Carta Aberta à Governadora Roseana Sarney – Chapadinha: 20-05-2010.

 

 

Carta Aberta à Governadora Roseana Sarney

 

Senhora Governadora Roseana Sarney.

Chapadinha,19-05-2010.

 

 

[1.] Com o mesmo entusiasmo e orgulho com que Vossa Excelência nos visita, e nossas Autoridades locais, nossos anfitriões, a acolherão na Sua Pessoa e Representatividade Cívica, na riqueza inquestionável de vivermos num regime democrático, em Estado de Direito, não me retraio em dizer-lhe: – Lamento, cara governadora, eu não sinto nenhuma emoção, compromisso ou mínima esperança diante da sua visita!

 

 

 

[2.] Na rua e nalgumas cadeiras sentado, ouço comentários desconexos…Tenho visto pouca TV local, a Rádio Mirante não consigo escutar… (depois da censura ao conteúdo crítico do nosso programa dominical, da parte do seu diretor administrativo); da Rádio Cultura, só sei e é suficiente a possibilidade da difusão da santa missa, aos domingos, para não privar os nossos doentes (e quem os cuida zelosamente); quanto aos anúncios, através de blogs pré-pagos e pré-direcionados politicamente não era de confiar… Resumindo, só soube da confirmação da sua visita oficial, pelo convite/programa enviado pela Prefeitura Municipal. O mesmo, lamento, não tem ‘conteúdo sólido em inaugurações…’; conjeturo, será que vai haver anúncio de mais um Novo Hospital… Vamos entrar em campanha política, fora dos prazos legais da campanha oficial… O convite nada diz de promissor, para o sucesso da sua visita… Não sei se não perderá seu precioso tempo, tão útil para poder “Voltar ao Trabalho”, como é seu lema de compromisso estadual…

 

 

 

[3.] Mas sua ilustre visita não é clandestina. Que os foguetes…, ruas e praças lotadas…, os salões apertados e os muitos sorrisos que irão recepcioná-la como Governadora do nosso Estado! Possam ser verdadeiros! Se a idéia é passar para o restante do Estado do Maranhão, em reportagem jornalística, que a Senhora tem o nosso apoio incondicional, aqui em Chapadinha, – tendo o apoio das Autoridades e lideranças -, logo tem o apoio popular na cidade. Cara Governadora, sabe que esse tipo de visita-de-encomenda se resume às velhas práticas de quem faz política enganando o povo. Eu não comungo desse voto em branco, voto tem conseqüências, exige compromisso.

 

 

 

[4.] Penso num hipotético discurso de boas vindas e em quais temas/assuntos que vos apresentaria sucintamente, enquanto Governadora… Não seria de bom tom nem falta de educação, essa ousadia, e começaria por vos falar de uma ‘cidade à beira de ser sucateada’(principalmente na infra-estrutura de patrimônio público), em termos institucionais estamos a fazer manutenção dos serviços-mínimos. Cidade que cresce, cada vez mais, mas não se desenvolve, como merece e tem potencial. Isso não poderia deixar de lhe falar. Falar dos bairros abandonados, duma imensa periferia urbana que aumenta assustadoramente sem nenhum planejamento. Isso não podia. Falar da saúde pública à beira de uma situação caótica (as contas da Secretaria Municipal de Saúde em 2009, foram reprovadas pelo Conselho Municipal de Saúde, na recente reunião de 29-04-2010). Isso não pode. Falar de uma educação de ‘apadrinhamentos políticos’ onde as sucessivas reivindicações dos professores tem sido indefinidamente prometidas e descumpridas em acordos de conveniência. Isso não pode. Falar do caso, entre vários outros, do descuido gravíssimo (novamente na saúde publica, a nível sanitário, bem como ao nível do patrimônio moral e humano da nossa cidade), para com os nossos vários cemitérios, depois de sepultar a nossa líder, ainda ontem, Srª Dona Teresa, Bairro Novo – Comunidade Sagrada Família, no cemitério do Limoeiro, sem as condições mínimas por parte do Poder Público. Poderia falar de outras Obras e Serviços Públicos desatendidos e sem qualidade presente, e no futuro, a longo prazo, tais como: fornecimento de Água na rede publica; Saneamento básico; tratamento de lixo (o nosso aterro sanitário que é um crime ecológico a céu aberto…); da entrada principal da nossa cidade, se a senhora Governadora viajar de avião ou por outro meio, infelizmente não vai dar conta do fato…fica o pré-aviso para com a sua coluna…, ou ainda, de outras ruas principais, sem condições de trafego em segurança; a inexistente iluminação pública (taxa imoral cobrada pela CEMAR e repassada às Prefeituras locais); a situação preocupante, do nosso Centro Regional de Detenção Prisional, sem as condições mínimas em termos de lotação, etc. E se lembrar a lista interminável dos problemas/necessidades do povo do nosso imenso Interior neste nosso Município, nunca mais terminaria esta carta. Em todos os assuntos de importância para uma cidadania básica: isso, também, não pode!

 

 

 

[5.] O certo é que ‘viajar na maionese já pode’, mas discutir a gravidade da nossa realidade, no descaso e alienação, no branqueamento da mídia oficial (Radio, Tv, jornal quinzenal… e blogs), é que nem sempre interessa às conveniências dos(as) nossos(as) vereadores(as), dos(as) secretários(as) municipais, inoperantes, porque, não só mas também, presos ao centralismo de uma Prefeitura-Sem-Cabeça, mas com bolsos sem fundos, sem nenhum projeto consistente, orgânico e dinâmico. Sem rumo à vista.

 

 

 

[6.] Os sucessos e obras da Nossa Querida, – e apesar de tudo o que foi dito muito resumidamente, anteriormente -, e bela Cidade, pertencem à iniciativa das Igrejas (escrevo num plural mínimo, sem erro, e não vou fazer o auto-elogio narcisista, em voga nos nossos concidadãos mais badalados … que é doença que não sofremos) ou à iniciativa dos Comerciantes e Empresários chapadinenheses, com um espírito empreendedor notável, temos entre nós, no passado recente, e teremos num futuro, a curto prazo: novas Clínicas (boas mas caríssimas para a maioria do povo de baixa renda); novas Casas Comerciais (de diversos produtos e serviços que continuam a fazer de Chapadinha a Princesa de todo o Baixo Parnaíba…), novos escritórios/departamentos institucionais (edifício novo da Promotoria Pública, da Delegacia de Policia, do Tribunal Regional do Trabalho, tudo com menos de ‘três anos’, mas de projeto/financiamento, exclusivamente federal); e novas Universidades (UFMA e FA.P./CRESU no domínio privado), novo grandioso colégio, só para dar alguns exemplos consideráveis, sendo reservado quando à referência de nomes e marcas de relevo quanto a projeto cívico, cientifico e ético.

 

 

 

[7.] Seja bem-vinda, mas não se deixe enganar, porque sei que não se quer enganar, nem quer enganar, muito menos, os Chapadinheses, seus concidadãos. Possa fazer o seu diagnóstico da realidade, sem falsos quadros e fotos de ocasião. Possa assimilar nossa angústia, nossas esperanças, ainda que aceite também esta nossa descompressão afetiva e efetiva.

 

 

 

[8.] Despeço-me, repentinamente, sem formalidades, como iniciei…

Com a mais alta consideração, estima e acreditando no Brasil, que se consolidará, brevemente, como 5ª Economia Mundial, vivendo neste quase paraíso natural e cultural maranhense, pedindo-lhe, com honestidade e fé, ajude-nos a construir o Futuro da Nossa Cidade, não nos deixe refém do nosso passado, menos digno, para que o presente, seja o lugar da honra, do trabalho e da alegria sadia!

Rezo e canto, em voz baixa… o Hino de Chapadinha!

 

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 19-05-2010. 7066 caracteres (com esp. incluídos) – 23h19.

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