A Teoria McDonald’s + Teoria DELL por Thomas L. FRIEDMAN

 

 

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A Teoria McDonald’s + Teoria DELL por Thomas L. FRIEDMAN  nº07

 

 

[nº07.] “Em O Lexus e a Oliveira, argumentei que à medida na qual os países ligarem suas economias e futuros à integração e comércios globais será a medida da restrição das possibilidades de guerras contra seus vizinhos. Comecei a pensar nisso a partir do final da década de 1990, quando, durante minhas viagens, percebi que dois países onde havia McDonald’s nunca haviam tido uma guerra entre si desde que a McDonald’s se estabelecera neles. (Escaramuças de fronteira e guerras civis não valem para este raciocínio, porque a McDonald’s geralmente funcionava dos dois lados.) Após confirmar isso com a própria McDonald’s, sugeri o que chamo Teoria de Prevenção de Conflito dos Arcos Dourados. A Teoria dos Arcos Dourados estabelece que quando um país atinge o nível de desenvolvimento econômico no qual passa a ter uma classe média suficientemente grande para sustentar uma rede da McDonald’s, transforma-se em “país McDonald’s”. Os povos dos países McDonald’s já não gostam mais de lutar em guerras. Preferem fazer filas para comprar hambúrgueres. Embora essa teoria tenha seu lado jocoso, o argumento sério que eu defendo é que, à medida que os países vão se envolvendo na trama do comércio global e da elevação dos níveis de vida, de que a rede McDonald’s pode ser considerada um símbolo, o custo da guerra para o vencedor e vencido pode ser proibitivo.

 

Essa teoria McDonald’s se manteve funcional, mas agora que quase todos os países já têm McDonald’s, a não ser os piores patifes como a Coréia do Norte e o Irã, pareceu-me que a teoria precisava de certa atualização no mundo plano. Nesse espírito, e também com certa ironia, proponho a Teoria da Dell sobre Prevenção de Conflitos, cuja essência é que o advento e a propagação de cadeias globais de fornecimento just-in-time no mundo plano constituem contenção ainda mais forte de aventuras geopolíticas do que a melhoria geral do padrão de vida que McDonald’s simbolizava.

 

A Teoria Dell estabelece: dois países que participam de uma cadeia global importante de fornecimento, como a da Dell, nunca entrarão em guerra contra o outro. Isso porque os povos que fazem parte das grandes cadeias globais não desejam fazer guerras. O que querem é fazer entregas de bens e serviços just-in-time, e aproveitar a elevação dos padrões de vida que as acompanham” (pp.491-492).

 

 

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[Advertência]Advertência: Repito com ainda maior veemência, em relação à Teoria Dell, o que disse quando apresentei a teoria McDonald’s: ela não torna as guerras obsoletas. Tampouco garante que os governos não terão guerras localizadas, mesmo quando sejam parte de grandes cadeias de fornecimento. Isso seria uma ingenuidade. A teoria garante apenas que os governos de países mergulhados em cadeias globais de fornecimento terão de pensar três vezes, e não apenas duas, antes de entregar-se a qualquer guerra que não seja de autodefesa. E se resolverem ir à guerra assim mesmo, o preço que pagarão será dez vezes mais elevado do que era há uma década e provavelmente dez vezes mais elevado do que o que possam pensar os líderes do país. Uma coisa é perder o McDonald’s. outra muito diferente é fazer uma guerra que custará o lugar do país numa cadeia de fornecimento do século XXI que poderá não se repetir durante muito tempo(p.496).

 

 

[Duas observações práticas]Primeira observação prática. “Embora o caso-teste mais importante da Teoria Dell seja a China contra Taiwan, essa teoria já provou ser verdadeira até certo ponto no caso da Índia e do Paquistão, em cujo contexto eu a imaginei pela primeira vez. Por acaso eu estava na Índia em 2002, quando suas cadeias de fornecimento just-in-time esbarraram numa geopolítica antiquada, e a cadeia de fornecimento triunfou. No caso da Índia e do Paquistão, a Teoria Dell funcionou somente em relação a um dos lados – a Índia – , mas mesmo assim teve grande impacto. A Índia é para a cadeia mundial de fornecimento de conhecimento e serviços o que a China e Taiwan são para a de manufaturas” (p.496).

 

Segunda observação prática. “A Teoria Dell absolutamente não funciona contra essas redes informais islamo-leninistas, porque não são um estado com população que responsabilizará seus líderes, ou que contem com um lobby doméstico de homens de negócios que possam contê-las. Essas cadeias mutantes globais de fornecimento são formadas com o objetivo de destruição, e não de lucro. Não precisam de investidores, e sim de recrutas, doadores e vítimas. Mas essas cadeias de fornecimento móveis, mutantes e autofinanciadas utilizam todos os instrumentos de colaboração proporcionados pelo mundo plano: liberdade para levantar dinheiro, recrutar seguidores, e estimular e disseminar idéias; terceirização para recrutas, e cadeias de suprimento para distribuir os instrumentos e os bombardeiros suicidas a cargo das operações. O Comando Central dos Estados Unidos dá um nome a toda essa rede clandestina: o Califado Virtual. E seus líderes e inovadores compreendem o mundo plano quase tão bem quanto o Wal-Mart, a Dell e a Infosys” (pp.501-502).

 

 

FONTE: FRIEDMAN, Thomas L., O mundo é plano": uma breve história do século XXI, Editora Objetiva,

Rio de Janeiro, 2007, pp.491-492; 496; 501-502.

Transcreveu: Pedro José, Chapadinha, 27-03-2010.

Caracteres (espaço incluídos): 5020. Obs. Os negritos e sublinhados são da nossa responsabilidade.

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