Ano Sacerdotal – Avaliação Assimétrica.

 

 

Ano Sacerdotal – Avaliação Assimétrica.

 

 

1. Um Breve Olhar Quase Teológico.

 

Sob o ponto de vista exterior à providência (e até previdência) foi uma “roubada completa”. Fracasso dos fracassos. Tiro no pé. Hoje, em cerimônia de encerramento, mais uma vez (talvez não a última) Bento XVI, com coragem, humildade e inteligência, pediu perdão pelo que o “fenômeno pedofilia” (a pior crise dos últimos 100 anos, creio que é a ‘ponta do iceberg’…) fez às suas incontáveis vítimas (conhecidas e por conhecer).

Sob o ponto de vista interno foi profundamente providencial. A purgação interna está em curso. Penitência Pública em impenitentes contumazes. Roupa suja é roupa que tem de ser lavada a gosto ou contragosto. Não há alternativa. Não há acordo de terceira via. Creio que não fica só a Pedofilia nos tribunais seculares ou até no renascimento de uma nova inquisição mediática (essa também uma heresia cultural ao contrário).

Registro neste brevíssimo olhar quase teológico as pequenas e avulsas considerações (sem o devido estudo e aprofundamento).

(a) É obvio que pensando no SIM, eu votei convictamente no NÃO. Vivemos da ‘sondagem’ sobre o império do marketing, duma sociologia não científica, dum ideologismo fundamentalista. As pessoas não são números. Não é estatística, é assunto político. A Igreja faz política como nenhuma outra instituição.

(a’) Crise mais na Igreja, do que no Vaticano (contrariando os títulos ideológicos), nos Padres como peões, e sobretudo, nos Bispos, “os-que-se-acham-juízes-em-causa-própria…” (“-Faz-se um bispo, perde-se um bom padre!?” quantas vezes ouvimos e vamos continuar a ouvir: infelizmente!). Muitas vezes nada se perde, nada se ganha: é como na natureza, tudo se transforma. Também, infelizmente. E terceiro, também, os há, bispos-bons, que valem um Papa; mas se fossem “o Papa” não fariam sequer o trabalho-de-casa-de-um-padre…). Em toda a linha Bento XVI, tem no seu desempenho, uma nota muito positiva e naturalmente impositiva. Graças a ele e ao Espírito Santo. Prova de Fé na inspiração divina da Igreja do Movimento de Jesus Cristo.

(a’’) Volto a insistir: “A eleição é a audácia do desejo” (Paul BEAUCHAMP) – Em tempo de “santa pedofilia (!?)” suprema e bendita ironia caustica do Ano Sacerdotal. A atitude pessoal e institucional, – em meio mediático, sem regra e com muita “lama” no ventilador…- o Papa servidor da Vinha, não quer o vinho com uvas azedas; revelou inteligência, humildade e muita coragem. Iremos até ao fim da linha, sem confundir, sem ocultar, e sem mais “vitimizações”…etc.

Reagindo com serenidade a esta análise anti-teológica: “O Ano Sacerdotal, foi o Ano da descoberta da Pedofilia ‘global’ (nem sei que objetivo (ab)usar…). Por isso fica a minha partilha, demasiado privada, em sentido contrário. Para confrontação dialógica. Não como contra-argumentação, mas impressões espirituais.

 

 

2. “Entre Aspas”: alguns pensamentos impulsivos e explosivos.

 

Trata-se de pensamentos apropriados e impróprios. Tão queridos quanto plagiados, quanto denunciados. Quase roubados, quanto expropriados. Pensamentos alheios e alheados, enfim, pensar o que se deixa pensar. O-que-quase-fugindo-teima-em-ficar-perto. A ordem é do fim d’ano sacerdotal para o seu princípio. E como se pode constatar chego um pouco atrasado, querendo sair antes de terminar. Pode ser isso pertinente ou leviano? Faça a sua análise. Apenas, juntei pensamentos que estavam perdidos em outros “textos homiléticos maiores”. Vai dar conta sem contar. A leitura é aleatória. A criação é, também, imperfeita.

 

“A política da “cadeira vazia” não é necessária. Os cristãos não devem se sentir objeto, mas sujeito ativo da atual história européia, confrontando-se com as várias propostas em debate atualmente, tendo como estilo próprio o de discípulos de Cristo” (Cardeal Angelo Sodano, Cfr. http://www.30giorni.it/br/articolo.asp?id=22226, acesso: 08-05-2010). [Ano Sacerdotal – Entre Aspas, nº18].

Na pós-modernidade todos somos descaradamente teólogos sem diploma – “Deus democratizou o acesso aos melhores prazeres da existência” (Augusto Cury, in Vendedor de Sonhos, p.128). [Ano Sacerdotal – Entre Aspas, nº17].

“O fato é que, se não houver denúncia, se não houver disciplina e se não houver arrependimento e mudança, a pedofilia, daqui a poucos anos, poderá tornar-se uma prática tão normal quanto a prostituição, o amor livre, o adultério, o lesbianismo e o homossexualismo!” (Elgin César – Diretor da Revista Ultimato). [Ano Sacerdotal – Entre Aspas, nº16].

“Capelão com cara de donzelo” (Pascal Bruckner, duas vezes no romance: “Ladrões de Beleza” ) – Questiono-me pela visibilidade das imagens elaborados no base do “preconceito”. Corremos o grave risco, nós os padres (pior quando não trabalhamos em equipa e dispensamos parcerias laicas…) da insignificância ministerial e institucional? Ficaremos reduzidos a um resíduo sociológico e/ou cultural? [Ano Sacerdotal – Entre Aspas, nº15].

“A eleição é a audácia do desejo” (Paul BEAUCHAMP) – Em tempo de “santa pedofilia (!?)” ironia caustica do Ano Sacerdotal. A atitude pessoal e institucional, – em meio mediático, sem regra e com muita “lama” no ventilador…- de Bento XVI revela inteligência, humildade e muita coragem. Iremos até ao fim da linha, sem confundir, sem ocultar, e sem mais “vitimizações”…etc. – [Ano Sacerdotal – Entre Aspas, nº14].

“Dinheiro perdido, nada perdido; Saúde perdida, muito perdido; Caráter perdido, tudo perdido…" -R.S. Estes pequenos detalhes devem dizer muito no dia-a-dia.” – [Ano Sacerdotal – Entre Aspas, nº13].

“A coragem desapareceu da nossa raça e se calhar nunca a tivemos realmente. O temor à sociedade, que é a base da moral, e o temor a Deus, que é o segredo da religião, são as duas coisas que nos governam.” – Oscar Wilde, in “O Retrato de Dorian Gray” – [Ano Sacerdotal – Entre Aspas, nº12].

“Peça a Deus que me faça compreender e aceitar o Concílio. Não é fácil. Quando se é jovem, é muito mais simples. No meu caso, só pode ser por um milagre de Deus. Mas, eu não quero pecar contra a luz" [Pedido do Cardeal OTTAVIANI a Dom HÉLDER Câmara: Roma, 7-8 de Outubro de 1964. Obs. De lá para cá…em arquétipos e fat…os: há cada vez mais "Ottavianis"…, e cada vez menos "Helderes"…, sem radicalismo.] – [Ano Sacerdotal – Entre Aspas, nº11].

“Sou incapaz de Transfigurar-me Nele… não há luz suficiente, porque longe estou da Fonte; não há organização suficiente, porque longe está a Harmonia; há só a coragem suficiente, porque perto tenho a Liberdade insuficiente. Não sinto transfigurações evangélicas apenas expresso figurações sistêmicas”. – [Ano Sacerdotal – Entre Aspas, nº10].

“Quais as Tentações do estado “clerical”? Já dizia o filósofo místico: nem Besta nem Anjo, apenas humano demasiado humano. Não tenho pecados apenas vícios confessou o outro ministro, em declarada penitência pública”. – [Ano Sacerdotal – Entre Aspas, nº09].

“Perguntam-me qual ataque inesperado: – O que é um padre feliz? A)”Humano demais” (Pe. Fábio de Melo); B)“Requiem” (Mozart); C)”I’ve Been High” (R.E.M.) – [Ano Sacerdotal – Entre Aspas, nº08].

“Os ‘Bons Padres’ são atraídos pelas percepções do Mundo, e não pensam por si mesmos. Os ‘Santos Padres’ são atraídos pela percepção de Deus, e só pensam por si mesmos.” – [Ano Sacerdotal – Entre Aspas, nº07].

“Vive para a Ternura, sem ela nada ficará limpo. Se sentes o descompasso da afetividade; a angústia orante; sombras no teu agir: aguarda com a serenidade possível e escolhe o Caminho do Meio (Lc4,29-30)” – [Ano Sacerdotal – Entre Aspas, nº06].

PREZADO […tratamento do Magistério em assuntos sérios…] Padre: Cuidado com o que comporta a “Não-Escolha” (humana e evangélica): “A ausência de risco é sinal seguro de mediocridade” – Carlos de Foucauld. – [Ano Sacerdotal – Entre Aspas, nº05].

“O padre é um leitor apaixonado da Vida e dos livros”. (N.B.) Conferir as sugestões presentes na reflexão e nas fontes consultadas (magistério e oposição). – [Ano Sacerdotal – Entre Aspas, nº04].

“Quando for grande quero ser padre para poder falar em todas as missas” (Pe. João Manuel Gonçalves). O padre como o comunicador nato do Silêncio, porque é o Ouvinte treinado da Palavra” – [Ano Sacerdotal – Entre Aspas, nº03].

“Um padre é o pastor do Ser. Ovelhas sem pastor é igual a ovelhas sem a dimensão do Ser. Quem confunde, não sabe pastorear” – [Ano Sacerdotal – Entre Aspas, nº02].

“Um padre é um homem que sabe explicar aos outros o que ele próprio não entende” – [Ano Sacerdotal – Entre Aspas, nº01].

 

 

3.         Leituras (só as politicamente certas).

 

As leituras em curso, ou as já acabadas, ou ainda, não verdadeiramente acabadas (leitura enviesada, transversal e com sal…). São leituras devoradas e devoradoras, que trouxeram insônia e tudo o mais. Leituras como fui sendo encontrado no Ministério Pastoral. Fica a ordem na desordem. Apenas duas listas, muito específicas, para ‘iniciantes’ e a partir das ‘fronteiras’ ou ‘margens’. Não poderia deixar de ser um Ano Sacerdotal sem leituras. Curioso, relembro agora a quente, se não erro na memória, que foram os bispos franceses (porquê os franceses…), em carta ou documento, em tempos idos, que escreveram sobre o ler e as leituras necessárias. Hoje já ninguém lê não há tempo.

 

Lista A:

1. BROUCKER, José, As noites de um profeta: Dom Hélder Câmara no Vaticano II, Ed. Paulus, S. Paulo, 2008, pp.168. (Obs. Leitura finda)

2. CIFUENTES, Dom Rafael Llano, Sacerdotes para o terceiro milênio, Ed. Santuário, Aparecida, 2009, pp.341.

3. NETO, Lira, Padre Cícero: poder, fé e guerra no sertão, Companhia das Letras, S. Paulo, 2009, pp.557. (Obs. Leitura finda)

4. CASTELLI, Francesco, Padre Pio: Sob investigação – A “Autobiografia” secreta, Ed. Paulinas, S. Paulo, 2009, pp.363.

5. QUIRINO SIMÕES, Irmã Neusa, “Em Nome de Jesus” Passou Fazendo O Bem… Lembranças de D. Luciano Mendes de Almeida, Ed. Loyola, S. Paulo, 2009, pp.117.

6. AA.VV., “Sacerdotes Em Cristo: 12 Testemunhos de um Chamamento, Ed. Paulus, Lisboa, 2009, pp.128.

 

Lista B:

1. JÄGER, Willigis, A onda é o mar: espiritualidade mística, Ed. Vozes [Coleção Espiritualidade de Bolso], Petrópolis, 2009, pp.327. (Obs. Leitura finda)

2. MÜLLER, Wunibald, Sozinho mas não solitário, Ed. Vozes [Coleção Espiritualidade de Bolso], Petrópolis, 2009, pp.143. (Obs. Leitura finda)

3. GRÜN, Anselm, A caminho: por uma Teologia da Peregrinação, Ed. Vozes [Coleção Espiritualidade de Bolso], Petrópolis, 2009, pp.95.

4. KREPPOLD, Guido, Entendendo os dogmas: a roupagem humana das verdades de fé cristãs, Ed. Vozes [Coleção Espiritualidade de Bolso], Petrópolis, 2009, pp.134. (Obs. Leitura finda)

5. GRÜN, Anselm, e SCHWARZ, Andrea, Chamados a viver o Evangelho: a espiritualidade dos conselhos evangélicos, Ed. Vozes [Coleção Espiritualidade de Bolso], Petrópolis, 2009, pp.254.

6. BONOWITZ, Dom Bernardo, Eu vou para o Pai: reflexões para a vida, Ed. Vozes [Coleção Espiritualidade de Bolso], Petrópolis, 2009, pp.279.

 

 

4.     Os anos que passam e os que não passam (com 13 anos de vida sacerdotal a completar, no próximo dia 13, o número dá-me muita sorte, pois foi a 13 de Maio que apareceu N. S. de Fátima, eu nasci na véspera, dia 12 de Maio, é a minha leitura psicanalítica de reserva).

 

Calo bem dentro do peito…

Não dê – multiplique!

Não sugira – comece agora!

Não guarde – divida!

Não invente problemas – partilhe soluções!

Não se preocupe com poupanças – experimente ser dizimista!

Não empreste – plante!

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 11-06-2010. 1h47 (já 12).

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