Apontamentos de Cultura Maranhense: atirar pedras ou colher flores?

 

 

Apontamentos de Cultura Maranhense: atirar pedras ou colher flores?

(Que lucidez nos reserva o futuro).

 

 

O título não é jornalístico. Não poderia deixar de o ser. Desde que se assumiu que para ser jornalista não é mais preciso um diploma ‘acadêmico’. Nunca o foi para o ‘bom’ jornalismo. Tudo passou a ser permitido. Mas nem tudo nos convém. Na ordinária leitura da imprensa escrita, dita ‘fisiológica’, ao-fim-de-semana, recolhemos uma prova no sentido contrário. Os dois exemplos escolhidos, fora da ideologia, não poderiam ficar sepultados no esquecimento. São sensíveis para posterior aprofundamento antropológico e sociológico, em termos de ‘arquétipos’ do inconsciente coletivo, dada a profundidade da ‘matriz’ cultural em causa.

O primeiro texto apareceu no Colunaço do Dr. Peta:

 

 

 

Olha aí o “jeito maranhense de ser”!!!

 

“Maranhense não espia – maroca;

Maranhense não é chato – é ralado;

Maranhense não estraga a festa – azia;

Maranhense não é mão-de-vaca – é canhenga;

Maranhense não sente agonia – sente arrilia;

Maranhense não bate – dále;

Maranhense não dá murro – dá bogue

Maranhense não é rápido – é zilado;

Maranhense não vai pra farra – vai pra bagaceira;

Maranhense não imita – arremeda;

Maranhense não é feio – é mucura;

Maranhense não se toca – se manca;

Maranhense não quebra nada – escangalha;

Maranhense não é ruim – é rúim;

Maranhense não fica satisfeito – fica cheinho;

Maranhense quando se espanta não fala: nooossa!!! – fala: ééééééguuuaaas!;

Maranhense não toma coca-cola – toma guaraná Jesus;

Maranhense não chama atenção – é esparroso;

Não existe maranhense gay – existe maranhense qualira;

Maranhense não é ‘moleque’ – é ‘piqueno’;

Maranhense não fica com fome – fica brocado;

Maranhense não é convencido – só quer se amostrar;

Maranhense não fica zangado – fica injuriado…;

Maranhense não concorda nem fala sim – diz hum, hum ou hem, hem;

Maranhense não diz irmã- diz mermã”

 

FONTE: Edição Escrita, in Jornal Pequeno,

nº23.304, 25-04-2010, “Colunaço do Dr. Peta, p. 2 e Edição Online,

in http://www.jornalpequeno.com.br/2010/4/25/colunaco-do-peta-142568.htm,

acesso: 26-04-2010.

 

 

 

 

O segundo texto, consiste numa das memoráveis afirmações do ‘homem incomum’- aquele que é a figura central da obra “Honoráveis Bandidos”-, que reina no estado do Maranhão – depois que o próprio José Sarney se pronunciou sobre a morte do antropólogo e filósofo, Claude Lévi-Strauss, aos 100 anos de idade, lembrando do seu convívio com o pensador e da troca de correspondência que mantiveram por muitos anos. Eu deixei de ter um pé atrás…tenho decididamente os dois – em ordem aos 80 anos, do seu nascimento, enquanto não é possível ler a sua biografia oficial ainda a ser publicada, fica aqui a prova do porquê deste nosso foco plenamente justo.

 

 

 

“Nós, brasileiros, acostumados com nosso calor suarento, sempre louvamos termos sido preservados por Deus dos violentos fenômenos da natureza: vulcões, furacões, terremotos – mas não nos livramos das secas nem das enchentes. E a miscigenação nos deu a mulata!”

 

FONTE: Edição Escrita: in O Estado do Maranhão, nº17.421, 25-04-2010, “Coluna do Sarney:

“O vulcão Eyjafjallajokul”, p. 1.

 

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 27-04-2010.

3002 caracteres (com espaços incluídos).

 

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