As tentações com pressa e/ou lentidão: a condição humana.

 

 

As tentações com pressa e/ou lentidão:

 a condição humana.

 

 

[Comentário: I Dom Quaresma – Ano – C: 21-02-2010]

 

 

 

Dedico: Aos(às) tentadores(as) e às ‘ocasiões de pecado’ e ao Pavão!

 

 

 

Ler: Lucas 4,1-13

 

 

(Disposição nº0)

Pergunto:

se O significado de pecar contra luz será não deixá-la entrar?

se Jesus encarnou, logo as suas tentações são as tentações da humanidade inteira; mas Jesus tinha Fé… como é tentado quem não tem Fé… como se é tentado num ambiente “secularizado” (e extremamente agressivo ou, aparentemente, neutro)?

se Existe algo capaz de distinguir o ‘Tentador’ das Tentações em si? Um método, um sinal, uma penitência?

se Existe Deus e sua providência na liberalidade, onde tem lugar a harmonia/processo da tentação, como comprovação ou não? Que ‘tipo’ de concupiscência habita o coração na sede de poder, corpo, imortalidade?

Desumanas estas simples Perguntas…

 

 

(Disposição nº1.1)

A estratégia da ORAÇÃO (não os vences junta-te a eles…) como solução para todos os problemas e crises de Fé…

FALTA DE TEMPO PARA REZAR? Os jesuítas acabam de lançar o http://www.passo-a-rezar.net, uma proposta de oração para quem não vive parado.

Cada dia, são 10 minutos de texto, pistas de oração e música, em formato mp3 para descarregar. Depois, é só levar e rezar no metro, no autocarro, a passear pela rua ou simplesmente sentado à secretária.

Venha descobrir este novo modo de se encontrar com Deus e viver espiritualmente o dia-a-dia!

 

 

(Disposição nº1.1.1)

E para quem não tem telefone, energia elétrica, água e saneamento, conta bancária, não sabe o que é mp3, não come mais de uma refeição (insuficiente) ao dia, etc?

– O Espírito Santo atuará como seu ‘diretor estratégico’. Hoje, também li a revista dos Arautos do Evangelho, fico cada vez mais edificado em matéria de tentações a evitar… Ouvi de confissão a um e neguei-me a confessar a outro (…agora não dá, já começou o santo terço.). Pela terceira vez, em 3 dias consecutivos, alguém colocou com propriedade Cinza na minha santa calvície: eu pecador me confesso e reconheço.

 

 

 

(Disposição nº1.2)

UM SENTIDO PARA A VIDA – Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944) – Velhas tentações ou intenções perdidas?

 

“É este o verdadeiro milagre da espécie humana: não existir dor nem paixão que não irradie e não assuma uma importância universal. Se um homem, em seu sótão, alimentar no peito um desejo bastante forte, ele poderá daí, incendiar o mundo.”

 

“Será que não se entende que, algures, nós erramos nosso caminho? O cupinzeiro humano é hoje mais rico do que outrora, dispomos de mais bens e de ócios e, contudo, existe algo de essencial que nos falta, algo que nós mal sabemos definir. Sentimo-nos menos homens, perdemos, não sabemos como nem onde, misteriosos privilégios.”

 

“Nós queremos ser libertados. Aquele que trabalha com a enxada quer descobrir um sentido no golpe da sua ferramenta. E o golpe da enxada do condenado a trabalhos forçados não é o mesmo do prospector, que engrandece quem o dá. O degredo não reside aí, onde se trabalha com a enxada. Não existe horror material. O degredo reside aí, onde se dão golpes de enxada que não têm sentido, que não ligam quem os dá à comunidade dos homens. Nós queremos evadir-nos do degredo.”

 

“Será que nossas divisões valiam os nossos ódios? Quem poderá pretender estar sempre absolutamente certo? O campo visual do homem é minúsculo. A linguagem é um instrumento imperfeito. Os problemas da vida rebentam com todas as fórmulas.”

 

“Hoje me sinto profundamente triste, triste em profundidade. Estou triste pela minha geração, vazia de toda substância humana, geração que apenas tendo conhecido o botequim, as matemáticas e os automóveis Bugatti como forma de vida espiritual, se encontra hoje numa ação estritamente gregária que já não tem mais cor alguma. Odeio minha época com todas as forças. O homem está morrendo de sede.”

 

"É preciso viver muito tempo para se tornar um homem. Entrelaça-se lentamente a rede das amizades e das ternuras. Aprende-se lentamente. A obra compõe-se devagar. É preciso viver muito tempo para que a pessoa se cumpra."

 

"Carta ao General X: Ah! General, só existe um problema, um único problema, em todo o mundo. Restituir aos homens uma significação espiritual, inquietações espirituais. Fazer chover sobre eles algo que se assemelhe a um canto gregoriano. Se eu tivesse fé, é mais do que certo, passada esta época de "job necessário e ingrato", eu não conseguiria suportar senão Solesmes*[Convento beneditino fundado na França em 1010]. Não é possível viver só de geladeiras, política, orçamentos e palavras cruzadas, não é mesmo? Não é possível viver-se sem poesia, sem cor e sem amor. Basta escutar um canto popular do século XV para podermos medir até onde chegamos.(…) Existe um problema, um único: redescobrir que existe uma vida do espírito ainda mais alta do que a vida da inteligência e que é essa a única que satisfaz ao homem. Para que servirá ganhar uma guerra? Se eu voltar desse " job necessário e ingrato", só haverá para mim um problema: que poderemos, que precisaremos dizer aos homens? É absolutamente necessário falar aos homens.”

 

“(…) O homem robô, o homem térmita, o homem que oscila entre o trabalho forçado Bedeau e o jogo de cartas. O homem castrado de todo o seu poder criador, e que não sabe mais, lá no fundo do seu lugarejo, criar uma dança ou uma canção. O homem que alimentam de cultura confeccionada, de cultura padronizada, como se alimentam de feno os bois. É isso o homem de hoje."

 

FONTE: Fragmentos do livro "Um sentido para a vida" – Antoine de Saint-Exupéry – Ed. Nova Fronteira – 1983 Tradução de Maria Helena Trigueiros.

 

 

* * *      * * *      * * *

 

 

Ainda para aprofundar  Relendo [“A ética em um mundo de consumidores" é o novo livro de Zigmunt Bauman traduzido para o italiano. Nele, o pensador da “modernidade líquida” reflete sobre a ditadura do presente. A tradução de um excerto do livro é de Alessandra Gusatto]:

 

“Na sociedade dos produtores que já está desaparecendo da memória (pelo menos do nosso lado do planeta), o conselho, em um caso similar, teria sido: “insista”.

Mas não na sociedade dos consumidores: aqui, os utensílios ineficazes devem ser abandonados, não afiados e testados com mais competência, mais empenho e melhores resultados. E se deixam pra trás também aqueles eletrodomésticos que não conseguiram fornecer a “plena satisfação” prometida por aquelas relações humanas que produziram um “bang” menos “big” do que se esperava. A pressa deve ser máxima quando se trata de correr de um ponto (que desiludiu, que está desiludindo, que está começando a desiludir) a outro (ainda não aferido). Dever-se-ia relembrar a amarga lição do Fausto de Christopher Marlowe: acabar no inferno por ter desejado que o momento, somente por ser prazeroso, durasse para sempre.”

(…)

Aquilo que eras ontem não impede mais a possibilidade de tornar-se alguém totalmente diferente hoje.

A partir do momento que cada ponto no tempo, relembremos, é cheio de potencial, e que cada potencial é diferente e único, se pode ser diferente de maneiras realmente incontáveis: é algo que suplanta até a surpreendente multiplicidade de permutações e a maravilhosa variedade de formas e aspectos que os encontros casuais de gênios conseguiram até agora e provavelmente continuarão a produzir no futuro da espécie humana. Aproxima-se àquela capacidade de eternidade que assusta, na qual, considerando a sua infinita duração, cada coisa pode/ deve, cedo ou tarde, suceder, e em cada caso poderá ou será, cedo ou tarde, feita.

Agora aquela excepcional potência da eternidade parece ter sido comprimida no intervalo de tempo, tudo menos eterno, de uma única vida humana. Conseqüentemente, a empreitada de remover o detonador e neutralizar a capacidade do passado de limitar as escolhas sucessivas, e, portanto de circunscrever pesadamente as possibilidades de “renascimentos”, rouba da eternidade o seu atrativo mais sedutor. No tempo pontilhado da sociedade líquido-moderna, a eternidade não é mais um valor e um objeto de desejo, ou melhor, aquilo que era o seu valor e que a tornava objeto de desejo foi apagado e transplantado no momento presente. Conseqüentemente, a “tirania do momento” da tardia modernidade, com o seu preceito do carpe diem, grada-tivamente, mas constantemente, e talvez imparavelmente, restitui a tirania pré-moderna da eternidade, com a sua divisa do memento mori.

 

FONTE: Obs. Texto completo por ser consultado: acesso:http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=29908;19-02-2010.

 

 

 

 

“Quais as Tentações do estado “clerical”? Já dizia o filósofo místico: nem Besta nem Anjo, apenas humano demasiado humano. Não tenho pecados apenas vícios confessou o outro ministro, em declarada penitência pública”. – Pedro José. [Ano Sacerdotal – Entre Aspas, nº09].

 

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 19-02-2010.

Caracteres (espaço incluídos): 8551.

 

 

 

 

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