Os tempos de cinza: onde está o tempo social? – Inspirado em ECLÉA BOSI

 

 

Os tempos de cinza:

onde está o tempo social?

– leituras transversais inspiradas em ECLÉA BOSI (*)

 

 

[Antes] Estamos perdidos não só por falta de vergonha, mas por falta de acurácia…

Estamos encontrados no meio de muitas coisas, mais por falta de discernimento sobre a validade e o aprimoramento…

Estamos endividados com a nossa falta de humildade cada vez que dizemos que é bom aprender com os próprios erros, mas que é melhor, ainda, aprender com o dos outros…hipocrisia declarada!?

A Luz que não tive encontrei-a, em tempos de cinza, neste texto-ensaio-pesquisa, sobre as ‘virtudes’ dum tempo social jamais perdido. Não há como não experimentar nesta QUARESMA… não faremos parte de um Todo? Sem nostalgias pela totalidade totalitária… totus tuo!

pedro josé – cinzas no bairro de Terras Duras: 20h00:17-02-2010.

 

 

 

(…) Há o tempo da igreja, em que a pressa fica mal, não se deve ter pressa de rezar… Há o tempo do comércio, em que a pressa vale ouro. O tempo do comprador não é o do flanador nas ruas. Nem o tempo da visita íntima é o da visita de cerimônia. Há meios em que a gente desconta a exatidão de outros, não querendo saber do relógio, afrouxando e recusando todo o ritmo. Há ciclos, mensais e anuais, para as relações afetuosas… O período de rever uma amigo é diferente do de rever um parente chegado. Há um quadro orientador do bom uso do tempo social. Pertencem a esse quadro o ano litúrgico diferente do ano escolar, diferente do ano do lavrador…Esses anos têm ocasiões de plenitude, de vazante, de recesso, de vazio”(…).

 

 

[Depois] Há um compasso social do tempo? Nós somos incapazes de reproduzir essa experiência… seduzidos pela volúpia da velocidade… como refazer esse caminho social, como transmitir uma Tradição sem bocejar? Sem cansaço e com a alegria do reencontro. O tempo dos amantes é sempre pouco… conversar sem olhar o relógio… p.q.p. para a eficiência…, quando ela não é reverência à fecundidade… eu sou apenas tempo de cinza, e não cinzas num só tempo!

pedro josé – cinzas fora do monitor: 00h30:18-02-2010.

 

 

 

 

(*) FONTE: BOISI, Ecléa, Memória e sociedade: lembranças de velhos, Companhia das Letras, São Paulo, 81999, p.418. 1957 caracteres (com espaços incluídos).

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Livros. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s