“Receita Para a Indigestão Política”

 

“Receita Para a Indigestão Política”

 

[1.] Os tempos não estão fáceis. Nada fáceis. E com a proximidade das eleições pioram quando os políticos, sem diferença de gênero, espécie e número – como os pecados (venial, mortal e ‘genial…’) -, têm de apresentar, também significa sobretudo apressar…, o ‘trabalho-feito’. Mas o problema torna-se grave, quando ‘não-há-nada-feito’…; ou ‘em-vias-de-ser-feito’. Quanto muito (aqui leia-se pouco e mal) o que ‘já-está-feito-e-mal-feito’. É cruel ser político em época pré-eleitoral, são as vias de purgatório, e sobretudo, em época eleitoral, são as vias infernais. No restante do tempo é o paraíso (sobretudo fiscal!): para os políticos!? Claramente, um inferno (real e não virtual): para nós eleitores!? Eis o diagnóstico e o prognóstico do Município de Chapadinha, na sua passada e atual, gestão administrativa e executiva.

 

 

[2.] Para ir acabando com estes tempos de indecisão e ajustes de contas, entenda-se mais no sentido de honorários a ganhar por prestações eleitoreiras (antes e depois). É a Ética em tempos de crise, perante a recusa de ação pública num mundo de indiferença e cinismo pessoais (e grupais ou sectários). Só há uma receita, de via dupla, e ressalvo que esta terapia já está sendo testada, por mim, numa dialética (do atraso e do progresso). Eis as duas possibilidades de receita: primeiro, ler e reler os Evangelhos; segundo ir lendo, por exemplo, Millôr Fernandes (ou outro gênio humorista de primeiríssima seleção: caso das sátiras de Gil Vicente; os insights de Woody Allen; a coluna de J.R. Sarney, o ora bolas de Mário Quintana; as críticas literárias de Harold Bloom; os ‘arqui-textos-do-Café-Pequeno’, as personagens e figuras de Shakespeare; as historinhas de Carlos Drummond de Andrade…e.t.c.).

 

 

[3.] Sobre o HUMOR, por agora, basta-nos a receita de Millôr Fernandes:

O testador testado ou A esperteza inútil

À maneira dos… tailandeses (leia-se dos ‘políticos chapadimenheses’).

“Milionário muito milionário gostava de gozar as pessoas com defeitos físicos ou características inferiorizantes.

Um dia, entre os convidados a uma recepção em sua casa, tinha um gago, e, na frente de outros convidados o milionário resolveu embananá-Io com um problema existencial.

Transcrevemos o diálogo:

– Suponhamos que você vai andando por uma picada no mato e de repente cai num buraco de dois metros de largo por vinte de fundo. Como é que você consegue sair?

– O bu-bu-raa-co tem uuma es-es-caada?

– Não, não tem nada. É um buracão natural.

– Eeessa su-ua-ua hi-hi-póóó-tese é de nooi-te ou dee dia?

– Não importa. A questão é como é que você sai do buraco. Noite ou dia é indiferente.

– Bom, en-tããoo eu faa-ço a is his-tóória seer de diia e não ca-caio no bu-bu-raco.

– Como assim? Tem que cair. Eu te joguei no buraco.

– Nãão see-nhor. Eu não ca-caio. Você pooode me go-gozar poorque eu sou ga-ga-go, mas nããão voou ca-ir nuuum bu-bu- raco de dia poorque não soou ce-ce-go, iiim-bee-cil.

Todo o pessoal em volta caiu na gargalhada.

MORAL: MAS O PESSOAL RIU MAIS PORQUE ELE ERA GAGO” (1).

 

 

 

[4.] Sobre o AMOR aos Evangelhos, confesso que me deu uma indigestão terrível, azia de ressaca, a leitura do ‘evangeliário’ do Saramago, e ainda mais, a sua recente ‘caninite’, embasada sobre um absurdo reducionismo bíblico ultrapassado. Enfim, tristes ignorâncias só permitidas a leitores post-nobel. Mas desgraças à parte, estou lendo e relendo, Frei Betto, “Um homem chamado Jesus” (escreverei sobre isso assim que for possível). E sobre o fundamento da leitura pela progressão bíblica, transcrevo e assumo, quase inteiramente, o Testemunho – é com letra Grande Mesmo… – do escritor João Ubaldo Ribeiro: “Dificilmente leio novidades, porque ainda não tive tempo suficiente de ler tudo o que eu quero entre os clássicos e os livros mais perenes. Estou lendo o Evangelho de Matheus em três versões: uma tradução da Bíblia, uma versão em inglês na Bíblia do Rei Jaime e numa famosa vulgata de São Jerônimo, em latim. Já li algumas vezes os evangelhos, mas, com a idade, nós mudamos e nossas leituras também. Então, pretendo ler novamente os quatro evangelhos e estou lendo esse já há algum tempo. É uma leitura lenta, porque há dias em que leio como texto religioso, tem outros dias que leio como texto literário, em outro momento curto a forma. Seria possível dedicar, sem exagero, até a vida inteira para estudá-los e talvez não fosse suficiente para ser um profundo conhecedor de tudo que gravita em torno desses evangelhos(2).

Qualquer dia vou reler a obra prima “Viva o Povo Brasileiro”. Pensando em tantos “vivas” Chapadinha!?

 

 

[5.] Resumindo, a receita para a “indigestão política” é Ou, Ou. Ou e Ou. Ou seja, ou muito Amor aos Evangelhos ou muito Humor dos gênios humorísticos. Ou até ambos, em casos da doença, com gravidade já avançada. E note-se que Deus tem, melhor, é insuperável, com a devida seriedade… (o humor bem feito e bem dito, é a coisa mais séria deste mundo em caminhada para o outro…), no que se refere ao Humor (divino e humano). Haja Fé! Porque de Política estamos muito mal… Não podemos comer do que nos servem…; e do serviço da Fé – ‘vim para servir e não ser servido’ – temos a orientação de uma ementa básica, em honesta cozinha típica do tipo “Ficha Limpa” (muitos que recusavam a ‘ementa-como-anti-constitucional‘, agora lambem os beiços por mais…). Se não foi pela Queda…, será pelo Levantamento. Não como sem apetite de Verdade! Mas como com fome de Justiça! Basta de indigestão política em Chapadinha. Comida fria, não. Mal cozinhada, também não. Como já se disse na história deste país: Fome Zero!? Chapadinha, nós sabemos de quase tudo, mas te amamos ainda mais! Feliz e santo Corpus Christi! Atenção que Ele não dá ‘indigestão’, mas ‘condenação’ eterna (cfr.A  PARÁBOLA – O RICO E LÁZARO: Lc 16,19-31 (3))!

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 02-06-2010.

5767 caracteres (com esp. incluídos) – 01h54.

 

 

FONTES: (1) MILLÔR Online, “Fabulas Fabulosas” – http://www2.uol.com.br/millor/fabulas/054.htm ,acesso: 01-06-2010. (2) RIBEIRO, João Ubaldo, “O que estou lendo” in CULT, nº146 – Maio/2010, p.29. (3) Cfr. Bíblia do Peregrino – Luís Alonso Schökel: “Rico Epulão e Lázaro”, fazendo do latim epulo = comilão, um nome próprio. O rico da parábola não tem nome, o pobre se chama Lázaro = Eleazar = Deus auxilia. As avaliações correlativas de bem-aventuranças e mal-aventuranças (6,20.24) se cumprem neste relato. Será preciso tomar uma metade em sentido realista e outra metade em sentido metafórico?” pp.2511-12. Obs. Ler todo o comentário com os olhos postos na ausência de Políticas Públicas em Chapadinha. Aqui os Ricos ‘comilões’ tem nomes e moradas (várias) e os Pobres ‘famintos’ são imensos e quase-anônimos, sem vez e voz.

 

 

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