Onde Não Acontece Páscoa? ou “Ladrões de Beleza”, por Pascal Bruckner

 

 

Onde Não Acontece Páscoa?

ou

“Ladrões de Beleza”, por Pascal Bruckner(*).

 

 

[1.] “A força de uma narração não reside em sua conformidade aos fatos mas nas rupturas que ela provoca, no dinamismo que transmite”(p.232).

 

[2.] “Ao cabo de uma hora, ele me havia enunciado seu grande princípio: evitar as três calamidades que são o trabalho, a família, o casamento” (p.72).

 

[3.] “Depressões, descarnaduras esculpiram sobre minha anatomia outras geografias, outras paisagens. Havia dias em que meu corpo se fatigava, pesado corpo a ser portado, corruptível corpo. Limpá-lo, nutri-lo, mantê-lo estava acima das minhas forças. Alguns dias o olhar dos homens me esgotava, me roubava a mim mesma” (p.25).

 

[4.] “Eu assistia em sua companhia a uma espécie de missa profana dedicada à estética do corpo humano” (p.187).

 

[5.] “(…) a história do camaleão que se instala num cobertor escocês. Alguns segundos mais tarde ele explode. Ele não pode escolher entre as cores. Sou igualzinho: se um ser interessante se apresenta, lanço-me em sua direção, reproduzo-o nos mínimos detalhes: é a única maneira que tenho para me tornar alguém” (pp.44-45).

 

[6.] “A mentira, dizia ele, é a polidez que devemos aos outros para não aborrecê-los” (p.73).

 

[7.] “Eu nunca havia enfrentado outro perigo que não o de viver, suficiente para apavorar-me” (p.15).

 

[8.] “O panegírico não se diferenciava muito do requisitório” (p.188).

 

[9.] “Conheci então a ansiedade própria aos ricos: a vertigem da abundância, a dificuldade de escolher” (pp.56-57).

 

[10.] “Sobre uma grande mesa de madeira clara estavam dispostos um computador, um pacote de frutas cristalizadas, um envelope de trufas de chocolate e um exemplar de Caminhos que levam a nenhum lugar de Martin Heidegger. Uma antiga caixa de música executava uma dessas canções melosas que dão vontade de chorar” (p.117).

 

[11.] “Minha vida se desenrolaria sem surpresas como um programa infalível, e eu já a detestava por antecipação, não por ser mortal, mas por ser previsível” (p.23).

 

[12.] “Os domingos sempre me deram medo: são dias regulados, envelhecidos antes do tempo, dias de ocasião sem cor ou tonalidade particulares. Mas aquele domingo começava bem” (p.71).

 

[13.] “(…) um cardiologista que tinha bochechas rosadas e redondas como um rapazote, uma anestesista russa exageradamente maquiada, um oftalmologista alto e esguio, um cirurgião já calvo e um capelão com cara de donzelo e um jeito de quem pede desculpas por existir. Não sentia a menor vontade de ter com eles” (p.24).

 

[14.] “Nas escadas, cruzei com o capelão com cara de donzelo que subia a toda velocidade: Deus o havia convocado por bipe. Rápido, uma extrema-unção, mais um contrato faturado para a eternidade” (p.86).

 

[15.] “Eu contemplava atônito o progresso da degradação. Eu tinha trinta e sete anos, e estava acabado!”(p.98).

 

[16.] “Meus finais de mês são complicados, sobretudo nos trinta últimos dias” (p.83).

 

[17.] “Desejo ser velha para não mais ter de fazer escolhas” (p.26).

 

[18.] “(…) o ciúme é o mal mais doloroso e mais ordinário que possa existir” (p.32).

 

[19.] “O milagre do amor é abraçar o mundo em volta de um ser encantador, o horror do amor é abraçar o mundo em volta de um ser aprisionador” (p.82).

 

[20.] “O mal-estar me deixava áfona” (p.35).

 

[21.] “Admiro os seres que sabem aonde vão, eu, que avanço a cada passo e que batizo minha indecisão com o nome enganador de espontaneidade” (p.73).

 

[22.] “A beleza é um fragmento de eternidade que o tempo sempre acaba por destruir”. (“Nós aceleramos o processo”)” (p.141).

 

[23.] “É tão fácil ser honesto quando se vive no privilégio” (p.63).

 

[24.] “Ela possuía o privilégio absoluto, o privilégio dos começos, o irresistível calor da infância”(p.234).

 

 

(*) BRUCKNER, Pascal, Ladrões de Beleza, Ed. Rocco, Rio de Janeiro, 1999, pp.237. É um Romance para Adultos com reservas. Transcreveu: Pedro José, Chapadinha, 04-04-2010. Obs. A enumeração, também, pelo conteúdo, e os negritos são da nossa responsabilidade. 3609 caracteres (com espaços incluídos).

 

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Uma resposta a Onde Não Acontece Páscoa? ou “Ladrões de Beleza”, por Pascal Bruckner

  1. MARIA FRANCISCA diz:

    Olâ,Hoje vivemos numa sociedade que se dissem pós-moderna, onde tudo pode ser permitido. É por está razão, que Celebrar a Páscoa como verdadeiro cristão, é viver contra todos "os valores" que a pós-mdernidade nos oferece sem a humanidade fazer esforço. Para mim Celebrar o Misterio de nossa Fé, é deixar-nos renovar pela presença de Cristo Resuscitado em minha vida, pois se celebra a Páscao cada momento em que a vida está acima de qual quer sistema que escraviza o sere humano. Cardoso.

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