Nesta cadeira me sento – por Pedro Tamen

 

 

Nesta cadeira me sento,(*)

é nela que me apresento,

mas menos do que me ausento,

tento, lamento, avelhento,

aqui me invento e rebento;

passo cordura de unguento

e alimento o alento

da vida de sono e pão.

 

Desta cadeira prossigo

para um outro nó pascigo,

já sem perigo nem abrigo,

amigo como inimigo,

com meu já perdido umbigo

de só nascer por castigo:

ali de vez eu te irrigo,

cintilante coração.

 

 

(*) FONTE: TAMEN, Pedro, Caronte e Memória, Escrituras Editora, São Paulo, 2004, p.70.

 
 
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