esquivo de mim

 

 

esquivo de mim

 

 

 

Parece-me que o meu tempo não me pertence mais. A sensação da felicidade que corre na contra-mão. Porque será que até o gosto de viver dói em mim. Tentativa de fuga em frente, horizonte de esperança, sem as marcas do passado; construindo o presente sobre a rocha do ser. Muita paciência no ser. Ser amoroso. Ser prestativo e assertivo. Ser eu e nós dois separados. O querer tudo certinho e positivamente informal. Confessar sem gosto, mas com virtude e vício. Fadiga e cansaço que não se equilibram. Brigas externas, dramas institucionais, e verdades que não se assumem. A alegria do serviço, a postura de sentinela, a sabedoria de ler a vida, ainda que incompletas, já são suficientes paliativos da Alma. Permaneço quase encontrado no Amor que julgo incompreendido. Não há possibilidade de fazer ponte. Trabalhar para esquecer? Como será a minha redenção. Diversifico mas não aprofundo. Não consigo terminar com coerência. Não partilho discurso fraturante. Só o serviço. Só o humor. Só a lisura. Lentidões que não me satisfazem. Sou eu, prazer em conhecer. Fico por aqui entre a perplexidade, o conflito adiado e onipresente, profundamente esquivo de mim.

 

 

POR: Pedro José, Chapadinha, 03-12-2009.

Caracteres (espaço incluídos): 1156.

 

 

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Ensaio Biográfico. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s