A Vida em rascunho? 2ºDom – T.C. – Ano C: Jo 2,1-11

 
 
 
2º DOM. T.C. – ANO C – Ev.Jo 2, 1-11

 

A Vida em rascunho?
A Vida é Difícil.
A Vida é Bela.

 
 
(disposição nº1.) – Houve uma festa de casamento em Caná da Galiléia. Nunca fui peregrino dos lugares santos, poderá acontecer ou não um dia. Mas Caná tem a minha devoção preferencial. Dista uns 10 Km de Nazaré. Fazendo uso da imaginação, vejo-me dentro dessa festa de casamento. E que festa! Muita música, dança, falas intímas e desconexas, sorrisos e piadas, vinho e petiscos, tempos de reconciliação e esperança, tempo de Graça. Um Deus Pura Alegria, um-Deus-que-Dança, no meio do seu Povo, construindo a Nova Aliança, tudo junto e repartido às migalhas (como quem diz, de acordo com a recepção interior de cada um: ninguém seja motivo de escandâlo…).

 
(disposição nº1.1.) –Houve uma festa de casamento e de repente tudo estava a ponto de ficar perdido.
Faltou o vinho. Vinho não é detalhe. Vinho é essência. Então surge ‘o homem certo, no lugar
certo’ (soa a pragmatismo inglês…). No caso a mulher certa, no lugar certo. Maria de Nazaré
é a Mulher (sem querer forçar a analogia: Zilda Arns foi/é em Haiti, a Mulher certa, no lugar certo. A morte é decorrência de uma Vida de Virtude Exemplar:
"Não há salvação fora do mundo").
As minhas certezas e os meus lugares. Como não pretendo "sofrer de egolatria":
não posso continuar a fugir de mim. Não quero estar envolvido em ‘lutas de poder’.
O Serviço está na observação paciente (composição do lugar…) descobrindo/conhecendo a
Hora do carisma, da mão aberta, do vinho da bondade, do papel riscado, da noite sem dormir,
do estou pronto vamos os dois, do pano no chão,
da palavra no ouvido, do cheiro perfumado…
 
(disposição nº1.2.) –Houve uma festa de casamento e Maria sinaliza, em tom de AMARELO (sem "amarelar"… que a crítica não seja azeda, ressentida, maldosa… nunca sobre nunca…), a necessidade dos noivos: “Eles não têm mais vinho!”. Que necessidades Maria sinalizaria hoje, na festa da vida: “Eles não têm o que comer”, “Eles trabalham como escravos”, “Eles não têm moradia digna”, “Eles não encontram sentido para sua vida”…
E entretanto aparece Jesus. Ele se deixa tocar e comover pelo sofrimento dos outros. Ele se apresenta como um Deus Sensível e Próximo. Que diferente do Deus inacessível e intocável dos fariseus e sacerdotes da Lei! Jesus não age sozinho, precisa dos serventes, da comunidade para fazer acontecer o novo: “Jesus disse aos que serviam:
«Encham de água esses potes»”.  O primeiro sinal (milagre na linguagem de João) de Jesus é através do Vinho Novo, que permite a festa de casamento acontecer. No final da sua vida, Ele oferecerá de novo vinho, que é o seu próprio Sangue que selará a aliança da humanidade com Deus para sempre.
 
 
(disposição nº2.) –Houve uma festa de casamento… Quando é o próximo casamento oh Jesus de Caná? Oh Jesus do Golgota? Quando é o próximo casamento? Alguém muito importante em termos de liderança afirmou: "Todo o Amor é esponsal". Todo o Amor mesmo!? Estou em festa, com clima e em silêncio. Nos bastidores também há show. Ontem na religiosidade popular participei na "Queima das palhinhas do presépio"… mais uma tradição secular, mais um aprendizado em festa. Uma pequena tradição dentro da grande Tradição. Também quero esse lugar e essa hora para mim. Nada menos nada mais. Uma festa na Vida Difícil comporta a Beleza que salvará o mundo. Em/como que posso/podemos ajudar?

 
A face de Deus é vespas

Queremos ser felizes.
Felizes como os flagelados da cheia,
que perderam tudo
e dizem-se uns aos outros nos alojamentos:
“Graças a Deus, podia ser pior!”
Ó Deus, podemos gemer sem culpa?
Desde toda a vida a tristeza me acena,
o pecado contra Vosso Espírito
que é espírito de alegria e coragem.
Acho bela a vida e choro
porque a vida é triste,
incruenta paixão servida de seringas,
comprimidos minúsculos e dietas.
Eu não sei quem sou.
Sem me sentir banida experimento degredo.
Mas não recuso os marimbondos armando suas caixas
porque são alegres como posso ser,
são dádivas,
mistérios cuja resposta agora é só uma luz,
a pacífica luz das coisas instintivas.

 
Adélia Prado
 
 

Referência fundamental:
Fonte, http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_servicos&Itemid=38&task=detalhes&id=2: acesso: 16-01-2010.
 
 

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