“Se possível fosse pôr-se um problema,” – por Pedro TAMEN

 
 
            29.(*)

 

 

 

Se possível fosse pôr-se um problema,

o problema a pôr seria o de saber

se o que seja que é ou que não é,

num agora que só por analogia assim chamamos,

faz que seja ilusão o que já foi

– ou então já o era.

 

 

 

A mão real que te afagava o braço

e a polpa da pêra que te inundava o queixo

seriam acaso equivalentes

de um arco-íris que depois da chuva

por qualquer coisa se deixa atravessar

mas pelos olhos não.

 

 

 

A ser assim, não há qualquer engano

mas o engano mesmo.

E o caminho, o rio,

vai de uma à outra,

ou à mesma ilusão.

 

  

 

(*) FONTE: TAMEN, Pedro, Caronte e Memória, Escrituras Editora,

                        São Paulo, 2004, p.51.

 

 

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