Se as regiões do mundo fossem como bairros de uma cidade – Por Thomas L. FRIEDMAN

 

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Se as regiões do mundo fossem como bairros de uma cidade – nº04

 

 

[nº04.] O que aconteceria se as regiões do mundo fossem como os bairros de uma cidade? Que aparência teria o mundo? Eu o descreveria assim: a Europa Ocidental seria uma espécie de asilo de idosos, com uma população de idade elevada sob os cuidados de enfermeiras turcas. Os Estados Unidos seriam condomínio fechado, com um detector de metal no portão da frente e muita gente sentada nos jardins das casas queixando-se de que todos os demais são preguiçosos, ainda que houvesse uma pequena abertura na cerca dos fundos para imigrantes mexicanos e outros trabalhadores ativos que ajudam a comunidade isolada a funcionar. A América Latina seria o lugar das diversões da cidade, o bairro dos clubes, onde o dia de trabalho só começa depois das dez da noite. É o bairro onde vale a pena passear, mas entre as boates não se vêem muitos novos negócios se abrindo, a não ser nas ruas onde moram os chilenos. Os senhorios nesse bairro quase nunca reinvestem seus lucros ali mesmo, mas os depositam num banco do outro lado da cidade. A rua dos árabes seria um beco escuro onde os forasteiros temem aventurar-se, a não ser em algumas ruelas laterais chamadas Dubai, Jordânia, Catar e Marrocos. Os únicos negócios novos são bombas de gasolina, cujos proprietários, tal como as elites do bairro latino, raramente reinvestem seus recursos no bairro. Muita gente da rua dos árabes mantém as cortinas fechadas, as persianas abaixadas e colocam letreiros na frente das casas dizendo: “Não Entre. Cuidado como o Cachorro”. A Índia, a China e o Leste Asiático seriam “a parte esquisita da cidade”. O bairro é um imenso mercado muito movimentado, formado por pequenas lojas e fábricas instaladas em um único cômodo, com diversas escolas preparatórias e faculdades de engenharia. Ninguém jamais dorme nesse bairro, todos moram em famílias numerosas, e todos trabalham e economizam para conseguir passar para “o lado bom da cidade”. Nas ruas chinesas não há leis, mas todas as estradas são bem pavimentadas, não há buracos e toda a iluminação funciona. Nas ruas indianas, ao contrário, ninguém troca as lâmpadas queimadas, as ruas estão cheias de sulcos, mas a polícia faz questão de que as normas sejam obedecidas. Para vender limonada nas ruas indianas é preciso obter uma licença. Felizmente, é possível subornar os guardas, e os empresários bem-sucedidos têm geradores para tocar as suas fábricas e usam telefones celulares de último modelo para compensar o mau estado das linhas telefônicas. Infelizmente, a África é o bairro onde todas as lojas estão fechadas, a expectativa de vida declina e os únicos edifícios novos são as casas de saúde”.

 

 

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[Comentário]“O que quero dizer é que cada região do mundo tem seus pontos fortes e fracos, e que todas precisam em certa medida de reformas no varejo. Que significa essa reforma no varejo? Em termos mais simples, é mais do que se abrir ao comércio e investimento estrangeiros e fazer algumas modificações macroeconômicas de cima para baixo. A reforma no varejo presume que você já passou pela reforma no atacado. Envolve infra-estrutura, educação, direção e uma elevação de nível em cada uma delas, de modo que mais pessoas em seu país tenham os instrumentos e a estrutura legal para inovar e colaborar nos mais elevados níveis”.

 

 

 

 

 

FONTE: FRIEDMAN, Thomas L., O mundo é plano": uma breve história do século XXI, Editora Objetiva,

Rio de Janeiro, 2007, pp.356-357.

Transcreveu: Pedro José, Chapadinha, 25-02-2010.

Caracteres (espaço incluídos): 3294.

Obs. Os negritos e sublinhados são da nossa responsabilidade.

 

 

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