O Destino Nacional [Excerto: “O Povo Brasileiro”] por Darcy Ribeiro

 

 

 

 

[Debate Público & Cidadania]

 

 

Texto 02 O DESTINO NACIONAL.

 

(…) Fala-se muito, também, da preguiça brasileira, atribuída tanto ao índio indolente, como ao negro fujão e até às classes dominantes viciosas. Tudo isto é duvidoso demais frente ao fato do que aqui se fez. E se fez muito, como a construção de toda uma civilização urbana nos séculos de vida colonial, incomparavelmente mais pujante e mais brilhante do que aquilo que se verificou na América do Norte, por exemplo. A questão que se põe é entender por que eles, tão pobres e atrasados, rezando em suas igrejas de tábua, sem destaque em qualquer área de criatividade cultural, ascenderam plenamente à civilização industrial, enquanto nós mergulhávamos no atraso.

 

As causas desse descompasso devem ser buscadas em outras áreas. O ruim aqui, e efetivo fator causal de atraso, é o modo de ordenação da sociedade, estruturada contra os interesses da população, desde sempre sangrada para servir a desígnios alheios e opostos aos seus. Não há, nunca houve, aqui um povo livre, regendo seu destino na busca da própria prosperidade. O que houve e o que há é uma massa de trabalhadores explorada, humilhada e ofendida por uma minoria dominante, espantosamente eficaz na formulação e manutenção de seu próprio projeto de prosperidade, sempre pronta a esmagar qualquer ameaça de reforma da ordem social vigente”.

 

 

 

AUTOR: RIBEIRO, Darcy, O Povo Brasileiro: A Formação e o sentido do Brasil,

Companhia da Letras, São Paulo, 1995 [4ª reimpressão], pp.445-446.

 

Caracteres (espaço incluídos): 1324

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Uma resposta a O Destino Nacional [Excerto: “O Povo Brasileiro”] por Darcy Ribeiro

  1. JÂNIO diz:

    Ótimo artigo e que, de certa forma, retrata a situação política de nossa sociedade atual. Há iniciativas isoladas em promover mudanças, mas a reação direta através da repressão e indireta através de perseguições e esquemas ilusionistas escamoteiam a realidade e conduzem a sociedade ao comodismo, ao marasmo e ao fracasso. Contudo, o pior que se pode perceber é o medo de ser gente, de dizer que não concorda com essa situação e se transformar em "rato", em "tatu" ou em "avestruz"… O medo de ser gente, de existir, ao invés de apenas estar no mundo, é o que alimenta a corrupção e a estrutura social que persiste em nossa sociedade. por: professor Jânio

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