas, são abafadas por anulação de votações ou substituição de membros indesejáveis e mais capacitados na área, nos Conselhos Municipais mais atuantes. A falta de ética revolta, escandaliza, perverte instituições e deseduca o povo que, de tanta coisa se aperceber, fica apático, encaroça em resignação. O que se exibe como realização pertence ao passado, a outra administração que desaguou nesta com obrigações de projetos não realizados. Nem discursos prolongados nem toneladas de argumentos inventados conseguirão falsificar o que a todos parece evidente. Os vencimentos pagos cada mês não constituem favor nem valor suficiente para justificar tanta nulidade administrativa. Há secretarias abandonadas, outras têm seus responsáveis em outras cidades, desempenhando cargos acumulados.e bem pagos. Secretários houve que se demitiram temendo ser presos, por práticas ilícitas a que se viam constrangidos. Isto é o que consta na rua! A Paróquia lutou pela "ficha limpa" e sabe que alguns políticos locais não gostaram. Compreendemos a razão! E muito gostaríamos que a vida privada de quem assume responsabilidade pública servisse de bom testemunho ao ambiente familiar, infelizmente, tão decaído entre nós!

Fugir ao olhar público não é solução. É uma triste opção de quem não pretende modificar o proceder nem aceitar justas críticas. Não se pode agüentar por mais tempo tanto abuso. A falta de autoridade tudo permite, a tudo incentiva. As únicas pessoas que persistem, cansativamente, no trabalho, manejando a imaginação com mestria e os acontecimentos com falácia, são as encarregadas de defender e justificar esta prática injustificável. Cargo pesado! Certamente bem remunerado, porque difícil e vergonhoso, fruto de uma geração jovem inteiramente perdida!”

 

 

 

(*) FONTE: in Vida Nova – Boletim Formativo e Informativo da Paróquia de N. S. das Dores – Chapadinha // DIRETOR – Manuel Neves // DIRETOR-Adjunto – Pedro José; N°11 – 13/06/2010, pp.2-3.

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